O Sindicato dos Bancários de Bauru e Região acatou o acordo fechado pela executiva da entidade e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) em relação ao reajuste salarial, mas não ficou satisfeito com os resultados. De acordo com o diretor Marcos Aurélio Silvestre a assembléia feita em Bauru com os trabalhadores chegou à conclusão de que o percentual de aumento salarial - 7,2% - foi muito baixo. "Os banqueiros teriam condições de repassar muito mais, devido à alta lucratividade que vêm obtendo. Mas, o movimento errou durante a campanha", avaliou.Para ele, vários fatores acabaram desgastando a luta dos bancários. O primeiro deles se refere à demora na definição da data para o início da greve (marcada para ocorrer a partir de 14 de novembro). Na opinião do sindicalista, a campanha deveria ter sido discutida em um período mais próximo à data-base da categoria, que foi em setembro. "Demoramos muito para marcar a greve. Os bancários querem respostas rápidas", disse.Outra questão avaliada pela assembléia é a unificação das campanhas salariais dos funcionários dos bancos privados e dos estatais. Geralmente elas são realizadas separadamente, como aconteceu neste ano. Primeiro, foi realizada a campanha do Banespa, na qual foi feita uma paralisação de dez dias, que culminou no fechamento de acordo coletivo. Já a Caixa Econômica Federal (CEF) e o Banco do Brasil (BB) têm calendários diferenciados. "Se houvesse unificação o movimento seria fortalecido. No fundo, a reivindicação é uma só: os bancários querem o reajuste salarial", salientou Silvestre.Além dos 7,2% de aumento, os bancários conseguiram negociar a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) em 80% do salário, mais R$ 450,00, o que deverá ser acertado em duas parcelas pelos patrões - uma a vencer nos próximos 20 dias e outra, em março de 2001.As indenizações adicionais em caso de demissão foram praticamente mantidas. Pelo acordo fechado com a Fenaban, a categoria garantiu um salário extra para quem tem até cinco anos de registro; uma salário e meio para quem tem entre cinco e dez anos; dois salários para os trabalhadores com registro entre 10 e 20 anos e três salários para quem tem mais de 20 anos de emprego.Quanto ao anuênio, ele ainda não foi esclarecido. A Fenaban tem a idéia de acabar com esse benefício, pago anualmente aos bancários. Após um ano de trabalho, o funcionário recebe R$ 8,50. Esse valor dobra a cada novo período de 365 dias. Para extingüí-lo, a Federação propôs o pagamento de uma indenização no valor de R$ 1,1 mil a todos os bancários. No entanto, como tem dúvidas sobre o real benefício dessa mudança, o Sindicato propôs a realização de um plebiscito junto à categoria, para saber a opinião dos trabalhadores sobre o assunto. Dentro da negociação salarial, a entidade representativa dos banqueiros aprovou a idéia e a consulta popular foi marcada para os dias 6, 7 e 8 de dezembro.Silvestre disse que o Sindicato vai fazer uma campanha para que os bancários não aceitem a indenização e optem pela continuação do anuênio. "Acreditamos que, se for extinto esse benefício, haverá uma avalanche de demissões, principalmente dos trabalhadores com mais tempo de serviço, que são os que custam mais. Será vantagem contratar novos bancários, já que eles entrarão sem o direito ao anuênio", disse o sindicalista.