Agentes de saneamento do Departamento de Saúde Coletiva, DSC, órgão da Secretaria Municipal de Saúde, começaram nesta quinta-feira, dia 16, a orientar os comerciantes do setor (supermercados, açougues, casas de frios, feiras livres, etc.) sobre o programa de fiscalização do varejo de produtos de origem animal - como carne e leite - que está sendo desenvolvido em conjunto com órgãos estaduais, como o Centro de Vigilância Sanitária (Secretaria de Saúde) e a Coordenadoria de Defesa Agropecuária (Secretaria de Agricultura e Abastecimento).A operação, que vem sendo planejada nos últimos meses pelos técnicos, visa reprimir a prática do abate clandestino, "em fundos de quintal, beiras de rios ou até mesmo galpões rurais, portanto sem as mínimas condições higiênico-sanitárias", como salienta a diretora do DSC, Maria Helena Abreu. Mesmo sob fiscalização da Defesa Agropecuária, a irregularidade tem proliferado por todo o Estado.A médica explica que a localização dos matadouros é sempre difícil, já que o transporte e a venda clandestina dos produtos de origem animal são realizadas rapidamente, em questão de horas. Embora não haja um levantamento preciso, estima-se que atualmente, cerca de 40% da comercialização de carne no Estado vêm de abates clandestinos.OrientaçãoJunto aos comerciantes, os agentes do DSC estão apresentando resumos das legislações relativas ao programa de fiscalização. Além disso, é distribuída, a cada empresa, uma cartilha de orientação sobre higiene e manuseio de alimentos. O impresso aborda, em textos didáticos, a importância da carne inspecionada, a higiene pessoal, os cuidados de limpeza nos estabelecimentos e os perigos da compra da carne clandestina. Esta primeira fase do programa terá duração de aproximadamente 15 dias, informa Maria Helena Abreu.Além de Bauru, a operação está sendo colocada em prática simultaneamente em 72 municípios do Estado, incluindo São Paulo, Grande São Paulo, Campinas, Ribeirão Preto, São José dos Campos, Tatuí, Presidente Prudente, Santos, Franca, Marília, Araraquara, Barretos e Araçatuba, entre outras. Em termos de população e do conjunto de estabelecimentos que comercializam carne no Estado, isso representa cerca de 45%.Paralelamente à ação dos agentes de saneamento, médicos veterinários da Coordenadoria de Defesa Agropecuária vão inspecionar produtos e subprodutos do abate. Desse modo, explica a diretora do DSC, fecha-se o cerco contra possíveis irregularidades no circuito de comercialização de carne e leite. "Ao fiscalizar um açougue, por exemplo, a Vigilância Sanitária estará verificando o cumprimento de práticas operacionais e de higiene recomendadas e ao mesmo tempo, vai analisar a legalidade ou não da documentação dos fornecedores de carne para o estabelecimento".Em caso de qualquer irregularidade, como falsificação de documentos e falta de nota fiscal, por exemplo, a Coordenadoria de Defesa Agropecuária será informada pelos agentes do DSC. Maria Helena Abreu assinala que dessa forma, "pelo caminho inverso, com informações do ponto de venda para se chegar ao fornecedor", inibe-se a distribuição de carne clandestina, e conseqüentemente a sua produção.