07 de julho de 2026
Geral

Artigo

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

Aparentemente, a novela da privatização do Banespa chegou ao fim: o Banco Santander levou por R$ 7,050 bilhões. Coloco aparentemente porque já há anúncio de novas liminares tentando invalidar o leilão (interesse social seria o grande argumento). Particularmente, penso ser difícil voltar atrás neste momento.O Santander pagou US$ 3,710 bilhões, representando um ágio de 281%. Vejam que em dólar a dimensão da venda é outra. Isso quer dizer que a relação real x dólar joga favoravelmente às empresas estrangeiras (empresas brasileiras se tornam baratas em dólar).Mas de qualquer maneira a diferença entre o Santander e os demais interessados foi enorme. O Itaú desistiu, o Safra já havia desistido na sexta-feira passada. O Bradesco ofereceu um lance para não levar (R$ 1,860) e o Unibanco foi conservador (R$ 2,100). Nesta ótica, o Santander teria levado por R$ 2,101. Mas preferiu não arriscar. Jogou o lance lá em cima. Mas a grande pergunta, neste momento, é: e agora? Bem vamos considerar alguns pontos. O Santander veio ao Brasil com o firme propósito de ser um dos maiores bancos do país. Com essa aquisição torna-se o terceiro banco privado, perdendo somente para o Bradesco e Itaú.Irá certamente buscar um rápido retorno do capital investido. Apesar de não possuir muitas agências (isso favorece a manutenção de empregos) na certa irá enxugar o quadro e até substituí-lo, uma vez que a média salarial do Banespa é uma das maiores do mercado.Terá que efetuar um grande esforço para manter os atuais e tradicionais clientes. Muitos são aposentados e funcionários públicos. Neste caso o Banco do Brasil poderá ser o grande favorecido. Se agir rapidamente, o Banco do Brasil conquista boa parte dos clientes que não querem, por opção, negociar com banco estrangeiro.Não vamos levantar novamente questões como a postura privatizante do governo FHC, e tampouco o modelo de privatização, uma vez que já foi consolidado o processo, o que pode ocorrer na prática, e aí é ponto positivo aos correntistas, é que a concorrência poderá permitir redução de tarifas e eventual redução nas taxas de juros com melhor prestação de serviços.Se o Bradesco ou Itaú levasse o Banespa, a concentração se acentuaria. Neste momento, os três principais bancos estariam disputando palmo a palmo o mercado. Finalmente, o que se lamenta é o Estado ter permitido um banco público ter chegado neste estado de coisas. Frutos de desmandos e mais desmandos, e da utilização política do banco. Se tivessem privilegiado o funcionário de carreira, certamente o destino do banco seria outro.Como não é possível chorar o leite derramado, que ao menos na concorrência e na boa aplicação dos recursos levantados na privatização possamos compensar a perda desse importante bem público. O preço pago nos pareceu adequado e até acima das expectativas iniciais. (O autor, Reinaldo Cafeo, é economista)