08 de julho de 2026
Geral

Perfuração de poços

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 7 min

Estudos sobre aqüífero do subsolo de Bauru revelam que em algumas regiões da cidade não é possível perfurar poçosExiste muita água no subsolo de Bauru, mas é preciso rever a forma de exploração para que a reserva não seja comprometida no futuro. Isso é o que revela os dados preliminares de um estudo feito pela Waterloo Brasil Ltda, empresa contratada pelo Departamento de Água e Esgoto de Bauru (DAE) para analisar o aqüífero onde a cidade está localizada e que fica entre 250 e 500 metros do solo. Os dados preliminares mostram que Bauru precisa utilizar outra fonte de água superficial (rio) e que a perfuração de poços artesianos na cidade precisa ser revista. Ou seja, existem projetos de perfuração de poços que devem ser mudados porque os estudos revelaram que, nos lugares previstos os poços podem não produzir a quantidade de água esperada ou prejudicar a produção de outros poços já em funcionamento.Um desses casos é o poço projetado para ser perfurado no Jardim Marambá, segundo revelaram ontem o presidente do DAE, Sérgio Macedo, e o gerente de projetos da Waterloo, Michael W. Kohnke. Simulações feitas pelo estudo apontam que, se esse poço for perfurado onde estava previsto, poderá reduzir a quantidade de água produzida por outro poço. O estudo também revelou que no Centro da cidade não é possível perfurar nenhum poço artesiano, pois não há quantidade de água suficiente no aqüífero nessa região. Os poços artesianos, 27 em operação, são responsáveis pelo abastecimento de 52% de Bauru. Desses poços, são retirados 53 milhões de litros de água por dia. O rio Batalha abastece os restantes 48% da cidade, fornecendo 37 milhões de litros de água por dia. "Fizemos esse estudo para saber se estamos tirando do subsolo menos, mais ou a quantidade de água que o aqüífero suporta", disse Macedo.Os estudos, segundo ele, mostraram que "estamos explorando abaixo do limite, mas em algumas regiões é preciso ter cuidado". O poço artesiano tem profundidades que variam de 300 a 500 metros, dependendo do local onde é perfurado. A vida útil de cada poço é em torno de 25 anos. Depois desse período, o aço que reveste as paredes do poço começa a corroer, o que gera problemas. Então, segundo o presidente do DAE, é preciso revestir novamente as paredes do poço.Até agora, segundo Sérgio Macedo, o critério utilizado para a perfuração de poços era a distância de 1,5 km um do outro. No entanto, esse critério era adotado sem o conhecimento exato do potencial do aqüífero. Os estudos mostraram que, em alguns casos, a distância por si só não garante um poço com boa produção de água e que esse único critério pode comprometer o aqüífero no futuro.DAE prevê mais poçosComo o crescimento da cidade e o conseqüente aumento do consumo de água, o DAE precisa recorrer a novas fontes, já que o rio Batalha está operando na sua capacidade-limite, assim como os 27 poços artesianos. Está prevista, para os próximos quatro anos, a perfuração de mais cinco poços, a alternativa mais rápida para abastecer a cidade. Os poços projetados estão espalhados pela cidade (veja quadro), mas após os estudos sobre o aqüífero Guarani alguns terão que ser revistos. No Centro da cidade, por exemplo, os estudos mostraram que o aqüífero não tem água suficiente para suportar um poço artesiano. Já na região de Val de Palmas, de acordo com o presidente do DAE, Sérgio Macedo, há água em abundância no subsolo.Na região do Núcleo Mary Dota, tem alguns pontos que, pela fisiologia do subsolo, não têm água suficiente para suportar um poço. No entanto, em outros, como nas proximidades dos Lotes Urbanizados, pode-se perfurar poço artesiano tranqüilamente, revelaram os estudos. Bauru fica sobre o maior lençol freático do mundoApesar de Bauru estar sobre o maior aqüífero do mundo, o aqüífero Guarani (antigo Botucatu/Pirambóia), os estudos também mostram que a cidade não pode aumentar muita sua dependência dos poços artesianos. Isso significa captar água de outra fonte superficial (rio) nos próximos 20 anos, já que o rio Batalha já está operando na sua capacidade-limite.O aqüífero Guarani começa no Rio Grande do Norte e vai até a Terra do Fogo, se estendendo