07 de julho de 2026
Geral

Madri

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 2 min

Rumo a Madri

Texto: Eliane Barbosa

A capital espanhola tem museus fabulosos, praças muito bem arborizadas, chafarizes magníficos jorrando água o tempo todo e vida noturna agitada

Quem conhece Buenos Aires e viaja a Madri costuma fazer uma correlação entre as duas capitais. E não é mera coincidência. Buenos Aires, colonizada pelos espanhóis, imitou mesmo Madri na arquitetura de seus prédios, no paisagismo de suas praças, assim como a própria Madri copiou muita coisa de Paris. O que aumenta o brilho dessas metrópoles.

As imensas áreas verdes, os chafarizes por todos os cantos jorrando milhares de litros d'água, a descontração nos bares e aquela gente bonita desfilando pelas "calles", tomando "cerveza" em "cañas" na Plaza Mayor e desgustando "tapas" na galeria de mesas que toma conta das calçadas, dá uma autenticidade à capital madrilena.

Madri é charmosa, cosmopolita, agradável e simpática até mesmo ao turista brasileiro, discriminado em outras partes do mundo, e reserva muita coisa ao visitante, tanto em sua área metropolitana como os arredores, caso de cidades históricas como Toledo, Segovia e Arranjuez.

Seus museus, entre eles, Prado, Reina Sofia e Thyssen-Bornemisza, reúnem obras de Picasso, Dalí, El Greco e Cervantes; foi dela que Pedro Almodóvar partiu para a sétima arte, Júlio Iglesias e Plácido Domingos para a música e Federico Garcia Lorca para à literatura. Uma cidade que saiu da ditatura do generalíssimo Franco há pouco mais de 20 anos e que teve pressa em recuperar o tempo perdido, dando especial atenção às artes, ao lazer

, à história e cultura.

Os madrilenos demonstram nos rostos e atitudes que não se deixaram abater pelos acontecimentos políticos de um passado recente, que não teve nada de glória. Sua história começou em 1561, quando a vila foi elevada

à capital do então poderoso império espanhol que se expandia pelo mundo. Depois de um governo austero sob a batuta de Felipe II e a dinastia dos Habsburgos que o sucedeu até o século XVIII, Madri passou por um período de efervescência arquitetônica e cultural por conta da dinastia francesa dos Bourbon, que chega ao poder.

Os novos soberanos, saudosos dos requintes de Versalles, na França, passaram a embelezar a cidade, construindo palácios neoclássicos, largas avenidas e parques e jardins dignos de reis.

Depois desse período áureo, a Espanha passa por uma fase caótica: nos anos 30, estoura a guerra civil que lavou o país de sangue e introduziu a ditatura do generalíssimo Francisco Franco. Somente em 1975, com a morte de Franco, a monarquia volta como um poder moderador nas mãos do rei Juan Carlos, também da casa dos Bourbon, que passa a dividir o comando com o primeiro-ministro escolhido pelo Parlamento. Madri renasce.