Criança morre afogada em Piratininga
Texto: Fabiano Alcantara
Menino de seis anos morre afogado em piscina; tia diz que não havia salva-vidas; para direção do clube ocorreu uma fatalidade
Uma criança de seis anos morreu anteontem em uma das piscinas do Águas Quentes de Piratininga. O menino Marcelo Ferro Júnior, que morava em Bauru, foi levado pela tia Nilva Gomes, 29 anos, para nadar no clube. A causa da morte da criança, segundo o Instituto Médico Legal foi "asfixia mecânica por afogamento".
Segundo a tia, funcionários do clube haviam garantido que havia salva-vidas no local e teriam descartado a hipótese do menino correr algum perigo. O gerente-geral do clube, Manoel Jerônimo, disse que quatro salva-vidas trabalhavam no momento do afogamento da criança.
"O clube não tem condição de colocar um supervisor para cada criança. Os pais ou acompanhantes também são responsáveis por uma fatalidade como essa", afirmou o advogado do clube, Caetano Gurzilo Filho.
"A única coisa que eu quero é justiça. Não há dinheiro que pague a vida do meu filho", rebateu o pai da criança, o pedreiro Marcelo Ferro, 24 anos. A mãe estava em estado de choque no velório, ontem de manhã.
O gerente-geral disse que não poderia dar informações muito detalhadas sobre a morte do menino porque o clube não abriria ontem. Segundo ele, o Águas Quentes não funciona para o público às segunda-feiras. "Quem conhece o clube sabe da nossa seriedade. No momento do afogamento nós tínhamos supervisores trabalhando e uma equipe com médica e enfermeira no local. Amanhã (hoje) vou conversar com os funcionários que estavam trabalhando porque é a única forma de apurar exatamente o que aconteceu", disse. Jerônimo adiantou, no entanto, que o clube "não se sente responsável pelo fato ocorrido." Ele afirmou que esta foi a primeira vez que alguém morreu no clube, em nove anos de existência.
Além da responsabilidade pela morte, outro ponto de divergência entre a tia da criança e os responsáveis pelo clube diz respeito ao porquê de Nilva estar do lado de fora da piscina no momento do afogamento.
Enquanto a tia diz que foi impedida de entrar, os responsáveis pelo clube afirmam que ela não acompanhou a criança por vontade própria. "Meu sobrinho não sabia nadar. Eu pedi para entrar e disseram que eu não poderia por não ter exame médico, mas a criança entrou sem exame", diz Nilva.
"Ela permitiu que a criança entrasse sozinha. Não entrou porque não quis fazer o exame", disse o gerente-geral. O advogado afirmou que "provavelmente" a criança tenha feito exame médico antes de entrar na piscina.
No momento do afogamento da criança, a tia estava ao lado de uma cerca que separa as piscinas do resto do clube. Nilva disse
à reportagem que ouviu uma criança gritando que tinha alguém morto no fundo da piscina. "Pulei a cerca, mas não pude fazer mais nada". Ela afirma que uma prova da omissão do clube seria o fato de a criança ter sido resgatada do fundo da piscina por um sócio e não por um salva-vidas. "Na hora, todo mundo correu para salvar a criança, talvez o sócio tenha chegado primeiro. O atendimento foi feito, inclusive pela médica do clube", afirma o gerente. Jerônimo disse que a médica estava no clube no momento do afogamento.
O técnico do IML que fez o exame necroscópico, Jair Romeu, disse que havia muita água no pulmão da criança. Ele afastou qualquer probabilidade de "congestão".
"O menino aspirou água, esse negócio de congestão não existe mais. É coisa do passado", afirmou.
De acordo com ele, em casos de asfixia mecânica por afogamento, a água é aspirada, vai para os brônquios e inunda o pulmão. A criança chegou a ser atendida no Pronto Atendimento de Piratininga, mas não resistiu e morreu. A Polícia Civil vai investigar o caso.