07 de julho de 2026
Geral

Boatos

Erika de Lima
| Tempo de leitura: 3 min

DIG esclarece boatos de desaparecidos

Texto: Erika de Lima

Em meio aos muitos telefonemas que o JC recebeu nos últimos dias, de pessoas assustadas pelo boato de que crianças estariam sendo raptadas para que seus órgãos fossem vendidos, o titular da Delegacia de Investigações Gerais/Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (DIG/Garra), J.J. Cardia decidiu esclarecer o boato.

Segundo Cardia, tudo começou por surgirem uma série de registros de pessoas desaparecidas. A primeira delas foi o desaparecimento de Bruna Cristina da Silva Moço, 6 anos, a segunda, foi uma tentativa de estupro no Núcleo Gasparini e, a terceira, o afogamento do casal de irmãos Eliana, 24 anos, e Josué Oleriano Silva, 13 anos, na lagoa da Quinta da Bela Olinda. "O boato de que em Bauru estaria tendo mortes de pessoas desaparecidas para que seus órgãos fossem vendidos é uma mentira", reforça o delegado.

Todas as vítimas haviam sumido antes de serem encontradas e, isso foi a principal causa do boato. "Tenho certeza de que os boatos falsos começaram a surgir em decorrência desses registros. Não está acontecendo nada de anormal, se estivesse é claro que alertaríamos as famílias", afirma Cardia.

Por medo muitas pessoas ficaram obcecadas por alguns tipos de veículos como kombis brancas, por pensar que nelas há suspeitos. No entanto, o delegado insiste, dizendo que não

é necessário sair suspeitando de todo e qualquer veículo. "Os pais devem ter a mesma preocupação de antes com os filhos, mas não podem transparecer, para que isso não seja prejudicial para suas crianças. Não queremos que elas se sintam inseguras", reflete.

A DIG/Garra registra mensalmente entre 10 e 12 ocorrências de desaparecimento, sendo que a maioria é de adolescentes que vão para a casa de amigos e não avisam os pais. E, na segunda lista de maior registro, estão os idosos e as crianças, que desaparecem por aminésia ou por ir até à casa de parentes sem avisar.

De acordo com o titular, a cada 100 boletins de ocorrência

(BO) de desaparecimento, 99,9% são resolvidos. "Só 0,01% é crime, o restante de ocorrências é um um desaparecimento momentâneo, quando então, a pessoa sumida volta para casa", explica.

Entretanto, o assunto ainda deixa muitas pessoas atemorizadas.

É o caso de Cláudia Costa Rodrigues, que mora na Pousada da Esperança e tem uma filha de 4 anos. "A vizinhança toda está com medo e dizendo que a polícia está escondendo a verdade. Para nós, os irmãos não morreram afogados, mas sim mortos por causa da retirada de seus órgãos", relata.

Entretanto, Cardia ressalta que as investigações foram feitas e não há nada para esconder da população.

"As pessoas gostam de inventar histórias, mas não há nenhum problema como esse na cidade", garante.

Vale lembrar que os BOs de pessoas desaparecidas podem ser registrados antes mesmo de completar 24 horas do desaparecimento. "É importante registrar o BO para que a equipe da delegacia comece a fazer as investigações e encontre o desaparecido. Quanto mais cedo registrar, a possibilidade de saber onde a pessoa encontra-se é maior", acrescenta.