Chapa denuncia adversário na eleição da OAB
Texto: Josefa Cunha
O clima na campanha eleitoral para a renovação da diretoria da Ordem dos Advogados do Brasil começa a esquentar em Bauru. Ontem, a chapa Oposição Unida, que tem Aimberê Torres como candidato a presidente da Subseção local e Henrique Crivelli Alvarez a conselheiro estadual, entrou com um pedido de impugnação contra a concorrente Integração, que tem o atual presidente da subseção, Gérson Moraes Filho, como candidato à reeleição. O requerimento, encaminhado à Comissão Eleitoral da entidade, também solicita a impugnação da chapa Avança OAB, que disputa na esfera estadual a presidência da seccional paulista com a candidatura de Carlos Miguel Aidar.
Os pedidos de impugnação se baseiam em uma denúncia contra a conduta dos concorrentes, que seria incompatível com as regras internas e com a moralidade eleitoral defendida pela entidade. Henrique Crivelli Alvarez acusa Gérson Moraes Filho de usar de "forma vergonhosa" a máquina administrativa da OAB em prol de sua candidatura e de seus correligionários.
A acusação fundamenta-se no encarte de folhetos publicitários das chapas Integração e Avança OAB no informativo O Arauto, publicação da Subseção Bauru encaminhada aos advogados da cidade e região. O jornalzinho foi distribuído no dia 1.º deste mês. "Além da publicidade eleitoral encartada, todas as matérias do informativo, incluindo o editorial, fizeram propaganda alusiva
às promoções da Subseção presidida pelo candidato, condicionando a retrospectiva de todos os trabalhos realizados nesses últimos três anos às eleições. O mais grave de tudo é que os encartes foram pagos com o dinheiro da OAB", disparou Alvarez.
Segundo portaria assinada pelo presidente da seccional paulista, Rubens Approbato Machado, a utilização de etiquetas contendo dados dos advogados inscritos nas subseções deve, obrigatoriamente, ser autorizada em São Paulo. "Além disso, é preciso que as correspondências a serem enviadas sejam previamente analisadas pela comissão eleitoral e que haja o recolhimento de uma taxa de R$ 0,05 por etiqueta. Nada disso foi respeitado", argumentou o requerente da impugnação.
Os candidatos da chapa Oposição Unida ainda condenam a postura do adversário, que estaria revelando-se contraditória ao discurso. A incompatibilidade estaria no fato de a OAB ter lançado uma campanha - com cartilha e tudo - para a moralização do voto, criticando as práticas de venda e barganha do voto. "A OAB pugna por justiça e moral nas eleições, enquanto vemos pessoas aqui em Bauru usando a máquina", condenou Alvarez.
Os membros da chapa Integração calculam que pelo menos R$ 800,00 foram desviados da Subseção para o custeio da propaganda do concorrente, sem falar na utilização da mão-de-obra de funcionários, que teriam encartado os folhetos. Para comprovar os gastos, Alvarez solicitou aos Correios informação de quantos exemplares foram postados.
"Para nós, independentemente de resultados, o processo eleitoral da Ordem em Bauru já está viciado. Nossa chapa está sendo claramente prejudicada, ao passo que as duas outras se beneficiam, porque o terceiro grupo que está na disputa (a chapa Conscientização) também apóia a candidatura do Aidar e, indiretamente, está colhendo frutos dessa propaganda irregular", concluiu o postulante ao Conselho.