Bauru tem um índice de criminalidade semelhante a alguns estados americanos e não figura como uma cidade violenta no Estado de São Paulo, tem um índice normal para um município de médio porte. Mesmo assim, a segurança privada cresce cerca de 30% demonstrando que as indústria, o comércio e a população se preocupa com a questão segurança e se "arma" para evitar problemas. A Polícia Civil e Militar somam cerca de 800 homens enquanto que os vigilantes atinge 50% deste percentual. As empresas de segurança privada legalizadas garantem que o trabalho do vigilante é diferente da função do policial. Embora, ambos estejam armados, somente o policial poderá portar a arma em locais públicos. A ação do vigilante limita-se ao ambiente de trabalho. Mas é nos grandes eventos que a situação preocupa. Os organizadores contratam empresas que oferecem preços mais acessíveis e não se preocupam com a qualidade dos serviços, diz um policial que preferiu ficar no anonimato. Segundo ele, não raras vezes, esses vigilantes agridem as pessoas na hora de apartar uma briga e não têm controle emocional para portarem uma arma. A expansão do setor de segurança privada começou a expandir há 10 anos e de lá para cá, o crescimento anual beira os 20%. Equipamentos eletrônicos fazem parte do kit-segurança oferecido por várias empresas a fim de fazer com que a população se sinta mais segura. A insegurança proclamada pela mídia nacional atinge o bauruense que se previne adotando a segurança privada, na opinião do delegado seccional Antônio Ângelo Ciocca. Na opinião dele, o bauruense não tem motivos para ficar tão amedrontado. "É excesso de cautela."O delegado garante que a cidade é bem policiada e todas as polícias são atuante. "Não temos um índice alarmante de criminalidade. A situação está sob controle." Não merecem créditoAs empresas de segurança "pirata" não merece crédito, na opinião do comandante do 4º BPM/I de Bauru, coronel Eliseu Eclair Teixeira Borges. "As empresas legalizadas só aceitam funcionários com certificado do curso de formação autorizado pela Polícia Federal. Já, as "piratas" contratam qualquer pessoa."Pessoas não habilitadas com armamento pode representam um perigo, não só para terceiros. "O próprio contratante corre risco. Eu me preocupo com o preparo psicológico desse homem. Será que ele está preparado para agir em uma situação real."Na opinião do coronel, Bauru não tem índice alarmante de criminalidade. "Estamos com um índice de criminalidade semelhante ao constatado em Paris e em alguns Estados americanos. Bauru registrou 30 homicídios no ano passado. Uma média de 9 para cada 100 mil habitantes. Este ano, de janeiro a 30 de outubro, foram registrados 20 homicídios, uma média que não atinge os 7 casos por 100 mil habitantes."Segundo Borges, em Paris, a média de homicídios por ano é de três para cada 100 habitantes. "A média americana é de 8 homicídio para cada 100 mil habitantes." O coronel acha que os crimes cometidos na cidade, com raras exceções são de pequeno porte. Ele considera positiva a presença de uma vigilante para defender o patrimônio particular. "Eu acredito que o infrator age conforme a oportunidade. Em locais que há vigilantes, ele vai pensar melhor antes de agir." ControleAs empresas de segurança privada, assim como os homens que são contratados para exercer o serviço de vigilância são cadastrados no Sistema Nacional de Segurança Privada, garante o presidente da Comissão de Vistoria de Segurança Privada, da Polícia Federal de Bauru, Rubens Maurício da Silva. De acordo com ele, os vigilantes contratados pelas empresas autorizadas têm que ter o curso de formação."A cada dois anos eles têm que fazer uma reciclagem." Ele admite que exista empresas não autorizadas a executar este serviço. "As denúncias podem ser encaminhadas para nós que vamos apurar. O nosso telefone é: 223 5342. O presidente da comissão lembra que as empresas não autorizadas pelo Ministério da Justiça não podem executar os serviços de segurança privada. "Ao constatarmos a infração notificamos a empresa a encerrar aquela atividade. Se ela insistir, instauramos um inquérito policial por desobedência."Exigências Em Bauru existe cerca de 400 vigilantes habilitados, segundo dados do Sindicato dos Vigilantes de Bauru e região. Deste total, aproximadamente 15 são do sexo feminino. O presidente do sindicato, José Antônio de Souza acredita que a violência é a mola propulsora do crescimento do setor. Souza acha