11 de julho de 2026
Geral

Honras militares - Foi enterrado ontem, em Jaú, o corpo do sargento dos Bombeiros José Carlos Raino, 42 anos, que morreu quando fazia instrução em uma galeria pluvial, em São Paulo.

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Foi enterrado com honras militares, ontem, na cidade de Jaú o corpo do sargento dos Bombeiros José Carlos Raino, 42 anos, velado na Câmara Municipal Dr. Alfeu Fabris. O sargento morreu na última terça-feira, na Capital, no interior de uma galeria de águas pluviais durante uma instrução do curso de bombeiros. O corpo só foi localizado na sexta-feira, no rio Tietê. Uma foto com o uniforme da PM, um capacete do Bombeiros e um caixão lacrado. Isto foi o que os familiares e amigos do sargento José Carlos Raino velaram durante algumas horas. O PM era pessoa muita estimada pela sociedade jauense. O enterro de Raino estava programado para às 16 horas de ontem, porém teve que ser antecipado para às 13 horas porque o corpo, que permaneceu por três dias na água, já estava em decomposição. O sargento Mauro Sérgio Martins Pereira, que estava junto com Raino na hora do acidente, conta que um grupo de PMS, participantes do curso que habilita sargento a ser Bombeiro, na Zona Leste da Capital, recebia instruções numa galeria. Quando estávamos no interior da galeria, na parte alta,veio uma correnteza muito grande e rápida, inesperada mesmo, e pegou ele desprevinido. O sargento lembra que os demais conseguiram se salvar. Todos, inclusive ele, estavam equipados. Ele frisa que no início da instrução não estava chovendo. A chuva começou depois e com grande intensidade.O corpo de Raino, segundo Pereira, foi levado e arremessado no córrego Rincão, que deságua no Aricanduva que, por sua vez, deságua no rio Tietê, onde o corpo foi encontrado. A versão de que o bombeiro teria ido para a galeria para salvar uma pessoa levada pela enxurrada, foi desmentida pelo sub-comandante dos Bombeiros, coronel Nelson Francisco Duarte. Ele estava em instrução e não em salvamento. De acordo com o coronel, Raino foi enterrado com todas as honras militares porque morreu em instrução. Eles estava no curso para Bombeiros, estava em serviço.O enterro de Raino contou com a presença maciça da PM de Jaú. O corpo foi levado em caminhão dos Bombeiros e antes do caixão baixar no túmulo os PMs fizeram a salva de tiros e cantaram o Hino dos Bombeiros.O sub-comandante dos Bombeiros, coronel Nelson Francisco Duarte, não quis comentar sobre o acidente. Disse apenas que o caso está sendo apurado e que eles só vão se pronunciar após a divulgação do laudo. Emoção e tristezaPais, irmãos, amigos e o único filho do sargento, o pequeno José Victor Raino de 5 anos, velaram o caixão lacrado, na Câmara Municipal de Jaú. Os parentes estavam inconformados com o acidente e nem quiseram tocar no assunto. A família não quis ser incomodada, eles queriam mesmo era se despedir do sargento da PM que sonhava ser comandante de equipe dos Bombeiros e decidiu participar do curso que o habilitaria para isso. De acordo com o tenente-coronel Brás Esteves Neto, comandante do 16º Grupamento de Bombeiros de Piracicaba, cidade onde Raino estava servindo, o sargento pretendia ser um comandante de equipe. Ele estava servindo em Piracicaba até setembro. Foi fazer o curso para deixar de ser auxiliar e passar a ser comandante de grupo. Queria melhorar.O curso que Raino freqüentava prosseguiria até fevereiro de 2001. Durante 16 anos, Raino trabalhou como PM no policiamento urbano da cidade de Jaú, onde morava sua família.