Motores de carro (a gasolina ou a álcool) e motores de caminhões e ônibus (a diesel) tem durabilidade variável, dependendo dos cuidados tomados pelo proprietário ou condutor. Troca de óleo e dos filtros de óleo, de combustível e de ar, além da revisão do sistema de injeção e dos cabeçotes fazem parte da manutenção periódica que pode prolongar a vida útil do motorA durabilidade dos motores atuais varia conforme a sua aplicação, tipo de uso e manutenção efetuada. Se forem utilizados sempre em perímetros urbanos, com pouca quilometragem percorrida em cada trajeto, o motor de um automóvel deverá ter a sua primeira retifica entre 120 e 150 mil quilômetros. Já se o veículo for utilizado em percursos mais longos, na estrada, por exemplo, a vida útil do motor pode aumentar, chegando até a ultrapassar os 300 mil quilômetros.E por que ocorre essa diferença de durabilidade? De acordo com o mecânico Dolírio Campos, que exerce a profissão há 30 anos e trabalha atualmente na Retificadora de Motores Rodoviária, um veículo que percorre pequenos trajetos nunca estará devidamente aquecido, além disso, toda partida leva esforço ao conjunto elétrico. Já os veículos utilizados na estrada, após efetuada a partida, têm um funcionamento muito mais prolongado, evitando o desgaste prematuro. Na estrada ainda, o motor funciona em regime de torque e na cidade quase sempre em marcha lenta, o que significa um maior esforço. Outro ponto importante é que a refrigeração do motor, em trajetos longos, é muito melhor que em uma área engarrafada. Na estrada há uma melhor queima de combustível. Na cidade, a mudança constante de marcha de primeira para segunda, provoca a lavagem do cilindro, sem uma queima uniforme do combustível. Ele espelha o cilindro, que passa baixar o óleo mais cedo. Isso causa o assentamento dos anéis que não assentam, afirma.De acordo com o presidente do Conselho Nacional de Retificas de Motores (Conarem), José Arnaldo Laguna, a vida útil máxima de um motor só poderá ser atingida e até mesmo ultrapassada se as revisões periódicas forem realizadas, conforme as especificações que constam no manual do veículo editado pelo fabricante. No caso dos motores, a manutenção periódica consiste em troca de óleo e dos filtros de óleo, de combustível e de ar, além da revisão do sistema de injeção e dos cabeçotes do motor.Motores 1.0Por trabalharem com alto giro, os motores 1.0, se utilizados em regimes extremos de rotação, poderão ter a sua vida útil reduzida. Se bem operados, ou seja, dentro da faixa de rotação recomendada pelo fabricante, a tendência é durarem tanto quanto os demais. De acordo com Laguna, os primeiros populares produzidos no Brasil estarão entrando brevemente na faixa que necessita do trabalho de retifica de motor, que tem a vida útil variando de 120 mil a 300 mil quilômetros. Vale destacar que os populares representam 70% dos automóveis produzidos no País.Outro fato que influencia a durabilidade do motor é a qualidade do combustível. Portanto, deve-se escolher um bom fornecedor e ficar atento a qualquer mudança no comportamento do motor. Um combustível adulterado provocará sérios danos ao sistema de injeção e às partes internas do motor.CaminhõesEm motores à diesel, presentes em carros e caminhões, o momento ideal de se realizar uma retifica pode ser com uma quilometragem de 300 a 400 mil. De acordo com Campos, a cada 150 quilômetros é necessário fazer a prevenção, com a verificação dos bicos, bomba injetora. O purificador de ar, por exemplo, precisa ser trocado a cada 15 ou 20 mil quilômetros. A durabilidade de motor depende muito do usuário do caminhão. Quando se faz a troca de óleo e purificador de ar no momento certo, o motor pode ter uma durabilidade estendida até 800 mil quilômetros, afirma o mecânico.PreçosNa média, um recondicionamento completo com fornecimento de peças e realizado por uma empresa competente apresentará um custo entre 40 e 60% do valor de um motor novo. Há no Brasil algumas empresas que oferecem o motor já recondicionado em troca do antigo. Este processo é largamente aplicado nos mercados americano e europeu e