Marco da história bauruense, a antiga estação férrea tem agora sua preservação assegurada por decreto municipalO prédio da estação da extinta Ferrovia Paulista S/A (Fepasa), atualmente de propriedade da Rede Ferroviária Federal, foi tombado oficialmente para fins de preservação. A providência, prevista em decreto municipal, foi publicada no Diário Oficial do Município do último sábado. O texto legal toma por base o valor histórico do imóvel, conforme estudos de avaliação realizados pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural (Codepac), que aprovou o processo de tombado em uma de suas recentes reuniões ordinárias. Está previsto que caberá à administração municipal manter preservados e conservados os bens associados a fatos históricos da cidade.A área de preservação inclui as fachadas externas do bloco principal da estação paralelo à linha férrea. Todo o conjunto e sua volumetria tem preservação garantida, bem como o calçamento externo da plataforma de embarque, construídos em placas de concreto. O decreto impõe ao conjunto arquitetônico as restrições relacionadas à preservação. Ficam proibidas, portanto, quaisquer formas de destruição, demolição ou mutilação do imóvel. Obras visando a reparação, pintura ou a restauração do prédio poderão ser executadas, mas não antes de obter prévia autorização do Codepac. Eventuais infrações a esse disposto serão punidas com multa equivalente a 50% do valor apurado do dano. Da mesma forma, não poderá ser feita sem prévia autorização expressa do Conselho nenhuma construção ou ampliação na vizinhança da estrutura tombada. Está proibida, ainda, a colocação de anúncios ou cartazes que impeçam ou reduzam a visibilidade do patrimônio histórico, principalmente na faixa situada entre os prolongamentos das ruas 13 de Maio (viaduto João Simonetti) e Rio Branco. Obras e objetos irregulares ou desacordo com o decreto de tombamento serão sumariamente demolidas ou retirados. Em ambos os casos, será aplicada multa de 50% do valor do prédio tombado.Na tarde de ontem, o Jornal da Cidade tentou ouvir o superintendente do escritório regional da Ferroban, Paulo Britis, para saber sua opinião a respeito do tombamento. Um atendente informou que ele estava em viagem no Mato Grosso. O JC ainda tentou, sem sucesso, contato telefônico com a Rede Ferroviária Federal S/A, proprietária do prédio, no Rio de Janeiro. O presidente do Sindicato dos Ferroviários de Bauru, Roque Ferreira, considerou importante a atitude do tombamento, mas entende que a administração municipal deveria elaborar um projeto sério e eficiente de ocupação do prédio. Acho que deveriam ser desenvolvidos esforços no sentido de garantir o uso da estação e o acesso da população ao patrimônio, disse, acrescentando a sugestão de abertura de um debate na cidade para que sejam levantadas propostas nesse sentido. Embora tombado, o prédio da estação está penhorado e pode ser vendido a qualquer momento para o pagamento de dívidas.