Direcionar a política administrativa da Subseção-Bauru da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para o profissional de advocacia. Esse é o compromisso assumido pelo recém-eleito presidente Édson Roberto Reis, que ficará no comando da entidade no triênio 2001/2003. "Nossas ações serão prioritárias em assegurar melhores condições de trabalho e respeito à classe no dia-a-dia", frisou.Reis não poupa críticas ao tratamento dispensado aos advogados "militantes" (conforme ele mesmo denomina os profissionais efetivamente ativos). "Há uma grita da classe por uma atenção maior. Muitos advogados são maltratados, seja por atendimentos de cartorários que deixam a desejar seja por juízes que se recusam a recebê-los. Nós somos o tripé do Judiciário e não podemos ser discriminados de forma alguma. Infelizmente, estamos sentindo uma diferenciação", reclamou. Entre alguns outros problemas enfrentados estaria a falta de vagas no estacionamento do Fórum para advogados e aperto na agenda de audiências. "Eles marcam uma audiência a cada intervalo de cinco minutos, sendo que cada uma demora meia hora em média. Os advogados ficam horas no Fórum aguardando a vez, enquanto poderiam estar se dedicando a outros trabalhos. Isso tem que mudar."Tão logo assuma a presidência da Subseção, Reis pretende formar comissões permanentes para acompanharem o cotidiano dos profissionais no Fórum, Vara do Trabalho e Vara Federal. Elas terão a responsabilidade de acompanhar os atendimentos, respaldar os colegas e, sobretudo, intervir quando eventualmente detectar tratamentos inadequados. O "abandono" da classe não seria problema recente, mas teria se acentuado nos últimos três anos, ou seja, durante a administração de Gérson Moraes Filho, segundo colocado - apenas 16 votos atrás - na eleição realizada anteontem. "Ele esteve muito preocupado com o social e deixou os advogados sem o respaldo da entidade. Obviamente que nós não deixaremos de lado o cunho social da OAB em relação à comunidade, mas essas ações serão secundárias", disse, lembrando que a implementação da Escola Superior de Advocacia e parcerias com instituições serão metas para proporcionar a reciclagem e atualização dos advogados. A preocupação com a classe, por sinal, foi a mola propulsora da candidatura de Reis, que jura ter estado à frente na preferência dos colegas durante a campanha. "Em nem um momento fui azarão ou corri por fora como chegaram a dizer. estávamos na frente desde o princípio", garantiu.Para Reis, sua vitória foi respaldada pela parcela dos advogados militantes, "geralmente os mais novos que enfrentam os problemas do cotidiano da profissão". "Tínhamos três grupos fortes. A chapa da oposição veio com cinco ex-presidentes e fez uma boca-de-urna elogiável; a da situação tinha a máquina nas mãos e se utilizou dela. Nós, pelo contrário, não tínhamos nada além da confiança dos colegas, que clamam por melhores condições de trabalho e respeito", analisou.CurrículoÉdson Roberto Reis, 40 anos, é advogado há 18 e leciona desde 1986 a matéria de Processo Penal na Instituição Toledo de Ensino. Embora nunca tenha se candidatado ou assumido cargos de diretoria, vem participando ativamente das ações da OAB nos últimos 15 anos. Além de banca permanente dos exames da Ordem, é coordenador da Escola Superior de Advocacia na atual gestão, bem como ativista no projeto OAB vai à Escola e membro da Comissão de Prerrogativas do Advogado.