ainda é muito pouco utilizado em nosso País. Por exemplo, o motor AP 2000i da Volks, novo, sai por R$ 2.800,00, já um recondicionado, à base de troca, custa R$ 1.239,00.Profissional especializadoO proprietário de um veículo, ao notar uma pequena anomalia no funcionamento do motor, deverá imediatamente procurar um profissional especializado para avaliar a origem e a extensão do problema. Caso haja algum sintoma mais sério, como um forte barulho proveniente da região do motor ou excesso de fumaça, o veículo deve ser imobilizado, assim os prejuízos serão de menor valor, enfatiza Laguna.Nesse caso, o mais aconselhável é que procure uma empresa conceituada e especializada em reparos de motor, pois lá encontrará técnicos e equipamentos para diagnosticar os danos e proceder com os serviços necessários. Como escolher uma boa retificaPara escolher uma boa retifica de motores, o proprietário de um veículo poderá ser aconselhado por seu mecânico de confiança- Verificar se a empresa possui instalações adequadas: limpa, organizada e com equipamentos modernos- Equipe técnica bem-treinada, para tanto, observe se os profissionais são certificados, por exemplo, pela ASE (Automotive Service Excellence)- Verificar se possui os principais equipamentos, que são: o de lavagem de peças, retifica de virabrequim, bielas e cilindros, brunidora de cilindros, mandrilhadeira de mancais do bloco, retificadora de sedes de válvulas. Além disso, equipamentos para regulagem dos sistemas de alimentação - para motores a diesel, gasolina e álcool - e bancada para ensaio do motor antes da entrega - Observar se possui a certificação Inmetro - IQA (Instituto da Qualidade Automotiva). Essa certificação define que a empresa possui os principais pontos do processo de gestão e produção sob controle, o que propiciará uma qualidade melhor dos seus serviços em relação às empresas que não possuem controles tão rigorosos- Executa os trabalhos em conformidade com a norma ABNT nº 13032, que determina como deve ser retificado um motor à combustão interna - Apresenta um orçamento claro e discriminado, contendo todas as operações e peças a serem aplicadas.Como identificar problemas no motor- Verificar se há ruídos na região superior do motor (cabeçotes). Esses ruídos consistem em batidas de válvulas e até mesmo o som de um objeto estranho na parte interna, o que significa que algo quebrou e projetou-se para o topo dos pistões- Notar ruídos nas regiões central e inferior do motor (bloco e virabrequim). Nesse caso, o ruído é de algo funcionando com folga. Por exemplo, quando se dá partida, os pistões, sem a devida lubrificação, pelo excesso de folga (desgaste), proporcionam um barulho de batidas (som grave) e logo em seguida se silenciam. Se esse fato persistir significa que o problema é mais sério. Há ainda o ruído de virabrequim prestes a fundir, com excesso de folga (som de pancadas). Isso indica que em breve ele deverá travar, levando a sérios prejuízos internos - Indícios de perda de potência. Um proprietário atento notará que seu carro está ficando mais fraco, não rendendo como antes. Por exemplo, em uma subida que fazia em 4ª marcha agora é necessário reduzir. Outro diagnóstico que pode ser feito consiste em reduzir a marcha em uma descida e verificar se a compressão do motor segura o veículo e diminui a velocidade. Se isto acontecer, o motor estará ainda com uma boa força. O problema dele poderá ser na injeção ou até no combustível- Verificar se há fumaça em excesso saindo pelo escapamento. Em princípio, a fumaça mais escura é a que determina a queima excessiva de óleo lubrificante, que pode ser pelo cabeçote ou até provocada pelo desgaste excessivo dos anéis de pistões- Consumo de óleo lubrificante acima do normal- Consumo excessivo de água (não sendo por danos no radiador e mangueiras)- Verificar se houve aspiração de impurezas pelo filtro de ar. Quando está solto ou muito sujo, o filtro pode perder as suas propriedades e deixar passar poeira, que poderá provocar um rápido desgaste nas guias de válvulas e nos anéis dos pistões, aumentando muito o consumo de óleo lubrificante