07 de julho de 2026
Geral

Telefonica

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 4 min

Uma falha no sistema de informática deixou mudos os telefones da área central por cerca de três horas, segundo a TelefonicaCerca de 30 mil telefones da região central de Bauru foram atingidos por uma pane no sistema de computadores da Telefonica, na tarde de ontem. As linhas não faziam e nem recebiam ligações, o que acabou causando vários transtornos para os usuários.A Assessoria de Imprensa da empresa informou que as paralisação ocorreu devido a problemas técnicos no software que comanda a central. No entanto, não soube informar exatamente quantas linhas foram danificadas pelo problema.A estimativa de 30 mil linhas baseia-se na quantidade de telefones instalados nesta central telefônica, denominada Altos da Cidade. A informação foi dada pelo superintendente técnico da empresa, Jarbas Ivar do Sul. De acordo com ele, esse setor é conhecido como a "mãe" de todas as centrais, o que pode ter acarretado defeitos em linhas localizadas em outros pontos da cidade. Os técnicos da Telefonica não sabiam, até as 21 horas de ontem, qual foi o real problema no software. Segundo Sul, a demora no conserto ocorreu porque, para reestabelecer todas as linhas é preciso recarregar uma por uma, buscando informações em um back-up (cópia de segurança). "Esse sistema é o que nos permite recomeçar o funcionamento normal após o problema. Se não existisse isso, perderíamos todas as informações referentes às linhas e o problema seria muito mais grave", destacou.Embora a pane tenha atingido uma grande quantidade de pessoas de forma mais intensa ontem à tarde, os problemas com os telefones vêm incomodando os usuários há muito tempo. De acordo com o gerente de um posto de gasolina do centro da cidade, Maurício Bergamini, há cerca de 15 dias, foi instalado um telefone em uma empresa próxima à que ele trabalha. Só que os técnicos acabaram sobrepondo essa linha à do seu estabelecimento, transformando um telefone numa extensão do outro. "Quando tocava, as duas empresas atendiam. É como se lá fosse extensão daqui", reclamou.Ele disse que precisou ligar três dias seguidos para conseguir ser atendido pela Telefonica. "Só depois que eu briguei com eles é que foi consertado o problema", ressaltou.Anteontem, começaram as falhas nas linhas. O gerente estava encontrando dificuldades em fazer ligações para os clientes. "Ou ficava mudo ou caía a linha", destacou.A vendedora Daniela Priscila de Souza também não estava conseguindo entrar em contato com os clientes ontem, por volta das 15 horas, uma hora antes da pane na central telefônica. "Está muito difícil conseguir ligação. Só de vez em quando é que conseguimos completar o chamado", disse.Por volta das 17 horas, o proprietário de uma prestadora de serviços, Luís Antonio Gorzoni, veio até o Jornal da Cidade para reclamar sobre a pane. De acordo com ele, a empresa estava tomando um grande prejuízo com o problema. "Eu quero saber quem é que vai ressarcir os negócios que eu perdi na tarde de hoje. Nem para reclamar junto à Telefonica nós conseguimos linha. Tentamos pelo celular e o atendimento é eletrônico. Ninguém nos informa nada", ressaltou.Serviços básicosA pane atingiu até o maior evento da região, que está sendo realizado esta semana no Recinto Mello Moraes: a Grand Expo 2000. De acordo com a assessora de imprensa da entidade, Mara Silvia Ramos, ontem foi um verdadeiro "caos" para a organização da feira. "Não conseguimos fazer nada sem telefone. Ficou tudo parado, em pleno auge da expo", disse.A falta de linha acabou impedindo o acesso à Internet no Recinto e a exposição ficou isolada. Para se ter uma idéia do transtorno, Mara explicou que a organização não conseguiu receber a certificação de pedigree de cerca de mil animais que entrarão em julgamento hoje. Esse processo é considerado fundamental para que o animal possa entrar na pista.Também não foi possível fazer reserva nos hotéis para os juízes do julgamento, nem requisitar serviços básicos, como abastecimento de água por caminhão pipa, por exemplo. "Tivemos que ir até o DAE (Departamento de Água e Esgoto) para conseguir requisitar os caminhões", disse.O leilão que seria realizado ontem à noite também foi prejudicado, já que a empresa responsável pela organização do evento não conseguiu entrar em contato com compradores e vendedores. O Recinto Mello Moraes está localizado no Jardim Ouro Verde, região atendida pela central Independência da Telefonica. De acordo com Jarbas Ivar do Sul, isso ocorreu porque essa região é ligada à central Altos da Cidade. "Dessa forma, determinado grupo de telefones da Independência também podem ter sido atingidos pela pane", salientou.No Hospital de Base, a falha também provocou transtornos. Não era possível avisar familiares sobre altas de pacientes, óbitos e nem chamar os médicos para atender urgências. A gerente executiva do HB, Nádia Mirian Juncal, precisou usar o celular para localizar os profissionais para atender os pacientes. "Muitos médicos não ficam aqui e é preciso localizá-los por telefone no caso de uma urgência. Hoje (ontem) foi uma loucura", afirmou.Com o filho recém-operado e de alta, a ajudante de serviços gerais Sônia Custódio da Silva não pôde ir para casa. Ela não tinha como chamar um familiar para buscá-la no HB por falta de telefone. "Não posso ir de ônibus com ele e não consigo um telefone para ligar", disse.A Polícia Militar também ficou sem receber chamados e nem fazer ligações.