Pessoas que vivenciam situações extremas podem sofrer de patologias diversas, como também podem superar dificuldadesPessoas que vivenciam situações de sofrimento intenso podem ser acometidas por diversas doenças. A superação - ou não - de situações extremas e a abordagem psicológica da obesidade infantil foram alguns dos temas da III Jornada de Psicossomática e Psicologia Hospitalar, organizada pelo Centro de Psicologia Aplicada da Unesp/Bauru. O médico gastrenterologista e doutor em psicossomática e psicologia hospitalar pela PUC/SP, José Roberto Pretel Job - um dos palestrantes da jornada -, disse que pessoas adoecem pelo sofrimento. Segundo ele, a somatização de situações de sofrimento que acabam resultando no desenvolvimento de doenças é uma situação real e evidente. Quem está com um sofrimento, vivenciado interiormente como algo muito doloroso tem grandes chances de desenvolver uma doença e, até mesmo, de morrer. Um exemplo muito comum são as pessoas que ficam viúvas e morrem pouco tempo após a perda do seu cônjuge, observa. De acordo com a genética de cada um, o sofrimento profundamente vivenciado pode levar ao aparecimento das mais diversas doenças, segundo o médico. Tanto quem está doente sofre, quanto quem está sofrendo pode ficar doente, afirma. Porém, não é possível dizer a que tipos de patologias essas pessoas estão mais sujeitas. A pesquisa de Job mostra, ainda, que indivíduos que vivem situações de sofrimento necessitam de apoio e de um suporte médico, psicoterápico, social ou religioso. Segundo Job, praticamente ninguém sobrevive ao sofrimento profundo sem um suporte adequado. Evitar o sofrimento é impossível. O que precisa ser feito é amparar as pessoas que sofrem e oferecer a elas condições de obter canais de suporte dentro da comunidade. Sem isso, praticamente ninguém sobrevive, observa o médico. Por outro lado, a capacidade que o ser humano tem de, frente a uma situação adversa, ultrapassar as dificuldades e ainda obter ganhos pessoais através dessa experiência - cientificamente chamada de resiliência -, também foi comprovada com casos reais pelo médico. Job estudou a resiliência através de seus pacientes judeus, sobreviventes do Holocausto, que vieram morar no Brasil. São pessoas que sobreviveram aos campos de concentração, de extermínio e aos guetos, durante a II Guerra Mundial, e que tiveram a oportunidade de levar a vida adiante. Eles mudaram de País, casaram, tiveram filhos, souberam ultrapassar as dificuldades vividas em situações extremas e conseguem contar as suas experiências de forma que podem servir como exemplos para aqueles que, em algum momento, estejam passando por situações adversas, diz.