07 de julho de 2026
Geral

Cartas

Ciderlei Honório dos Santos
| Tempo de leitura: 3 min

Para discutirmos o tema acima, é imprescindível que se faça uma análise histórica e sociológica, retomando dessa forma alguns fatos.Como já é do conhecimento de todos, os negros foram alvo da escravidão por muitos anos, vivendo em condições subumanas, sendo carregados como animais nos navios negreiros, sendo obrigados a trabalhar no serviço braçal sem nenhum ganho e com péssima alimentação. Há quem diga que os negros aceitaram passivamente a escravidão, sem questionar, sem lutar, o que não é uma verdade.Vimos que muitos negros fugiam ou suicidavam-se para se verem livres da escravidão. Alguns negros que conseguiam fugir formaram os quilombos, tendo como destaque, Zumbi dos Palmares, que também é um dos motivos para se pensar no Dia Nacional da Consciência Negra.Ao observarmos os quilombos percebemos que este é um bom exemplo de rejeição à escravidão.A sociedade e o clero da época, para justificarem a escravidão, afirmavam que o negro não tinha alma, era uma sub-raça que fora predestinada à escravidão, logo não haveria problema algum em escravizá-los, mas vimos que isto é uma falsa ideologia e um conceito deturpado.Já há algum tempo, biólogos comprovaram (desnecessariamente) sem sombra de dúvida que física e mentalmente, não há uma etnia superior a outra. Para que a sociedade crescesse, desenvolvesse e chegasse na forma que a vemos hoje foi preciso da colaboração recíproca de todas as etnias - inclusive da negra - então concluímos que a superioridade étnica branca só existe no espírito e no intelecto dos homens.Hoje já na reta final do século XX, ainda é latente aos nossos olhos as seqüelas deixadas pela escravidão, tendo esta o nome de preconceito racial, onde o branco (claro que com suas exceções) se considera superior ao negro, sendo dessa forma resguardado ao branco - isso na prática - os melhores lugares para se morar, para trabalhar, para se divertir etc., e para o negro restou o subúrbio e viver à margem da sociedade.Vivemos em um país democrático de direito, onde a nossa Lei Maior - a Constituição Federal - garante a todos os cidadãos (e negro é um cidadão) direito a uma vida digna, direito à liberdade, à igualdade, sem nenhuma distinção de qualquer natureza; mas liberdade sem igualdade é utopia e falsa liberdade, pois se não há igualdade o indivíduo fica preso às barreiras e ao preconceito, o que inviabiliza a sua realização mínima como cidadão e conseqüentemente o torna escravo de todo um sistema e logo não podemos falar em liberdade e igualdade real.Pensando em tudo isso surgem inúmeras organizações e entidades que tratam a questão do negro, e temos então no dia 20 de novembro o Dia Nacional da Consciência Negra, para que todos e em especial o negro, saiba que ser negro é ser também um cidadão com capacidade igual a de todos, com os mesmos direitos e deveres; direito a uma boa alimentação, a um bom emprego, a uma boa casa, a uma boa educação - inclusive o acesso à Universidade -, direito à saúde, à cultura, à liberdade de ir e vir, entrar em qualquer lugar sem ser barrado, enfim todos os direitos cabíveis a um ser humano.Frente a isto, faz-se necessário clamarmos em alto e bom som, pela liberdade e igualdade real, direitos petrificados em nossa Constituição Federal e extensivos a todos os cidadãos residentes em nosso país, e termos de fato uma igualdade e dessa forma uma vida digna para todos, tendo assim negros de destaque não apenas na música e no futebol, mas em todos os setores da sociedade. E com certeza teremos um Brasil melhor para se viver, e uma pátria a ser idolatrada. (Ciderlei Honório dos Santos - RG: 32.541.678-3)