07 de julho de 2026
Geral

Viagem

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 4 min

O Guinness Book reconhece a proeza como recorde mundial Santos tem o maior jardimde praia do mundoOs bauruenses adoram viajar para Santos nos finais de semana prolongados. Mesmo que o clima esteja encoberto, sem prenúncio de praia. A explicação é simples: Santos é a única cidade do mundo que tem em toda a orla jardins floridos o ano todo, com amplas calçadas que propiciam passeios, bancos para acolher crianças e os mais idosos, banheiros, bares e até um aquário capaz de deixar similares, de outras cidades litorâneas, no chinelo.O Guinnes World Records Ltda., da Inglaterra, grupo empresarial que registra os recordes mundiais em vários campos de atividades e conhecimentos, reconheceu esse mérito. Santos possui o jardim de maior extensão do mundo. São 5.335 metros de vegetação.A inclusão animou o prefeito reeleito de Santos, Beto Mansur, que pretende reformar o passeio do jardim e construir uma fonte na altura do bairro da Pompéia. O jardim de praia de Santos foi construído nos anos 30, seguindo um mesmo padrão do começo ao fim: gramados extensos em conjunto com alamedas de palmeiras ou 19 espécies de arbustos isolados. Há 719 canteiros. Naqueles que primeiro recebem o vento sul foram plantadas espécies mais resistentes, formando uma barreira na calçada ao longo da orla marítima. Ela protege os canteiros internos, que têm 77 espécies de flores, com predominância de lírios amarelos (Hemerocalis flava), lírios brancos (Spathiphiphyllum sp), biris vermelhos (Canna Indica), crisântemos brancos, amarelos e mesclados (Crysanthemum sp) etc. A engenheira agrônoma Gisela Álvares, responsável pelas sete equipes de um total de 38 jardineiros que se revezam na manutenção diária do jardim lembra que todas as flores são do tipo perene. Isso quer dizer que elas não precisam ser replantadas todos os anos. Também escolhemos as que resistem mais ao nosso clima, pois temos muito vento, umidade e salinidade no solo.As mudas usadas na manutenção do jardim são cultivadas no Jardim Botânico Chico Mendes, de Santos e envolvem muitas folhagens coloridas que se contrastam com os matizes de verde, uma vez que o solo da orla dificulta o cultivo de grande variedade de flores.Hoje, o jardim possui 1.746 árvores, das quais 943 são palmeiras de pequeno e médio porte, de 21 espécies diferentes. Das 803 árvores restantes, os chapéus-de-sol (Terminalia catappa) são responsáveis por mais de 90% das existentes.Urbanização à beira-marInaugurado nos anos 30, o jardim, em esboço, nasceu bem antes, em 1914, depois de amplo estudo urbanístico realizado pelo engenheiro sanitarista Saturnino de Brito, que começou a ser posto em prática na gestão do prefeito Aristides Bastos Machado, de quem herdou o nome oficial.A jornalista Amélia Fernandez Gonzalez, da Secretaria de Esportes e Turismo de Santos, relata que no final da década de 20 surgiram alguns jardins à beira-mar, nas proximidades dos hotéis. Mas, interessados em lotear os terrenos da orla, diversos construtores conseguiram, junto ao governo federal, entre 1921 e 1922, o aforamento (documento que comprova concessão de privilégio) da área de vegetação adjacente à praia, entre a areia e a rua.A fim de impedir a especulação imobiliária e exploração comercial do espaço, lideranças da cidade se uniram e, encabeçadas pelo poeta Vicente de Carvalho e o então prefeito Coronel Joaquim Montenegro redigiram carta aberta ao presidente Epitácio Pessoa para que este intercedesse a favor do projeto de urbanização.O governo se convenceu da importância da preservação da natureza e, em agosto de 1922, o presidente foi a Santos para várias inaugurações, aproveitando para assinar o ato de aforamento da área em favor do município, ação que representou uma disputa judicial até 1934. Para afastar de vez o perigo do loteamento, o poder municipal optou pela forma mais barata possível de ocupação, com o ajardinamento de um pequeno trecho, em 1930. Longe do conceito de Cidade-Jardim, proposto por Saturnino, ele começou a ser construído obedecendo a concepções clássicas, detalha Amélia.As obras propostas pelo engenheiro Paulo Veiga e pelo arquiteto Carlos Lang e aperfeiçoadas por Adalberto Moura Ribeiro e Hugo Benedito de Oliveira foram iniciadas em 1935, a partir da Praia do Gonzaga, entre os canais 2 e 3, em duas frentes de trabalho: uma seguiu em direção ao José Menino e outra para o lado oposto. O primeiro trecho foi concluído em 1939, pelo jardineiro tcheco Carlos Colariquis, do Horto Florestal de São Paulo.Nas décadas seguintes, o jardim ganhou flores, postos de salvamento e o Aquário Municipal. Com a duplicação e o asfaltamento da avenida à beira-mar, nos anos 60, novo projeto foi proposto para o jardim que ganhou traçado curvilíneo, desnível no gramado a fim de evitar que a areia da praia o cubrisse e mudança das espécies plantadas.Entre 1972 e 1976, com alargamento das avenidas da Ponta da Praia e do José Menino, outras alterações foram introduzidas no jardim de praia que agora, oficialmente, é considerado o maior do mundo.