07 de julho de 2026
Geral

Cartas

André Luiz Pereira
| Tempo de leitura: 2 min

Na história recente do nosso País, encontramos inúmeros exemplos da tutela malograda do Estado sobre o direito de escolha dos cidadãos através da censura aos meios de comunicação. Desde o Estado Novo até os dias atuais encontramos órgãos governamentais preocupados em filtrar o que podemos ou não ter acesso, de acordo com interesses dos mandatários vigentes ou ainda pior de acordo com o humor de um burocrata. Não precisamos nos alongar falando do papel da censura durante o período dos anos de chumbo, onde tal prática não era exceção e sim regra violentadora da imprensa, dos intelectuais e dos artistas que eram calados em nome da ordem social.Entretanto, após a redemocratização do País, achávamos que finalmente a liberdade de expressão e escolha estariam resguardados contra o achaque dos sábios censores que, por nós, querem determinar o que é bom ou ruim. Nos últimos meses as discussões sobre códigos de ética e qualidade na televisão despontam a cada nova matéria mais rude, a cada cena de novela mais sensual e a cada sabonete que escorrega da banheira, implicando em críticas fervorosas dos puritanos plantonistas do exagero.Ora, não podemos tolerar que o inalienável direito de escolha de todo cidadão seja desrespeitado em função do gosto estético ou do padrão moral de a ou b. Se eu considero um determinado programa violento ou apelativo e eu tenho direito de optar por outro, se considero determinado veículo de comunicação parcial somente eu poderei buscar outra fonte de informação, se eu considero que existam exageros de manipulação é meu direito desligar, mudar de estação, deixar de assinar ou reclamar sobre o que considero extemporâneo.Temos que exercitar nossos direitos, trata-se de saber discernir o que nos agrada ou não, formando nossa própria opinião baseada nas nossas crenças, valores e ética pessoal, repudiando todo e qualquer tipo de tutela, pois não somos autômatos indefesos, imbecilizados que não podem realizar sua próprias escolhas e necessitam de programação externa. (André Luiz Pereira - alpop@uol.com.br - RG 21.172.732)