07 de julho de 2026
Geral

Centrinho

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

O aumento progressivo de pacientes fez o hospital rever os critérios de atendimento, para garantir a reabilitação integralEm função do aumento na demanda de pacientes, que para alguns procedimentos chega a quase 50% comparando-se aos últimos quatro anos, o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais de Bauru, o Centrinho, está revendo os critérios para atendimento. A nova regra, que está sendo implantada, é atender exclusivamente os pacientes com anomalias craniofaciais para poder continuar garantindo a reabilitação integral dos pacientes.Mesmo assim, o número de pacientes não deve diminuir - no ano passado, o Centrinho emitiu 27.974 Autorizações para Internação Hospitalar (AIHs) e, no primeiro semestre deste ano, já foram emitidas 13.879 AIHs. Ao contrário, na opinião do diretor clínico do Centrinho, o médico Luiz Fernando Ribeiro, mesmo com o novo critério, o número de pacientes ainda pode aumentar. Com o critério, de atender apenas pacientes com anomalias craniofaciais, o Centrinho quer deixar para o serviço público de saúde os casos menos complexos. Ribeiro contou que é comum chegar ao Centrinho pacientes com problemas renais, por exemplo, associado à anomalia craniofacial. O problema renal, assim como uma série de outras doenças que, às vezes, aparecem em pessoas com anomalia craniofacial, podem ser tratadas em outros hospitais, pois não exigem atendimento de alta complexidade, de acordo com Ribeiro. A preocupação do Centrinho com o crescimento do número de pacientes é de não conseguir mais garantir a reabilitação integral.Assim como Ribeiro, Heli Benedito Brosco e Maria Irene Bachega, respectivamente diretor da Divisão de Odontologia e ouvidora do Centrinho, disseram que a qualidade de serviços prestados pelo hospital sempre foi mantida, independente do número de pacientes. No entanto, o aumento da demanda coloca em risco a reabilitação integral do paciente, uma vez que não houve aumento do espaço físico do hospital nem de funcionários. É entendido por reabilitação integral o acompanhamento do paciente até sua recuperação completa e inserção na sociedade. Esse acompanhamento é feito por equipe multidisciplinar formada por médico, dentista, fonoaudiólogo, assistente social e psicólogo, que cuidam da saúde física e psicológica do paciente.Brosco ressaltou que o Centrinho, pela alta resolutividade dos casos que trata, recebe pacientes de todas as idades de todo o Brasil e até de outros países, principalmente da América do Sul. Isso porque, conforme explicou, no Brasil faltam profissionais especializados e hospitais equipados para atender pacientes com anomalias craniofaciais complexas. A ouvidora do Centrinho disse que a reabilitação integral não é apenas a recuperação física, mas também a psicológica. Para exemplificar o que é a reabilitação integral, Brosco citou o caso do paciente número 1 do Centrinho, que até hoje ainda está em tratamento no hospital. Esse paciente foi atendido pela primeira vez há 29 anos e continua até hoje. Ao todo, o Centrinho já atendeu 33 mil pacientes com fissura lábio-palatal. O aumento da demanda do Centrinho é mostrada por dados estatísticos (veja ao lado). Os pacientes que não se enquadrarem nos novos critérios de atendimento do Centrinho serão orientados a procurar outros hospitais. O ideal, segundo Ribeiro, Brosco e Bachega, é que a rede pública assuma os procedimentos mais simples na área de anomalias craniofaciais, para que fique ao Centrinho, que é um centro altamente especializado, os casos mais complexos, que demandem equipamentos mais avançados e profissionais mais experientes.Dentro da proposta do Centrinho, de descentralizar os procedimentos mais simples, já estão funcionando as subsedes do hospital em Itararé (SP) e Campo Grande (MS). Nas duas unidades, de acordo com Ribeiro, Brosco e Bachega, atuam profissionais do Centrinho, dentro dos padrões de atendimento realizados pelo hospital em Bauru. No entanto, essas unidades fazem apenas o atendimento ambulatorial. As cirurgias e procedimentos mais complexos continuam sendo feitos no Centrinho.CedauviO Centro de Atendimento aos Distúrbios da Audição, Linguagem e Visão (Cedauvi), programa do Centrinho, sente bem o reflexo do vínculo longo entre o paciente e o órgão. Telma Flores Gernaro Motti, coordenadora do Cedauvi, explicou que o atendimento ao paciente auditivo torna-se complexo porque o aparelho precisa de manutenção freqüente, principalmente quando de trata se criança.Na fase de crescimento do paciente, o molde do aparelho precisa ser trocado várias vezes, para adaptar-se a ele. Além disso, periodicamente, o aparelho precisa passar por testes de regulagem. Em função do atendimento prolongado, o Cedauvi enfrenta dificuldade em atender toda a demanda de novos pacientes.O ideal, segundo Telma, seria que a rede pública de saúde assumisse as tarefas de manutenção dos aparelhos implantados pelo Cedauvi. Atualmente, de acordo com Telma, 1.700 pessoas estão na fila aguardando a vez para colocar o aparelho de audição. Ela espera que, no próximo ano, todos sejam atendidos, mas isso dependerá das verbas.Novo prédioUm dos fatores que levou o Centrinho a adotar novos critérios para atendimento é a falta de espaço físico. O novo prédio do hospital, cuja pedra fundamental foi lançada em 1988, não tem data prevista para ser concluído. A obra é financiada pelo Ministério da Saúde.O prédio, projetado para ter 330 leitos, está na fase de acabamento e também falta a equipagem. A estimativa é que para entregar o novo prédio serão necessários cerca de R$ 14 milhões - R$ 8 milhões para o acabamento do prédio e R$ 6 milhões para a equipagem.