Justificativa eleitoral reflete pouco interesse pelo voto
Texto: Eva Rodrigues
Os Cartórios Eleitorais da 23ª e 300ª zona estiveram movimentados ontem com o recebimento das justificativas de quem estava fora do domicílio eleitoral. Alguns lamentos pela impossibilidade de participar do pleito ficaram apagados frente a uma maioria que discorria sobre o fato de votar ou justificar sob o mesmo ângulo: o da indiferença.
Há seis meses morando em Bauru, Dirce Cortez da Silva, 41 anos, esperava na fila para justificar o voto e argumentando dificuldade econômica para ir a São Paulo votar preferiu transferir a responsabilidade: "Não tenho como pagar uma viagem somente para esse fim e acho que o governo é quem deveria pagar pra gente ir votar, o interesse é dele", indicou.
Sidnei Moreira Ventura, 28 anos, trabalha, estuda e não teve condições de viajar até Mauá, onde vota. Mesmo depois de três anos por aqui ainda não tomou a iniciativa de transferir o título: "Não esquento a cabeça com isso, tenho muitas outras coisas para me preocupar". O ponto de vista vem de encontro à importância dedicada ao voto. "Não vejo os caras fazendo nada, então não acho que adiante muito minha contribuição", constatou.
Temporariamente em Bauru a trabalho, Milton Xavier, 54 anos, não pôde estar em Maringá para exercer o direito ao voto.
"Eu preferia votar, mas não ligo de justificar porque meu candidato já perdeu mesmo no primeiro turno", lamentou.
Luiz Henrique Salvadeo Von Dreifus, 23 anos, foi a São Paulo garantir um voto para a candidata Luiza Erundina no primeiro turno, apesar de já estar com a família vivendo em Bauru há três anos. Para ele, a importância do ato está ligada a um critério bem pessoal: "Quando tem um candidato no qual vale a pena votar, acho que é bom".
Para Selma Regina Junqueira, 38 anos, é de fundamental importância o exercício da cidadania através do voto. Mas os oito anos de residência em Bauru sem a transferência do título de eleitor não combinam com a resposta enfática. "É uma vergonha, mas eu vou transferir,
é que o tempo vai passando e a gente deixa para depois", desculpa-se.