07 de julho de 2026
Geral

Artigo

(*) N. Serra
| Tempo de leitura: 2 min

O chefe da Nação não cometeu nenhum impacto ao afirmar, em entrevista à imprensa norte-americana, que o Brasil só poderá amortizar sua fabulosa dívida financeira internacional quando puder exportar bastante. Não lançou ao ar novidade nenhuma porque, sabem nossos credores de além-mar, que uma tonelada assim de dólares, reconhecidamente devida pelo País, constitui um volume que esta Nação não tem condições de amealhar normalmente, nem a médio prazo e nem mesmo nos 16 anos de economia com que o ministro da Fazenda andou acenando, com exagerada boa vontade, nos circunspectos meandros do voracíssimo Fundo Monetário Internacional.Exportar muito seria, realmente, a solução lógica para o nosso seríssimo problema de dívida externa, dentro do axioma de quem sem faturar horrores, sem estabelecer um efetivo canal de dólares direcionado para as nossas arcas, o imperativo do pagamento dos débitos que temos em vários países do Exterior jamais poderá ser alcançado pelo nosso queridíssimo Brasil, onde o céu azul é mais azul e as estrelas mostram o norte e o sul... De cambulhada vem, contudo, uma interrogação bem pertinente: exportar bastante o quê, se tudo quando produzimos não chega a cobrir nossas necessidades internas? Ainda agora, quando o Governo joga esperanças fagueiras na próxima safra de produtos da terra, pensando, inclusive, em incentivar amplas áreas nordestinas, prenunciando as colheitas fora de série, será que teríamos condições de afirmar, desde logo, que do solo nacional deverá sair, nos próximos nove meses, uma pletora de frutos e grãos suficiente para que os brasileiros comam e ainda tenham sobras para comercializar abundantemente com o outros povos? Com base em previsões supositícias será que poderíamos providenciar desde logo a abertura de novos mercados, como otimisticamente preconiza o ministro da Agricultura? Nossas dúvidas sobre isso são muitas e estamos achando que, abstraindo-nos da idéia de procurar antecipadamente novos centros compradores, o Governo brasileiro deveria antes estruturar e alargar nossas fontes de produção para produzir mais, bem mais, a fim de que elas possam atingir o ideal da exportação em massa, como impõe a economia nacional.Seria contristador se as otimistas manifestações dos nossos homens de cúpula tivessem acolhida nos países que até agora obstaculizam nosso comércio exterior e, depois, com as portas abertas para deitar e rolar nos mercados escancarados para nossos produtos, o Brasil não tivesse com que abarrotá-los para pagar os preciosíssimos dólares que realmente deve por aí. Seria um vexame? Provavelmente... É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)