que o grande problema da profissão é que as empresas contratantes não exigem qualidade de serviço e contratam serviços muito mais pelo preço. "Elas correm o risco de contratar pessoal não habilitado. As empresas legais cumprem as normas exigidas pela Lei Federal de nº 7102 ."Ele acha que deixar uma arma na mão de pessoal clandestino é um perigo para a sociedade. "O clandestino não está preparado para usar uma arma. Mesmo assim, algumas empresas fornece o armamento sem saber se aquele homem tem preparo emocional e físico para usá-la."Vigilante auxilia polícia, diz formadorNa opinião do diretor proprietário do Centro de Formação e Reciclagem Marajox João Francisco Xavier, o vigilante é um auxiliar da polícia. "O vigilante que trabalha armado é obrigado a fazer um curso profissionalizante de 120 horas/aula. Ele recebe instruções teóricas e práticas sobre armamento, além de outras matérias. Ele tem a função de ajudar a polícia."Os cursos de formação e reciclagem, segundo Xavier, são inspecionados pela Polícia Federal. "São eles que avaliam os cursos, os instrutores e as escolas. É a PF que estabelece o currículo."Os vigilantes, na avaliação de Xavier estão preparados. "Em todos os setores há bons e maus profissionais. Dentro das corporações também, há bons e maus policiais. Não podemos generalizar a situação e dizer que o vigilante não está preparado."A polícia não tem condições de prover a segurança que a população necessita, a segurança privada ocupa esses espaços, esta é a opinião do proprietário da Staff, escola de formação e reciclagem, coronel da reserva, Laerte Soares de Souza.Segundo ele, o problema de segurança não é brasileiro. "Nos paises mais avançados, a segurança privada cresce e se desenvolve porque temos que entender a segurança privada como um apoio as polícias e não como concorrente. A principal diferença é que o vigilante age em ambientes delimitados." O coronel da reserva enfatiza que a preparação do vigilante é fiscalizada pela Polícia Federal. "Todo o curso é fiscalizado pela Polícia Federal. O curso todo tem 120 horas/aula e cerca de 27% desse total é dedicado as aulas sobre armamento." Ele acha que o vigilante está preparado para agir na sua função. "Acho que ele está preparado para exercer a função dele que é diferente da função do policial. Para ser um vigilante ele passa por uma avaliação psicológica. Ele tem que ter equilíbrio emocional para enfrentar as situações e apoiar a polícia." Se fizermos uma análise fria da situação, segundo o coronel da reserva, vamos constatar que nem o policial está preparado para enfrentar a violência. "Analisando friamente, ninguém está preparado. Os marginais quando vão perpetuar uma ação, escolhem o momento, a hora, a conveniência e normalmente estão portando um armamemto com um potencial de fogo muito grande, não raras vezes melhor do que o da polícia."A sociedade precisa entender que segurança privada não se compara com a da polícia, a formação, a função é totalmente diferente."O policial é treinado para agir enquanto que o vigilante é treinado para dar assistência ao público e auxiliar a polícia."Clandestinos atrapalham mercadoO delegado regional do Sindicato das Empresa de Segurança Privada, Segurança Eletrônica e Cursos de Formação do Estado de São Paulo(Sesvesp), Cláudio Buzalaf acredita que a clandestinidade é que pode provocar problemas na segurança privada. "O vigilante que recebe treinamento por uma empresa autorizada pela Polícia Federal, está habilitado a trabalhar com arma e sem arma. Porém, os clandestinos, aqueles que não tem treinamento oferecem insegurança e não segurança."Na opinião dele, as empresas contratantes dos serviços estão defendendo seu próprio patrimônio. "O Estado não pode dar suporte para todas as empresas, por isso o mercado de segurança privada cresce e está em expansão." O setor de vigilância eletrônica, segundo ele cresce de 20 a 30% ao ano. "Atualmente, as empresas mesclam a segurança pessoal e a eletrônica em defesa do patrimônio, devido a crescente violência. O circuito de TV é um equipamento que auxilia o vigilante."CurrículoPara ser um vigilante o candidato cumpre 120 horas/aulas, divídas nas seguintes matérias. Armamento munição e tiro, teoria e prática; defesa pessoal; técnica operracional; segurança física de instalações; prevenção e combate a incêndio; primeiro socorros; direito penal; relações humanas no trabalho, conhecimento gerais e atendimento ao público e portaria.