Em Bauru, quem tiver necessidade imediata de dados da história do Município, como poderá vir a consegui-los efetivamente? Seria recorrendo às coleções dos jornais da época, que os noticiaram em cima dos acontecimentos, ou às edições dos atuais, que periodicamente os evocam? Também poderiam sê-lo consultando as estantes das bibliotecas de estabelecimentos particulares de ensino, nem sempre de fácil acesso público? Ou, ainda, tentando consulta ao Centro Cultural ou à Telefônica, junto a pesquisadores avulsos, sujeitando-se a não localizá-los na hora ou a não terem eles os dados à mão no momento preciso?Estas, as perguntas que poderiam fazer todos quantos se despertassem para o fato de que todo o armazém de informações, montado pelo município nestes seus mais de 100 anos de história, não conta com uma política oficial de preservação técnica e estrutural que promova, institucionalmente, a garimpagem de dados ou acolha as iniciativas isoladas e lhes dê a sistematização ideal, de sorte que a centralização dos elementos viabilize sua fácil localização pelos consulentes em um órgão de natureza pública. Realmente, com mais de um centenário nos costados, generosamente largos e acolhedores, sob os quais se abriga ampla faixa de ádvenas, que ignoram as origens e a caminhada da cidade nos seus principais aspectos, a "Sem Limites" já deveria ter criado mecanismos oficiais para garantia de que seu passado, aqui englobando suas lutas, suas vitórias, seus revezes, seus pró-homens etc., jamais poderá vir a ser esquecido e, principalmente, terá de ser visto pelas novas gerações com toda velocidade, a um toque de computador, se possível, como na verdade impõe a era da informática.Merece, por isso, entusiásticos aplausos, a iniciativa que o Museu Ferroviário Regional colocou em prática, há tempos, tendo em vista despertar a consciência da comunidade para o dever de concorrer para a edificação da história bauruense e, simultaneamente, concorrer para que ela venha a ter um lugar privilegiado por todos os títulos, através do qual possa chegar diretamente às mãos dos interessados em geral. Vale, também, o devido realce, a iniciativa do Instituto Histórico "Antônio Eufrásio de Toledo", divulgada na outra semana, criando consultas pelos modernos sistemas telefônicos (usem 234-2508), através do qual o bauruense de todas as idades poderá solicitar informações a respeito de fatos dos velhos tempos, assim como datas e outros subsídios importantes. Trata-se de uma nova fonte imediata de informações para dirimir dúvidas sobre nossa história e auxiliar quanto à preparação de temas e de trabalhos de pesquisas escolares, sociais e econômicas. Umas e outras iniciativas são inegavelmente válidas, para que não se continue por aí perguntando onde é a residência da história do município. É a nossa opinião!(*) O autor, N. Serra, é jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado