07 de julho de 2026
Geral

Cartas

Maria da Glória de Rosa
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Dirce Guedes de Azevedo foi uma divina e magnífica expressão de vida. Conheci-a, primeiro, como minha aluna na, então, faculdade de Filosofia, Ciência e Letras do Sagrado Coração, de Bauru. Embora contemporâneas - pois devíamos ter a mesma idade -, Dirce encarava a vida com uma esfusiante juventude que me contagiava e irradiava-se a todos à sua volta.Posteriormente, Dirce Guedes de Azevedo foi minha colega de magistério na EEPSG João Batista Ribeiro, de Agudos, onde desempenhou seu trabalho com dedicação e amor. Continuou fazendo amigos e criando ao derredor uma atmosfera elevada que a todos enobrecia.Os anos foram passando e perdi o contato com Dirce Guedes de Azevedo. Sabia, entretanto, que ela continuava atuante, escrevendo livros didáticos de enorme vendagem. Oriunda de uma família tradicional, de ilustres educadores, Dirce era uma árvore forte e de boa cepa, recoberta de flores. Sua potência ligava-a à terra e sua fragrância elevava-a ao espaço e, agora, sabemos, suas obras irão ligá-la à imortalidade.Perdoem-me os bauruenses, mas é mister alertá-los: Dirce Guedes de Azevedo merece algo mais concreto que estas pobres palavras que expressam o que todos sabemos em pensamento. E o saber expresso em palavras é tão-somente a sombra do saber sem palavras. Os nascidos nesta terra, sempre tão cônscios de seus valores e orgulhosos de seus filhos, deverão preocupar-se com alguma maneira de perenizar a figura dessa educadora que, por toda a vida, soube guardar a primavera dentro do coração.O que aqui nos foi dado por alguém, é necessário conservá-lo. Dirce Guedes de Azevedo deixou-nos uma bela canção de amor que acabou se transformando em torre para o Céu. E, se algum dia nos encontrarmos de novo, ela saberá que essa torre serviu-nos de degrau para enlaçar nossas mãos por toda a eternidade. (Maria da Glória de Rosa - RG. 1.946.380)