Começou ontem de manhã em Bariri, na fazenda Saint Paul, a 1ª Exposição Rural do Avestruz, que prossegue até o dia 19 de novembro. A Exposição é um dos maiores eventos já realizados no País voltado para criadores da ave e contará, além da exibição dos animais, com palestras e corridas de avestruzes, com certeza, uma novidade para todos que visitarem a feira. Na praça de alimentação e nos stands do evento também podem ser provados pratos feitos com a carne do avestruz e vistos objetos artesanais confeccionados com o bico, as unhas, as penas e o couro da ave. A iniciativa de se realizar a feira partiu dos 435 criadores existentes no Brasil, tendo-se em vista o crescimento desse mercado no País (leia no boxe) e a organização ficou a cargo de Geraldo Tanganelli, criador e proprietário da fazenda Saint Paul. Segundo Priscila Brandão, que trabalha com a administração do evento, a intenção da feira é divulgar a criação de avestruzes, um mercado que chega a movimentar 400 milhões de dólares por ano. A expectativa da organização do evento é receber 3 mil pessoas por dia, mas, de acordo com Brandão, esse número já foi superado no primeiro dia.Originário da África do Sul, o avestruz chega a dois metros de altura, pesa entre 110 e 160 quilos e pode alcançar até 70 km/h. As aves se alimentam de pasto e ração e se adaptam a qualquer clima, chegando a viver até 70 anos e reproduzindo até os 40. Sua carne é vermelha e muito saborosa e possui altos índices de ferro e proteínas, apresentando baixíssimas taxas de gordura, colesterol e calorias. Um dado interessante é que o animal é 100% aproveitado. Além da sua carne, que é muito apreciada na culinária, sua gordura é utilizada na indústria de cosmético. Na área médica seus tendões e córneas já estão sendo utilizados em transplantes. Seus ovos não fecundados são utilizados na confecção de objetos de arte e seu couro é o segundo mais caro e procurado do mundo. Além disso, suas plumas são utilizadas na confecção de fantasias e suas unhas e bico na produção de bijuterias.Na 1ª Expo Rural do Avestruz os visitantes poderão conhece todo o processo que envolve a criação de avestruzes, a coleta de ovos, o incubatório, o desumidificador, o berçário, piquetes com aves solteiras e com aves já adultas em idade de reprodução. A visita será feita sempre com acompanhamento de pessoas treinadas para esclarecer todas as dúvidas e questões que digam respeito à criação e manejo dos animais.* Colaboraram Tânia Fonseca e Rose AraújoProgramaçãoDia 169h45 - Apresentação das Aves10h - 1º Páreo10h30 - Palestra- "Cadeia produtiva no Brasil com foco no couro", com Edmar Vieira Filho11:30 h - Palestra - Debate, com o Prof. Dr. José Américo Botino15h - Palestra- "Incubação- Técnica e manejo", com Carlos Roberto Figueiredo16h - Palestra- "Importância da ident. Eletr. Na inform. E ger./ controle da criação", com Margarete Schimidt Mendes Garcia17h - 2º PáreoDia 179h45 - Apresentação das Aves10h - 1º Páreo10h30 - Palestra- "Animais silvestres, uma alternativa para a pecuária", com Luís Antônio Pires - Sec. Do Meio Ambiente de Bauru11h30 - Palestra- "Técnica de criação no Nordeste", com Ariovaldo de Carvalho15h00 - Palestra- "Importância na qualidade do ar", com Cyro Barreiros Jr.16h - Palestra- "Tratamento de ar na criação de Avestruzes", com Ravindra C. Tailor - Hessei17h - 2º PáreoDia 189h45- Apresentação das Aves10h - 1º Páreo10h30 - Palestra- "Sanidade Avícola".- Min. da Agricultura11:30 h - Palestra- "Avaliação na Produção"- Min. da Agricultura15h - Palestra - "Dado de Incubátorio", com Sérgio Zerbinatti - Casp)16h - Leilão de AvestruzDia 19 9h45 - Apresentação das Aves 10h - Grande Final dos Páreos10h30 - Palestra- "O Mercado de Avestruz no Brasil", com Celso Carrer11h30 - Palestra- "Cadeia produtiva da carne", com Robson Muniz17h - Encerramento da feiraCriação cresce a cada anoO avestruz e seus derivados têm uma demanda mundial maior do que a oferta, por isso sua criação é um negócio que pode ser bastante lucrativo. Sua valorização no mercado internacional acontece porque seus produtos são de qualidade diferenciada. No Brasil, o número de aves cresceu nos últimos dois anos, passando de 5 mil em 98 para 25 mil aves em 2000, um crescimento de 400%, segundo declarou ao JC em matéria publicada no último dia 10, o representante da Central do Avestruz, Claudinei Zenetti, que participou da Grand Expo Bauru.De acordo com Zenetti, o setor alimentício é o que mais incrementa o lucro desse tipo de criação. O quilo da carne de avestruz chega a ser cotado no mercado a R$ 70,00, embora esse preço tenda a cair quando os primeiros animais começarem a ser abatidos no Brasil. O abate da ave ainda é proibido porque segundo a legislação é necessário um plantel de 150 mil animais para que isso possa acontecer. A lida com o animal é considerada muito mais prática se comparada com o boi, pois o avestruz é um animal bem rústico, que não exige grandes cuidados, como acompanhamento de veterinário e aplicação de medicamentos. Basta ração e espaço para o seu desenvolvimento, explicou Zenetti.