Quarenta dias após a eleição. Paulo Agustinho e Catarina Carvalho continuam inconformados por deixar a CâmaraApesar de fazer parte da eleição, a derrota não é algo deglutível a todos os candidatos. Entre os 11 atuais vereadores que deixam a Câmara Municipal, Catarina Carvalho (PFL) e Paulo Agustinho (PTB) são os únicos a assumir abertamente que não superaram o trauma de não terem sido reconduzidos ao Legislativo.A decepção com a derrota está expressa nos olhares de Catarina e Agustinho e também na conversa que travam freqüentemente com os colegas da Câmara. Sim, eles estão tristes por terem que deixar o trabalho como vereador e não fazem questão de esconder. "Antes de ser política, professora e advogada, sou ser humano e tenho sentimentos", justifica a pefelista.Até 1.º de janeiro, Catarina torce para que a dor sentida atualmente se dissipe. "Como tenho uma multiplicidade de ações, não tenho tempo para divagar sobre a dor, mas não posso deixar de comparar a derrota a um aborto. Perder foi uma interrupção agressiva, é como se tivessem tirado algo de mim", compara.Agora, além de planejar os novos projetos para 2001 - entre eles, está cuidar mais da saúde -, a vereadora trava uma luta interior para superar algumas tristezas. Uma delas foi ver o desencanto da mãe com o resultado das urnas. "Ela tinha certeza que meu trabalho iria me fazer ganhar a eleição. Decepcionada, ela pediu para não me candidatar mais", conta.Paulo Agustinho também luta para tentar entender o que considera a falibilidade da Lei Eleitoral: o coeficiente eleitoral. Com 2.014 votos, quase o dobro do que o último vereador obteve para ser eleito, o petebista viu naufragar seu sonho de recondução à Câmara Municipal em razão do partido não ter atingido pela terceira vez o índice de votação exigido."O sonho de todo candidato é obter 2 mil votos. Eu consegui atingir essa meta, a população mostrou que me queria na Câmara, mas o coeficiente eleitoral não permitiu que fosse reconduzido. Ao invés disso, a legislação deixou que 12 candidatos com menor votação do que a minha fossem eleitos. Afinal, meu voto não teve valor?", questiona.Apesar de dizer que estava preparado para tudo, Paulo Agustinho não esconde que ficou chocado com a derrota e que está difícil absorvê-la. Para a tarefa, diz contar com o apoio irrestrito da família, em especial da esposa e dos dois filhos.A família tem servido de divã para o vereador, que também já se utilizou de um cartaz afixado na Prefeitura para desabafar. Nele, Agustinho agradecia ao votos recebidos com a frase "Ganhei e não levei", uma alusão clara ao fato de ter obtido a sétima maior votação entre os mais de 300 candidatos e ter ficado fora do Legislativo. "Ainda estou muito chateado", confessa.Mesmo com esse fardo nas costas, o petebista já começou a traçar os rumos de sua vida, ou melhor, retomar. Ele reiniciou sua atividade como advogado, deixada de lado após dois mandatos de vereador, e está reformando a residência para adaptá-la para receber um escritório maior. "É complicado receber votos para voltar à Câmara e não poder voltar, mas aceito com naturalidade o fato de não tomar posse. Desejo sorte e saúde aos novos legisladores e também ao prefeito, cuja vitória foi uma resposta adequada à lavação de roupa suja", conclui o petebista.