07 de julho de 2026
Geral

Cartas

Omar Barreto
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Onde moro tem muitas árvores onde as cigarras cantam e me fazem recordar a infância passada na roça. A gente achava casca de cigarra grudada nos pés de cacau e pensava que o inseto havia estourado de tanto cantar. Ninguém sabia que era a pele de onde saía a cigarra quando atingia a fase adulta. Sem questionar o moralismo da bela fábula de La Fontaine, segundo a qual a cigarra é ociosa, boêmia e imprevidente, comparada com a laboriosa formiga do bem (súdita de um reino socialista ou capitalista?), quero apenas ressaltar o verdadeiro sentido do canto das cigarras. É um canto de amor, uma canção do macho solteiro que procura atrair uma namorada. Neste sentido, há uma certa semelhança com as canções dos nossos cantores. Quase todas as letras falam de amor e paixão. Só que eles cantam, mas não sentem nada disso, interpretam somente. No entanto, despertam paixões de muitas fãs. Quase o mesmo acontece com as cantoras que deixam meio bobocas seus admiradores de carteirinha. Artistas, eles e elas, cobram cachês e gravam discos que rendem muito dinheiro. Não cantam de graça como as cigarras daqui e de lá da roça. (Omar Barreto - RG: 5.663.388-9)