07 de julho de 2026
Geral

Estupros

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

De janeiro a outubro deste ano foram registrados 34 estupros pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Bauru, contra 22 no mesmo período do ano passado, ou seja, um aumento de 55%. O número de boletins de ocorrência também cresceu, saltando de 940 em 1999 para 1.467 neste ano, revela as estatísticas da DDM, o que leva a entender que a violência contra a mulher cresceu neste ano. Se por um lado aumentou a quantia de estupro e de boletins de ocorrência, caiu o de atentado violento ao pudor e de termos circunstanciados (nome dado para o registro de ocorrência cuja pena é de até um ano). De janeiro a outubro do ano passado foram registrados 54 casos de atentado violento ao pudor. Já neste ano, foram 48.Em 1999, de janeiro a outubro, a DDM registrou 1.992 termos circunstanciados, contra 1.940 no mesmo período deste ano. Também se manteve o número de mulheres assassinadas - uma. Já o de tentativa de assassinato caiu de oito, em 1999, para cinco neste ano. Como houve alteração na quantia de vários tipos de ocorrências, umas para mais, outras para menos, é difícil analisar se aumentou ou reduziu a violência contra a mulher na cidade. O que o delegado-interino da DDM, Dinair José da Silva afirma é que ocorreu aumento da violência sexual contra a mulher, dado revelado pelo número de estupros.Ele ressaltou que na maioria dos casos de estupros o autor é amigo, parente ou conhecido da vítima. Quando o estupro ocorre em casa, como em casos de meninas serem estupradas pelos padrastos, o mais comum, em muitos caso a mãe da vítima não delata o ocorrido. O fato só chega ao conhecimento da polícia através de vizinhos, parentes ou até mesmo da escola, que percebe o comportamento diferente da menina.O estupro, conforme ressaltou Silva, é um crime que foro íntimo e que, salvo algumas exceções, depende de representação (a vítima precisa pedir a abertura de inquérito) e por isso é importante que a vítima denuncie, para que a polícia possa investigar. Já se a vítima for menor de 14 anos, sofrer deficiência mental ou tratar-se de crime de pátrio poder, pode-se instaurar uma ação penal pública. Analisando os casos registrados na DDM, o delegado-interino disse que quando o estupro é cometido por uma pessoa desconhecida da vítima, geralmente, também é acompanhado de agressão. São casos de que a vítima, além da violência sexual, é agredida a socos, pontapés. Nesses casos, explicou Silva, normalmente a vítima é abordada na rua à noite, quando está caminhando sozinha e em lugares escuros. Descartando que esteja ocorrendo uma explosão da violência contra a mulher na cidade, Dinair José da Silva tem uma explicação para o crescimento no número de boletins de ocorrência registrados neste ano - 1.467 de janeiro a outubro contra 940 no mesmo período do ano passado. Ele explicou que a DDM, por estar ganhando cada dia mais a confiança das mulheres, é procurada para ocorrências de cunho social, além de fatos criminais.É muito comum, de acordo com o delegado, mulheres procurarem a DDM para registrar a intenção de separar-se do marido, achando que se saírem de casa sem comunicar a polícia podem perder a guarda dos filhos e a parte nos bens que lhe cabe, entre outros casos. Em casos de cunho social, a delegacia encaminha as mulheres para o Centro Integrado de Atenção à Mulher (Ciam), que oferece atendimento social, psicológico e jurídico às mulheres.Desaparecimentos Outro número da estatística da DDM que chama a atenção é o de pessoas desaparecidas. De janeiro a outubro do ano passado foram registrados 17 casos de desaparecimento, número que subiu para 43 no mesmo período deste ano. No entanto, Dinair José da Silva afirma que não se trata de um fato alarmante, já que a maioria esmagadora das crianças e adultos tidos como desaparecidos aparecem logo após o registro do boletim de ocorrência.