Idosos valorizam qualidade de vida
Texto:Fabiana Teófilo
Viver bem é possível em qualquer idade e, mais ainda, quando existe essa preocupação. Com tratamentos específicos e alguns cuidados, é possível avançar ainda mais na idade mantendo a jovialidade
Doenças comuns na idade avançada, como reumatismo, artróide, Parkinson, hipertrofia prostática benigna, problemas respiratórios, osteoporose, pressão alta
(hipertensão arterial) e problemas na absorção de vitaminas, que sempre comprometeram o bem-estar das pessoas da chamada terceira idade, passaram a ser controladas com medicamentos que permitem um envelhecimento mais tranqüilo.
Embora não seja exclusiva da terceira idade, a hipertensão arterial costuma mostrar sua face mais cruel nesta fase da vida, quando demonstra seus efeitos nocivos nos chamados órgãos-alvo: o cérebro, o coração, os rins, os olhos e os vasos sangüíneos em geral. Típico da terceira idade é o Mal de Parkinson, distúrbio neurológico progressivo e degenerativo do sistema nervoso, que compromete o desempenho adequado das funções motora desde as mais simples, como a mímica e a fala, até seqüências completas de movimentos, como caminhar ou andar de bicicleta. A doença atinge tanto homens como mulheres e a sua incidência
é maior entre pessoas com mais de 60 anos.
Para a população masculina, a Hiperplasia Prostática Benigna (HPB) é um exemplo de desconforto. Os sintomas são: jato urinário fraco, sensação de micção incompleta, urgência para urinar, micção freqüente diurna e noturna e, às vezes, incapacidade total de urinar ou, ao contrário, perdas urinárias involuntárias. Os problemas com a próstata tornam-se mais freqüentes com o avanço da idade. Isto significa que sua incidência deve aumentar face ao envelhecimento da população.
Já para as mulheres, a osteoporose tem sido a grande vilã. Trata-se da fragilização dos ossos causada pela diminuição da massa óssea. Esta perda está relacionada principalmente às alterações hormonais, à ausência de atividade física e à pouca ingestão de cálcio, entre outros fatores. Após os 45 anos, como decorrência destes fatores, a reabsorção óssea aumenta, iniciando-se a lenta fragilização dos ossos. No Brasil, estima-se que cerca de 15 milhões de brasileiros estão propensos a desenvolver osteoporose.
Entre as doenças respiratórias, uma das mais comuns na população idosa é a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), que reúne as conhecidas doenças enfisema pulmonar, bronquite crônica e outras. Elas tornam a vida dos idosos extremamente difícil, pois dificultam a respiração e, conseqüentemente, limitam a capacidade física.
De acordo com o médico geriatra Júlio R. Horta Filho, cuidados com alimentação são particularmente importantes para as pessoas da terceira idade. Nessa fase da vida, o apetite diminui e o intestino, em geral já debilitado, tem menor capacidade de absorção de vitaminas e minerais. Problemas dentários comuns da idade, bem como falta de interesse em preparar sua alimentação, também podem levar a uma dieta não balanceada. "O ideal, nestes casos, é reposição de vitaminas e minerais balanceada com complementos apropriados e exercícios físicos", afirmou.
Para as pessoas mais idosas, o indicado é andar aproximadamente 40 minutos, diariamente, respeitando sempre os limites de cada um e sob supervisão de profissionais. "É importante realizar uma atividade física tanto na prevenção, quanto na manutenção da saúde", disse.
Horta explicou que o sedentarismo é o principal fator de risco, atualmente, porque há mais pessoas que são sedentárias. Sedentários, de acordo com ele, são as pessoas que gastam menos de 200 calorias por dia.
Para minimizar os efeitos do envelhecimento, Horta explicou que o ideal é tentar diminuir os radicais livres. "Nessa fase, portanto, é necessário a administração de vitaminas, oligoelementos, antioxidantes, mas tudo orientado e estudado individualmente", afirmou.
Há que manter, de acordo com o geriatra, uma dieta equilibrada, atividades físicas, tentar diminuir o nível de estresse, reposição de vitaminas e hormônios. "Se conseguirmos trabalhar com uma pessoa de 50 anos em todos esses sentidos e, além disso, ela tiver uma hereditariedade boa, vai longe, chega a 80 ou 90 anos muito bem", afirmou.
De acordo com Horta, a geriatria preventiva é, relativamente, nova no meio médico e busca melhorar a qualidade de vida do envelhecimento, retardando as doenças. "O importante
é fazer com que o idoso tenha uma vida autônoma, que ele possa se cuidar sozinho, ser independente", explicou.
Ele disse ainda que a geriatria preventiva não busca o rejuvenescimento e sim fazer com que a pessoa envelheça saudável, podendo realizar suas atividades com o mínimo de doença.
Horta explicou que a partir dos 30/35 anos a pessoa começa a ter alterações bioquímicas e físicas e, portanto, seria importante uma avaliação de um geriatra nessa fase para checar a hereditariedade e dirigir um trabalho de prevenção para doenças hereditárias.
"Se o tratamento for levado a sério, certamente, o paciente que se previne não seguirá os passos dos pais ou outras pessoas da família que sofrem alguns tipos de doenças", disse.
Uma novidade citada por Horta é que a musculação vem sendo empregada para idosos. Isso se deve ao fato de que, após vários estudos realizados, soube-se que comparando uma pessoa idosa sedentária com uma pessoa idosa que pratica exercícios como caminhada ou natação, observou-se que as duas tiveram seus músculos atrofiados quase que em mesma intensidade. De acordo com Horta, é necessário exercícios de musculação para evitar o atrofiamento dos músculos, pois apenas exercícios aeróbios não são capazes para realizar essa tarefa.