Até o início de fevereiro está em vigor a legislação que busca garantir aos peixes a oportunidade de renovar a vida nos rios. Na edição de hoje, o JC trata do assunto esperando também renovar a consciência dos pescadores de nossa região e de todo o Brasil.ProibiçõesDurante a piracema está proibida qualquer atividade de pesca profissional, inclusive o uso de redes, tarrafas, covos e outras armadilhas que aniquilam efetivamente a vida nos rios. Os pescadores amadores somente poderão utilizar-se de caniço simples ou vara com molinete/carretilha, limitar a quantidade de peixes embarcados assim como obedecer rigorosamente o tamanho mínimo de captura. Para praticar a pesca amadora, será necessário (assim como em qualquer época do ano) a obtenção de licença de pesca, o que pode ser feito no Banco do Brasil, por exemplo, devendo a mesma ser realizada apenas em áreas represadas. O descumprimento destas condições sujeita o infrator à multa, detenção e processo perante a esfera federal o que salientamos é uma situação bastante desagradável.ConsciênciaApesar do rigor da Lei, muitos pescadores ainda não entenderam a necessidade de respeitar a piracema e continuam praticando a pesca ilegalmente, juntando-se aos demais poluidores, predadores e trazendo por conseqüência a crescente falta de peixes a cada novo ano. Para o pescador consciente e que respeita não apenas a lei dos homens, mas principalmente a lei da natureza, este período é uma excelente oportunidade para praticar o pesque-e-solte em nossos rios. A nossa atividade não precisa ser interrompida, mas devemos ter a decência de devolver à água os peixes fisgados, pois tanto machos como fêmeas estarão prontos para desovar. É um crime inominável predar uma fêmea que contenha ovos em seu interior e isto, meus amigos, acontece com freqüência. Alguns pescadores chegam ao cúmulo de pesar a quantia de ovas para divulgar este fato a seus colegas, como se estivesse fazendo a melhor coisa do mundo. Cada peixe nestas condições que deixa de voltar ao rio para concretizar a sua missão significa centenas e centenas de peixes a menos nos próximos anos e isto, acumulando-se por décadas, transforma nossos rios cada vez mais em canais de escoadouro e não em fonte de renovação da vida.Aproveitar a oportunidadeQuem respeita as regras da natureza deve, portanto, durante a piracema, ater-se a observar o espetáculo maravilhoso que ela representa. Deve tentar a sorte de observar o início deste ciclo, quando os peixes, atendendo a um chamado mágico e imprevisível, começam efetivamente o ritual de acasalamento. Quem já presenciou estes momentos jamais vai esquecê-lo,s pois é uma prova de que os seres dito irracionais sabem muito mais do que o próprio homem.Uma vez fertilizados, os ovos estarão a seu próprio destino. Passarão por muitas fases e provas duríssimas, até que um dia aquele exemplar subir os rios como seus pais fizeram e dar seqüência ao ciclo da vida.Todas as provas de sobrevivência pelas quais vai passar, serão aumentadas em muito devido a todo o descaso do homem para com o rio. Fora as dificuldades normais de sobrevivência, as águas poluídas, assoreadas, etc, farão o jovem alevino estar sempre à beira da extinção.Por tudo isto, é claro perceber que não basta apenas limitar a atividade dos pescadores, mas também aumentar e tornar cada vez mais rigorosa a fiscalização sobre aqueles que poluem as águas. Tratar o esgoto de cidades, indústrias, etc, é uma das necessidades urgentes que temos para fazer. O que deve imperar é a nossa consciência, para que nossos filhos e netos conheçam os peixes e os rios.Movimento pela vidaO que esperamos que aconteça daqui até fevereiro é o aumento da preocupação com a natureza de todos aqueles que gostam dela. Esperamos que cada pescador seja um divulgador do movimento pela vida, conversando com os companheiros no sentido de preservar e proteger a vida que será gerada. Esperamos que os responsáveis pelo cumprimento da Lei sejam ainda mais rigorosos nesta época, pois é necessário atingir o objetivo principal: renovar a vida em nossas águas. Este movimento, pequeno, praticado em todos os rios do Brasil, vai garantir para o ano que vem pelo menos a mesma quantidade de peixes que temos hoje. Este movimento, praticado por dez anos, vai trazer de volta todos os peixes que tínhamos há dez anos, pois a natureza já deu provas de renovação e recuperação com um mínimo de cuidado. A hora é já. Comecemos hoje a renovar a vida. Boa Sorte e Boa Pescaria.(Membro da International Game Fish Association (IGFA) especial para o JC)