06 de junho de 2026
Geral

Reitoria Unesp

Daniela Bochembuzo
| Tempo de leitura: 4 min

A transferência da sede da Reitoria da Universidade Estadual Paulista (Unesp) para o Interior deve obedecer critérios técnicos e deixar o bairrismo de lado. A opinião é das entidades organizadas que representam professores, funcionários e alunos do câmpus local da instituição, sendo também compartilhada pelo Grupo Administrativo do Câmpus (GAC). Atualmente localizada em São Paulo, a sede está sendo disputada nas últimas semanas por lideranças políticas de Bauru e Botucatu. Essa mudança, chamada de processo de Interiorização, é uma das bandeiras defendidas pelo reitor e vice-reitor eleitos, José Carlos Souza Trindade e Paulo Cezar Razuk.Sem posicionamento oficial a respeito da Interiorização, a Associação de Docentes da Universidade Estadual Paulista (Adunesp), a Associação de Servidores da Unesp de Bauru (Assuneb) e o GAC iniciam, nesta semana, a discussão sobre o processo e começam a debater a postura da comunidade do câmpus local diante da possibilidade de transferência da sede da Reitoria para Bauru.Na terça-feira, docentes, funcionários e alunos participam de assembléia geral extraordinária que aborda, entre outros temas, a questão da Interiorização. No mesmo dia, o GAC se reúne para também discutir o assunto. Entre os grupos, é ponto pacífico que a Reitoria deve sair de São Paulo, já que a Unesp é eminentemente uma universidade interiorana. Antes, porém, eles consideram necessário avaliar as vantagens e desvantagens da transferência. Já a respeito do local da sede, não há consenso.Paulo Cezar Razuk, vice-reitor eleito da Unesp, já adiantou, em discurso na Câmara Municipal, que entre as 15 unidades da instituição cinco têm maiores chances de pleitear a instalação da sede da Reitoria: Araraquara, Bauru, Botucatu, Jaboticabal e Rio Claro, em razão da localização geográfica. Dessas cinco, Bauru e Botucatu já entraram oficialmente na luta por meio de declarações de suas lideranças políticas.As comunidades das duas unidades, no entanto, não têm opinião oficial sobre a questão porque avaliam que é importante discutir o problema a fundo, deixando a passionalidade de lado. "A transferência da sede da Reitoria é um assunto que merece estudo detalhado, tanto do ponto de vista econômico quanto funcional. É preciso deixar as paixões de lado e fazer uma análise cartesiana", defende Norival Agnelli, presidente da Adunesp, do câmpus de Bauru.O Conselho das Entidades Estudantis da Unesp de Bauru (Ceeub) tem posicionamento semelhante ao de Agnelli. O órgão considera precoce, perigoso e desrespeitoso com a comunidade da Unesp realizar a transferência sem que antes seja elaborado um estudo sobre o impacto financeiro e administrativo resultante da possível mudança."Defendemos que o estudo seja realizado por um foro legítimo, como uma comissão eleita ou indicada por um órgão da Unesp e que represente os três segmentos da comunidade de maneira paritária", diz Rafael Prata, membro do Ceeub e coordenador de política interna e externa do Diretório Acadêmico Di Cavalcanti (Dadica).Para o Ceeub, o estudo pode indicar se a transferência da Reitoria, ao invés de proporcionar melhorias administrativas, pode trazer problemas para a Unesp, como dispêndios no orçamento. "Há outras questões prioritárias para a Unesp", lembra Prata.Inicialmente, a Interiorização é defendida como forma de melhorar os trâmites administrativos, uma vez que a maioria dos 15 câmpus estão bastante distantes da Reitoria, sediada em São Paulo. Outro ponto é reduzir os gastos com aluguel da sede, que atingem a marca de R$ 2,4 mi por ano, de acordo com dados de Paulo Cezar Razuk. O valor corresponde a 50% do total de recursos destinados aos investimentos anuais da instituição, o que representa 0,4% de seu orçamento.Para Edwin Avoglio, presidente do GAC, a comunidade da Unesp precisa discutir outros pontos importantes antes da Interiorização ser efetivada: a situação das famílias de mais de 300 funcionários que trabalham na Reitoria. "Há uma estrutura pessoal que não pode ser desconsiderada. Além disso, recentemente a instituição investiu na implantação de uma infra-estrutura de informática ligada diretamente à Fapesp, a qual não pode ser desmontada de uma hora para a outra. Por isso, a idéia deve ser amadurecida", sustenta.Outro ponto que merece análise aprofundada é a definição da nova atribuição da Reitoria. Sem isso, diz Avoglio, não é possível pensar na Interiorização. "Com base nesse delineamento é que será discutida a estrutura necessária para a nova sede, que pode funcionar em prédio de muitos andares ou em uma estrutura reduzida, fator que incidirá diretamente no levantamento de custos", comenta.Apesar dos debates sobre a transferência estarem aparentemente aceleradas no campo político, o processo de Interiorização poderá não ser efetivado rapidamente. A previsão mais otimista é de dois a quatro anos, mas tudo depende diretamente da vontade política do novo reitor eleito, o qual toma posse no início de 2001.