07 de julho de 2026
Geral

Banespa

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

Banespianos pressionam deputados

Texto: Nélson Gonçalves

Os funcionários do Banespa decidiram continuar a greve e pressionar Assembléia para votar emenda constitucional

Os funcionários do Banespa decidiram continuar a greve iniciada na última tercá-feira em Bauru. A assembléia foi realizada ontem à tarde, em frente à agência Central do banco, no Centro da cidade. O comando de greve, coordenado pelo Sindicato dos Bancários, decidiu intensificar pressão sobre a Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo (AL). Os banespianos cobram do presidente da AL, deputado Wanderley Macris (PSDB), a colocação da PEC-4 em votação, assim como o pedido de plebiscito para saber a opinião da população sobre a venda do banco.

O movimento grevista vai concentrar as manifestações na Assembléia Legislativa (AL), para tentar a votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC-4). A emenda prevê nova negociação da dívida estdaual, com o Governo Federal, com o retorno do controle do Banespa para o Estado. O Banespa foi um dos patrimônios do Estado entregues ao Governo Federal na renegociação da dívida de São Paulo.

O diretor do Sindicato dos Bancários de Bauru e região, Marcos Silvestre, comentou que com a decisão pela continuidade da greve, representantes locais vão participar de reunião com o Comando Nacional sobre a greve no Banespa hoje, em São Paulo. Nesta reunião, os banespianos vão fazer uma avaliação da greve e decidir novas medidas para o movimento. O Sindicato de Bauru vai defender o aumento da pressão sobre a presidência da AL.

A votação da PEC-4, comentou Marcos Silvestre, depende exclusivamente do deputado Wanderley Macris (PSDB), presidente da Assembléia Legislativa, que tem a prerrogativa de decidir os temas da pauta. O deputado vem matendo as determinações do Governo do Estado, se negando a colocar o assunto para votação.

"O Wanderley Macris não coloca em votação", reclamou Silvestre. A maioria dos partidos defende a votação do assunto, segundo o deputado estadual Pedro Tobias (PDT) - ver matéria na página 5.

A proposta de emenda à Constituição Estadual surgiu da mobilização dos banespianos em todas as cidades do Estado. De 645 Câmaras Municipais, mais de 350 assinaram o pedido de emenda constitucional, o que permitiu o início da tramitação do projeto na AL, conforme determina o Regimento Interno que prevê a necessidade de 1/3 (215 Legislativos) para a iniciativa desse tipo de projeto sem a intermediação direta de um deputado estadual.

Plebiscito

Além da emenda constitucional, os banespianos querem a votação de pedido de plebiscito na Assembléia Legislativa, onde a população opinaria, em todo o Estado, se concorda ou não com a venda do Banespa. O Sindicato dos Bancários obteve 306 mil assinaturas no Estado, de 200 mil necessárias para a entrada do plebiscito na AL. "Novamente o presidente da Assembléia, do PSDB, não coloca o tema em votação. Vamos concentrar a pressão na Assembléia", disse Marcos Silvestre.

A intenção é forçar a votação da PEC-4 e do pedido de plebiscito antes de 20 de novembro, data em que está marcado o leilão de venda do Banespa. Enquanto isso, os banespianos prosseguem a greve em todo o País. O Sindicato dos Bancários divulgou, ontem, que das 577 agências no País 522 estão em greve. Em Bauru e região todas as 20 agências aderiram à greve, com cerca de 90% dos funcionários parados na avaliação dos sindicalistas.

Além de serem contrários à venda do Banespa, os sindicalistas contestam situações prevista no edital. Um dos problemas estaria no preço final. Os banespianos criticam que o Governo abriu mão do lucro deste ano no edital, estimado em R$ 1 bilhão. Com a estimativa de venda por R$ 1,8 bilhão, os grevistas reclamam que o preço final de venda ficaria em R$ 800 milhões. Para os banespianos ea luta não é só corporativa, de uma classe, mas dos bancários, da sociedade e de diferentes organismos que atuam no Estado. Os banespianos entendem que o movimento é também social e político. Em Bauru existem cerca de 300 funcionários do Banespa. A grande maioria participa da greve.