A comunidade do câmpus de Bauru da Universidade Estadual Paulista (Unesp) decidiu ontem à tarde, durante realização de Assembléia Geral Extraordinária, enviar uma moção de repúdio ao presidente da Assembléia Legislativa paulista, Wanderley Macris (PSDB), pelo encaminhamento que está sendo dado ao pedido de plebiscito sobre a privatização do Banespa.Os estudantes, professores e funcionários participantes da assembléia da Unesp entendem que Macris, ao não encaminhar a votação sobre o plebiscito, está agindo contrário aos interesses da população paulista. "De acordo com pesquisas, 76% dos paulistas são favoráveis à realização do plebiscito", argumentou o professor Geraldo Bergamo.A moção de repúdio será redigida por uma comissão formada por representantes dos estudantes, funcionários e professores e será posteriormente apreciada em Assembléia Geral no câmpus, para em seguida ser enviada a Wanderley Macris.A Assembléia Geral Extraordinária também discutiu a implantação de um ambulatório no câmpus local. A comunidade acredita que a unidade de atendimento ambulatorial é necessária, assim como a contratação de médicos, para evitar casos como a morte do estudante Flávio Polaquini, ocorrida em meados de outubro. "Se um médico tivesse prestado o primeiro atendimento no câmpus, talvez a morte de Flávio pudesse ter sido evitada", disse Norival Agnelli, presidente da Associação dos Docentes da Unesp (Adunesp).Atualmente, o câmpus local conta com uma enfermeira padrão e uma assistente social, mas a comunidade diz ser necessária a contratação de médicos e a ampliação da prestação de serviços de saúde. A unidade de Bauru tem 3.600 estudantes e cerca de 400 professores e 390 funcionários.Com base na morte de Polaquini, as entidades representativas do câmpus convidaram a vereadora Majô Jandreice (PC do B) para traçar um panorama sobre a rede de saúde pública de Bauru e falar sobre a atuação do Conselho Municipal de Saúde.Majô comentou que os problemas de saúde afetam as três esferas de gestão (municipal, estadual e federal) e que um dos principais problemas da rede é o sucateamento de equipamentos e a precariedade da infra-estrutura. Ela citou ainda a questão do orçamento municipal da Saúde, cujo maior parte (87%) é destinada à folha de pagamento."Além disso, enfrentamos uma série de problemas relacionados à conduta dos profissionais da saúde e é nesse ponto que a universidade pode nos ajudar, mas de maneira institucional", afirmou Majô. De acordo com a vereadora, a comunidade da Unesp pode trabalhar na capacitação e humanização dos profissionais que atuam diretamente no atendimento da população.Com base nesse pedido, a Assembléia Geral Extraordinária deliberou que as entidades organizadas do câmpus irão levantar as ações que podem ser realizadas em relação aos profissionais de saúde, como a realização de cursos e estratégias para a formação de conselheiros de saúde, e encaminhá-las ao Conselho Municipal de Saúde.A assembléia também irá estudar a realização de uma passeata cobrando melhorias no sistema público de saúde. A idéia é que, durante o evento, sejam coletadas assinaturas para pedir a conclusão do término das obras do Hospital Regional de Bauru.A discussão sobre o processo de interiorização da Unesp e conseqüente transferência da sede da Reitoria, inicialmente agendada para ontem, foi prorrogada para o dia 22, quando uma nova Assembléia Geral Extraordinária será realizada.