A pecuária brasileira ganhou um grande impulso do ano passado para cá. Nesse período saltou do nono para o terceiro lugar mundial na produção de carne. De acordo com o pecuarista Nelson Pineda, especialista no assunto, isso demonstra que o País tem investido tanto quantitativa, quanto qualitativamente em seu rebanho. "Não existe um País no mundo que tenha registrado esse avanço na população de gado e no nível zootécnico como o Brasil", salientou.Pineda ministrou a palestra "Produção de Touros para Alta Eficiência Produtiva", ontem à tarde, na Expotécnica, ciclo de palestras realizado no Recinto Mello Moraes, dentro da 27.ª Exposição Regional de Animais e Produtos Derivados de Bauru - Grand Expo 2000.O País conta com cerca de 160 milhões de cabeça, sendo que a maioria é da raça Nelore.De acordo com Pineda, apenas 10% da produção nacional está abastecendo 9% do mercado mundial. "O nosso preço também ajuda. Está bastante competitivo lá fora", disse.Na opinião dele, para o Brasil ganhar mais destaque neste mercado, comandado pelo Estados Unidos e Austrália, está faltando uma forte política de marketing. "O Brasil não sabe vender seu produto, não faz propaganda lá fora", salientou o pecuarista.A imagem do País na questão bovina acaba sendo abalada no exterior devido a focos de febre aftosa que insistem em aparecer nos rebanhos. Os casos mais recentes ocorreram no Rio Grande do Sul e no Mato Grosso.Quando questionado se o caso gaúcho pode ter sido em decorrência da entrada clandestina de gado contaminado no Brasil, Pineda preferiu não entrar em detalhes. Mas, destacou que participou de um congresso recentemente em um País que faz fronteira com o Brasil e lá descobriu que estavam entrando vacinas de contrabando no País. "O gado desse País estava contaminado", afirmou.Com essa proximidade, pode ter ocorrido uma entrada clandestina de cabeças com a doença no Brasil, o que acabou espalhando o foco em um Estado que já estava declarado Zona Livre de Aftosa. Essa possibilidade foi levantada, inclusive, pelo presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco/Sindical), Paulo Gil Hölck Introini, em visita a Bauru recentemente.PalestraNa palestra que proferiu para criadores e estudantes de colégios técnicos e universidades, Pineda apresentou o resultado de pesquisas sobre o melhoramento genético de rebanhos e sobre a identificação dos melhores touros.De acordo com ele, atualmente o pecuarista tem muita informação e não sabe como trabalhá-las em seu benefício. "Na hora de adquirir um animal é como comprar um carro. Tem que olhar todos os detalhes para não fazer um mal negócio", disse.Os pontos principais a ser observados, de acordo com o palestrante, são o exame andrológico (análise do sêmen) e o desempenho do animal. O primeiro refere-se à capacidade de reprodução do touro e o segundo, o resultado de seus cruzamentos - que devem ser o mais alto possível. Para um touro ser considerado bom, ele precisa ter a capacidade de servir até 50 vacas numa estação de monta (de três a quatro meses durante o ano). "Tem gente que se satisfaz com 25 vacas, mas o touro é capaz de fazer o dobro disso", disse.Hoje é o último dia das palestras na Expotécnica. Serão apresentados os temas "Integração Agricultura x Pecuária", pelo engenheiro agrônomo do Escritório de Desenvolvimento Rural (EDR) Luís César Demarchi, e "Custo/Benefício do Controle Sanitário/Pecuário", pela médica veterinária do Sindicato Rural de Bauru Elizabete Baleiro Inácio.