07 de julho de 2026
Geral

Transporte

André Tomazela
| Tempo de leitura: 6 min

Aumenta a utilização de motos como meio de transporte

Texto: André Tomazela

A média mensal de motos vendidas aumentou de 15 para 50 numa concessionária de Bauru. O setor teve um crescimento nacional de 24,9%

A motocicleta é, hoje, um meio de transporte cada vez mais requisitado pelos consumidores. Dois motivos principais seriam os responsáveis pelo aumento da procura pelas motos: o fato de serem muito mais baratas e fazerem o mesmo trajeto de um automóvel, só que consumindo muito menos combustível. A moto mais vendida, atualmente é a CG 125 Titan, da Honda, com 222.176 unidades vendidas no Brasil, no período de janeiro a setembro deste ano. Segundo a Associação Brasileira de Frabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas e Bicicletas (Abraciclo), o número de vendas de motos no mercado interno há cinco anos atrás foi de 200.592 unidades vendidas. Esse número subiu para 441.536 no ano passado e, a previsão para o ano 2000 (até dezembro)

é de 550.000 unidades.

A Honda, líder de vendas do mercado, teve 310.813 unidades vendidas no País, no período de janeiro a setembro deste ano, o que resulta numa média mensal de 41.400 unidades.

O aumento considerável da venda de motos é justificável. A assessoria de comunicação da Moto Honda da Amazônia afirmou que a motocicleta está conquistando novos espaços. O usuário de automóvel está passando a integrar a motocicleta em sua vida, utilizando os dois meios de locomoção. Se a pessoa sabe que vai para um local onde o trânsito é intenso, escolhe a motocicleta como meio de transporte. O aumento do índice de vendas de motos nos últimos anos pode ser atribuído principalmente à novas utilizações atribuídas às motocicletas. Realização de inspeção técnica numa linha de trem e substituição do cavalo em trabalhos realizados no campo, são dois tipos de situações em que a motocicleta está presente atualmente.

Em Bauru a tendência nacional se confirma. No início de funcionamento da Fort Motos, em 1995, a média de venda por mês era 15 motos. Hoje, a média de vendas aumentou para 50 por mês. Segundo o proprietário da Fort Motos, Lorenço Oliveira Benetti, o principal motivo que está levando as pessoas a trocarem carros por motocicletas é o aumento do preço dos combustíveis. A moto, além de consumir bem menos combustível para andar um kilômetro, com relação ao carro, é muito mais barata, na hora da aquisição. "Um plano de compra de moto que tem feito bastante sucesso é a entrada de R$ 300,00 mais 24 parcelas fixas de R$ 130,00. Com um carro, só de gasolina, por mês, não se gasta menos que R$ 200,00", afirma.

Antigamente, quando a Fort Motos foi inaugurada, há seis anos, os períodos de frio ou chuva faziam as vendas de motos despencarem. De acordo com Benetti, hoje em dia essa queda não se verifica. "Andar de moto não é mais lazer, é uma necessidade. Hoje, com tempo chuvoso, o proprietário coloca uma capa de chuva e vai trabalhar com a moto", afirma.

As pessoas estão buscando utilizar a motocicleta em função de economia e praticidade, essa é a opinião do proprietário da Supermoto Honda de Bauru, Elias Golçalves Cardoso. Segundo ele a moto deixou de ser um veículo para passeio e passou a ser um instrumento de trabalho, para locomoção com rapidez e economia. A concessionária também tem comemorado com o alto índice de vendas na cidade da mais popular da motos da Honda, a Titan. A média mensal de Titans vendidas na Supermoto Honda, gira em torno de 80 a 100 motocicletas. A CG125 Titan ao lado da C100 Biz, são os modelos mais vendidos da Honda na Supermoto.

Consumo de combustível

Um carro popular zero kilômetro mais em conta custa em torno de R$ 12 mil, enquanto que a moto mais vendida, atualmente, a Honda Titan, custa R$ 3.680,00 e chega a fazer de 25 a 30 km/l. O consumo de combustível de um carro popular é de 12 km/l. Em média, o dinheiro gasto para encher o tanque de uma moto é de R$ 18,00 por semana. Esse gasto triplica para encher o tanque de um carro popular.

Economia de combustível foi um dos motivos que levou o estudante de curso pré-vestibular, Willian Roberto Gonçalves, a trocar o seu veículo da marca Chevett por uma moto CG 125 Titan, da Honda. Segundo ele, a moto é muito mais econômica do que o carro que possuia. "Eu uso a moto como meio de transporte para o trabalho e para a escola. É preciso ter mais cuidado para dirigir, mas estou muito satisfeito", afirma.

Paixão por moto

Desde os 9 anos de idade ele dirige moto. Com 11 anos, adquiriu o primeiro modelo, uma CB 50. De lá até agora, teve 47 modelos diferentes. "Sempre que a Honda lançava um modelo novo eu comprava, utilizava pro três meses e depois vendia. Eu já tive CB 500, uma Falcon e a Dream, por exemplo", afirma o comerciante e proprietário da Simone Refeições, José Alcântara Marangon Júnior. Ele e a esposa Simone, possuem atualmente duas motos CG 125 Titan, cuja utilização

é revezada com o carro, principalmente no trabalho. "Eu uso moto na minha firma faz 14 anos", afirma. Para entregas de refeições em grandes empresas, que são em maior quantidade, Júnior se utiliza do carro. A moto

é usada, sempre, em entregas menores, de marmitas e marmitex. O principal motivo que faz com que Júnior não venda suas duas Titans é a economia de combustível, que fica em torno de 200%, segundo ele. "Enquanto um carro faz 8 km com um litro de combustível nas cidades, a moto faz 30 km/l", comenta.

Setor de motociclos já cresceu 24,9% em 2000

Após ter batido quatro recordes de vendas no mercado interno neste ano, o setor de motociclos registrou, em setembro, um retração de 35,5% em relação ao mês anterior. A queda

é atribuída às férias coletivas de julho adiadas por uma das montadoras associadas à Abraciclo. No acumulado do ano, foram comercializados 418.124 motociclos, o que representa um crescimento de 24,9%.

Em setembro, 35.849 motociclos foram vendidos no mercado interno. As férias coletivas não afetaram as exportações. Pelo contrário, o segmento superou o recorde mensal, atingindo 7.002 motociclos, os produtos foram enviados principalmente para a América Latina e, no acumulado do ano, somaram 45.141 unidades, um crescimento de 103,6% em relação ao mesmo período do ano passado. Para o presidente da Abraciclo, Roberto Iquejiri, o setor de motociclos está consolidado neste ano com uma rede de 1.029 concessionários e revendedores em todos o Brasil, que geram mais de 60 mil empregos diretos e indiretos. A expectativa de se colocar 550 mil motociclos no mercado interno neste ano está confirmada. "Buscamos agora um novo desafio: comercializar até meados da próxima década um milhão de motociclos, em um único ano", afirmou.

Motos mais vendidas em 2000

Honda CG 125 Titan - 222.716

Honda C 100 Biz - 75.689

Honda CBX 200 Strada - 21.018

Honda XLR 125 - 18.352

Yamaha YBR 125 E - 15.342

Honda XR 200 R - 11.453

Yamaha Crypton 105 - 9.442

Honda NX 4 Falcon 400 - 9.250

Honda NX 200 - 5.301

Honda CG 125 Cargo - 4.642

fonte: Abraciclo