Apeoesp pesquisa Progressão Continuada
Texto: Josefa Cunha
Com o objetivo de colher informações sobre os resultados efetivos do sistema de Progressão Continuada no ensino oficial, o Sindicato dos Professores da Rede Oficial de Ensino do Estado de São Paulo (Apeoesp) organizou uma pesquisa entre os representantes de escola, que foram chamados a responder uma série de questões sobre o assunto. Os últimos questionários respondidos foram devolvidos na semana passada e, no momento, estão sendo tabulados. As conclusões deverão ser divulgadas dentro dos próximos 10 dias.
Tema bastante polêmico desde sua implantação, a proposta de reformulação do ensino ainda gera divergências, especialmente no que tange à promoção automática dos alunos, que não repetem mais de ano a não ser pelo excesso de faltas. O projeto aboliu o sistema de séries e implementou os chamados ciclos: 1.º ciclo
(período antes compreendido pela 1ª a 4.ª séries) e 2.º ciclo (de 5.ª a 8.ª). O aluno entra no 1.º ciclo e continua os estudos sem risco de repetência. Ao completá-lo, seu desempenho é avaliado e, se considerado satisfatório, passa para o 2.º; caso contrário, permanece um ano a mais no 1.º ciclo.
Na opinião maciça do professorado, esse sistema chega a beirar o absurdo. "O governo diz que o método democratiza o acesso das crianças à escola, mas, na verdade, acreditamos que ele seja o início de uma futura desigualdade social, na medida em que 'empurra' o aluno e não assegura seu aprendizado. Não defendemos um sistema de avaliação punitivo, mas assim também é demais. Não há critérios, não há
...Aliás, mal dá para comentar. É um absurdo que lá na frente vai trazer prejuízos. Outro problema
é que nem mesmo podemos discordar da situação. O professor, por sinal, vem sofrendo muita pressão", avaliou Luzia Conceição Quinezi, diretora de Formação da Apeoesp.
O questionário foi uma forma encontrada para conhecer a opinião dos educadores e, particularmente, identificar a eficiência do projeto. A Apeoesp quer saber, por exemplo, como a reestruturação física da rede interferiu no cotidiano. O número de vagas foi ampliado? O número de alunos por classe diminuiu? O funcionamento e a qualidade do ensino melhoraram?
Sobre os ciclos, os professores responderam se notaram avanços nas condições de aprendizagem e se a defasagem de idade por série foi eliminada ou reduzida satisfatoriamente. Questões relativas ao próprio profissional também foram incluídas para identificar o grau de satisfação dos professores e o respaldo técnico-pedagógico oferecido a eles.
As respostas ao questionário, ainda que enviado ao domicílio pessoal dos representantes de escola, deveriam ser elaboradas em conjunto com os professores de cada unidade para refletir os resultados exatos do projeto. Mais de 20 mil formulários foram enviados e o retorno foi positivo, segundo Quinezi.
Bauru, entretanto, ficou muito aquém das expectativas da diretora de Formação. Dos 80 questionários enviados, apenas nove retornaram. "Quero acreditar que os REs e professores não tiveram tempo e nem espaço dentro da escola para discutir o questionário. Felizmente, a amostra deficitária em Bauru não se repetiu em nível de Estado", comentou. Responderam às questões as escolas Joaquim de Michieli, Iracema de Castro Amarante, Carolina Lopes de Almeida, Antônio Augusto Neto, Stela Machado, Walter Barreto, Rodrigues de Abreu, Airton Busch e Francisco Alves Brisola.