pelo Brasil, Paraguai, Argentina e Bolívia. De acordo com o presidente do DAE, esses países estão acertando um acordo de monitoramento do aqüífero, para que a exploração não seja predatória. O estudo, que será finalizado em dezembro e vai revelar por quanto tempo Bauru poderá explorar o aqüífero poderá nas condições atuais, custou ao DAE R$ 94 mil.Sérgio Macedo ressaltou que, com a tecnologia transmitida pela Waterloo aos funcionários do DAE, que já receberam treinamento, a autarquia terá condições de monitorar constantemente o aqüífero. Ele ressaltou que a perfuração de um poço artesiano custa cerca de R$ 500 mil. Macedo não acha que o estudo tenha saído caro, considerando que havia risco de perfurar um poço e a quantidade de água produzida não ser a esperada ou houver interferência em outro poço.Bauru, de acordo com Macedo e Kohnke, é o primeiro município do Brasil a monitorar periodicamente o aqüífero. A Waterloo é uma empresa com sede na Alemanha, especializada em estudos de aqüíferos, seja para saber o potencial de fornecimento de água ou de risco de contaminação do lençol freático em casos de acidentes com produtos como combustível, por exemplo, de acordo com Kohnke.A pesquisaPara fazer os estudos que revelaram que alguns poços projetados pelo DAE terão que ser revistos e que Bauru não pode aumentar muito a sua dependência da água do subsolo, a Waterloo baseou-se nas condições do aqüífero Guarani em Bauru e região. As informações sobre o subsolo foram colhidas através dos 29 poços artesianos perfurados pelo DAE - dos quais 27 em operação - em poços artesianos de particulares e em dados do Departamento de Água e Energia Elétrica (Daee).Além de mostrar a situação atual do aqüífero, o software utilizado pela Waterloo permite fazer simulações. Ou seja, mostrar o que acontecerá com o lençol freático se perfurar mais um poço em determinado ponto da cidade, qual será sua vazão e se exercerá influência sobre outro poço artesiano.Córrego da Água Parada é opçãoConstatado que o rio Batalha está operando em sua capacidade máxima e agora sabendo que Bauru não pode aumentar sua dependência da água existente no subsolo, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) reforça a intenção de explorar outra fonte superficial (rio) para abastecer a cidade. A alternativa mais viável, segundo estudos do DAE, é captar água do Córrego da Água Parada, na altura da ponte do rio Verde, a cerca de 15 quilômetros de Bauru.No entanto, para utilizar o Córrego da Água Parada é preciso construir uma estação de tratamento perto do rio, o que demanda altos investimentos. Por isso, anteriormente Sérgio Macedo disse que essa proposta é para médio e longo prazos, para atender Bauru nos próximos 20 anos. No entanto, agora com os resultados preliminares do monitoramento do aquífero Guarani, esses estudos podem, até ser apressados. Por enquanto, o DAE está analisando a qualidade da água do córrego, para saber se realmente compensa o investimento. Empresas têm cerca de 250 poçosEstão cadastrados no DAE cerca de 250 poços de média profundidade (de 70 a 150 metros) perfurados em Bauru por empresas para abastecimento interno. No entanto, podem existir um número maior de poços, já que só há pouco tempo a perfuração precisa de autorização também do DAE (antes era só do Daee). O DAE está preocupado com a falta de informações exatas e pede às empresas e à população em geral que informe à autarquia sobre esses poços. Isso porque, apesar de estarem a uma menor profundidade (no aqüífero Bauru) esses poços podem, se virem a ser contaminados, contaminar o aqüífero Guarani. Se isso ocorrer, será contaminada a água que abastece a cidade.Lucimar Borro Paes, diretora da Divisão de Planejamento do DAE, e Nilcéia Lourenço, coordenadora do projeto de modelagem do aqüífero, explicaram que a contaminação pode ocorrer em poços desativados, mas que não foram lacrados. Nesses casos, o procedimento da autarquia é lacrar esses poços.Poços projetados* Vila Cardia * Val de Palmas* Jardim Marambá* Mutirão Primavera* Jardim das PerdizesAqüífero de Bauru* Nome - Guarani (o maior do mundo)* Profundidade - de 250 a 500 metros do solo* Quantidade de água retirada - 53 milhões de litros por dia* Capacidade-limite - ainda não conhecida