07 de julho de 2026
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Daniela Bochembuzo
| Tempo de leitura: 5 min

DIR: verba é somente para reforma

Texto: Daniela Bochembuzo

Flávio Badin Marques, diretor regional de Saúde, afirma que recursos destinados ao Manoel de Abreu não podem ser remanejados

O diretor da Divisão Regional de Saúde de Bauru

(DIR - X), Flávio Badin Marques, afirmou ontem que a verba de R$ 420 mil destinada ao Hospital Manoel de Abreu deverá ser utilizada apenas na reforma da instituição. A afirmação contraria declaração de Cid Santaella, superintendente interventor do Estado na Associação Hospitalar de Bauru (AHB), de que os R$ 150 mil ainda não utilizados poderão ser remanejados pela AHB por se tratar de verba de custeio. A informação foi prestada durante entrevista publicada na edição de ontem do Jornal da Cidade.

Até o momento, de acordo com informações de Santaella, a AHB já utilizou R$ 270 mil do montante total destinado ao Hospital Manoel de Abreu pela Secretaria do Estado da Saúde. Esse valor foi destinado às reformas da ala 1 (já concluída) e da cozinha e da ala 5

(ambas em andamento).

Na mesma entrevista, o superintendente disse que a AHB tentaria utilizar os R$ 150 mil na continuidade das obras, como havia se comprometido com a Secretaria do Estado da Saúde, mas ventilou a possibilidade de remanejá-los em função dos custos de R$ 50 mil mensais daquele hospital.

"Essas verbas não são para custeio do Hospital Manoel de Abreu, mas para reforma. A direção da AHB se comprometeu a utilizar os recursos na reforma e isso foi fechado em uma reunião que teve a participação dos vereadores Majô Jandreice e Edmundo Albuquerque e dos deputados estaduais Carlos Braga e Pedro Tobias, realizada em São Paulo", lembrou Flávio Badin Marques.

Repasses

Além da verba destinada à reforma do Hospital Manoel de Abreu, o diretor da DIR - X citou que a AHB recebe freqüentemente recursos para o custeio de várias unidades da instituição, como a Unidade de Queimados, Hemodiálise e Urgência e Emergência, em função de se tratar de uma referência regional de saúde. Em razão disso, Marques sustenta que os hospitais de Base e Manoel de Abreu e a Maternidade Santa Isabel devem dar retaguarda ao Pronto-Socorro Central de Bauru.

Na edição de ontem, Cid Santaella afirmou que o Hospital de Base "não tem a obrigatoriedade de dar retaguarda ao PS". "Há um convênio firmado para que a AHB atenda o SUS e sempre houve esse papel. Por isso, não consigo entender o posicionamento do superintendente. Os hospitais da instituição são referência para Bauru e região, razão que leva o Estado a repassar constantemente recursos a eles", argumenta.

Marques comenta ainda que o projeto do PS, que tem ligação com o Hospital de Base, já indica o relacionamento entre o sistema de saúde prestado pelo Município e o oferecido pelo Estado. "O sistema funcionou até o momento desta forma. Se há problemas, precisamos conversar porque, caso contrário, seria um caos para a Saúde continuar a se dizer que o hospital não tem nada a ver com o sistema", pondera o diretor da DIR - X.

Flávio Badin Marques afirmou que reuniões para solucionar a questão de responsabilidade de atendimento já estão realizadas. De acordo com o diretor regional de Saúde, a DIR - X apenas aguarda um levantamento completo do atendimentos prestados pelas unidades de saúde do Município e da AHB para ampliar a discussão sobre o sistema de saúde de Bauru.

"Iremos avaliar o quadro para levantar, estaticamente e historicamente, como se dá a utilização dos serviços prestados pelo PS e pela AHB. Depois, poderemos nos reunir com as outras cidades da região que se utilizam desses atendimentos para chegar a um consenso", adianta Marques.

"Município e AHB devem dar acesso ao SUS", diz secretária

A secretária municipal da Saúde, Eliane Fetter Telles Nunes, rebateu ontem as declarações de Cid Santaella, superintendente interventor do Estado na Associação Hospitalar de Bauru (AHB), publicadas na edição de ontem do JC.

Na matéria, Santaella disse, entre outras coisas, que o Hospital de Base não tem a obrigatoriedade de dar retaguarda ao Pronto-Socorro Central em razão de atender uma região composta por 41 municípios, que é o raio de abrangência da Divisão Regional de Saúde (DIR - X).

"Não quero aumentar as hostilidades, mas as pessoas têm que ser mais cuidadosas ao se referir ao sistema de saúde. O superintendente foi infeliz na sua colocação. Tanto o Município quanto a AHB têm a função de dar acesso e resolutibilidade ao Sistema Único de Saúde sim", afirma Eliane.

A secretária também lembrou que o PS Central recebe, além de moradores de Bauru, pacientes de outras cidades da região que não dispõem de serviços médicos mais especializados. "O primeiro atendimento

é sempre dado pelo PS, que realiza a triagem e, caso necessário, encaminha ao Hospital de Base, que é uma referência regional, recebe verba para isso e deve dar a retaguarda necessária, inclusive para Bauru."

Eliane concorda que os recursos para prestação de serviços de saúde são escassos, mas que o atendimento deve ser realizado. "O Município não recebe de outras cidades para prestar atendimento de urgência a moradores da região no PS, mas o faz, o que não podemos é exclui-los", comenta.

A secretária defende que, caso haja problemas, eles devem ser solucionados em conjunto. "As parcerias existem e podem ser ampliadas se houver um consenso. Caso contrário, fica difícil superar obstáculos. Se o PS foi construído onde está, é porque se previa um trabalho conjunto com o Hospital de Base. Se não houver essa retaguarda, o hospital vai ser usado para quê?", questiona.