À arena de touros, ou seria um recinto de pregão de valores, não se sabe bem, adentra o matador espanhol, El Santander. Não havia ficado claro que estranhos acordos haviam levado à desistência, quase de última hora, de outros concorrentes, para o espetáculo daquela manhã.Na platéia, cercada por contingente policial, pois temia-se reações de indignação, ouviram-se apupos. Ao contrário, nos camarotes, ocupados por altas figuras brasileiras, aplausos frenéticos ocorreram, na certeza que o matador espanhol abateria o animal com destreza e perícia. Afinal, raciocinavam esses ilustres mandatários, apesar de sua nacionalidade era um artista do mundo, globalizado, possuidor de milhões ou bilhões de dólares.O touro surge. Se raciocinasse como os humanos, estaria, com certeza, contrariado e se indagando por que queriam destruí-lo. Seria por ser brasileiro, orgulhoso de sua origem paulista? Não compreendia bem essa tal de globalização, essa tal de abertura econômica. Sabia, isso sim, haver produzido muito, trabalhado muito, e, graças a isso, colaborado para geração de empregos, multiplicado seus descendentes, auxiliado com sua energia muitos interessados em progredir. Fosse na pecuária, como também na agricultura, na construção civil e outras coisas que sua memória já não alcançava com facilidade.Trazia, como todo touro que será sacrificado na Plaza, a fita vermelho e preta no dorso. Apoiado pela platéia isolada por policiais, dispôs-se a lutar. O matador, porém, muito bem treinado, não demorou-se a abatê-lo. Realizou, porém, um espetáculo dantesco, cruel mesmo, fazendo suas energias esvaírem-se lentamente, junto com o abundante sangue vermelho de seu corpo.Deu seu último suspiro com um consolo: o sangue vermelho e sua cor negra, fizeram-no, novamente, orgulhar-se de ser paulista até a última hora.A platéia chorou, o toureiro exultou; as ilustres figuras brasileiras no camarote com visão privilegiada, vibraram. Era o fim de uma longa história, cujos capítulos intermediários ainda precisam ser contados.Olé, Toro...Adiós, Banespa.Deus proteja o Brasil. (Luiz Fernando Ribeiro - RG: 3.114.261)