07 de julho de 2026
Geral

Artigo

Reginaldo Tech
| Tempo de leitura: 3 min

A angústia bate forte na cidade. Quando você acabou de comer aquela macarronada, não sabe mais o que fazer e liga a TV, lá vem o festival de bobagens que assola o País. Domingo à tarde não foi feito para ficar em casa. E olha que é o melhor dia para se tirar aquela sonequinha, de leve. Mas fazer o quê? Ir onde?Domingo passado, na incansável busca de algo a se fazer, o Sesc foi a boa pedida. Programa de índio? Nada disso. A área de convivência é real, prática e econômica. De quebra, fomos brindados com a apresentação de um grupo de música regional, que fez renascer o lado caipira em muita gente grande. Grande até de idade. Era um domingão e não tinha muito sol.Aí, as coisas da cidade começam a pipocar entre meus pensamentos. Lembrei-me dos Museus da cidade e de outros equipamentos culturais, além, é claro, de vários outros pontos de lazer da bela cidade Sem Limites. Sem Limites, eis a questão.Nossa Bauru anda meio perdida, confusa e não consegue recuperar a força deste slogan, tão bem cunhado por um antigo poeta da cidade, se eu não me engano, Eusébio Guerra (me ajude Luciano Dias Pires). Quando digo que Bauru perdeu o controle do slogan, penso exatamente no potencial que temos para voltarmos a ser uma das cidades mais progressistas do Brasil. E nada de bairrismo, ou melhor, nada de tradicionalismo barato. Queremos muito mais.Decidi passear no Parque Vitória Régia. Este parque, por sua grandiosidade, lembra o parque do observatório em Buenos Aires, onde nas tardes de domingo os portenhos levam suas famílias, suas cestas e a toalha, que é estendida no chão para um belo pic-nic. Coisa de cultura, que não temos por aqui. Mas voltando ao nosso parque, observei o abandono em que se encontra aquele belo (eu disse belo?) cartão postal. De longe e à noite, uma maravilha. Então você pede para um artista ir lá para fazer uma apresentação. Cadê a estrutura? Onde estão os camarins? Eu respondo: devem estar servindo de ponto para consumo de drogas. Abandono total, eis a expressão. Fora a falta de atividades que poderiam ser desenvolvidas pelas secretarias de cultura, esporte, educação... e por aí vai. Mas o passeio vale pela delícia do lugar.Resolvi dar outras voltas culturais. Alguém já foi ao museu ferroviário? Aquilo é simplesmente a perpetuação de uma história que não pode ser deixada para trás. O que falta é estrutura suficiente para que a melhor das nossas histórias consiga ficar nas memórias de outras gerações. Explico: o museu ferroviário deveria ser a menina dos olhos da cidade. Afinal, quem não tem alguém na família que já foi ferroviário nesta cidade de espantos. Quanto dinheiro não chegou na Capital da Terra Branca através das linhas da Noroeste, da Paulista e da Sorocabana. Aí é que está. Falta de política cultural dá nisso. Não nos orgulhamos nem das nossas tradições. E bota lenha na fornalha, maquinista.Enfim, a iniciativa privada dá um show. Enquanto isso, abnegados servidores municipais se espremem para manter algo que poderia ser um espetáculo. Lanço aqui uma campanha: Visite o Museu Ferroviário e passeie pelo Parque Vitória Régia. Quem sabe o orgulho de ser bauruense não bate mais forte e a cidade tira do buraco estas duas pérolas que temos. (Reginaldo Tech, é professor e pesquisador do departamento de Ciências Humanas da FAAC/Unesp-Bauru)