Incidência de casos atinge todos os estados do Brasil. Estudos do Comitê de Aerobiologia da SBAI encontraram casos graves em Campos do JordãoO final da primavera aumenta a possibilidade de incidência de polinose. Também conhecida como febre de feno (hay fever), é uma doença alérgica estacional, devido à sensibilização por pólens alergizantes. Os sintomas desse tipo de alergia são prurido ocular, olhos lacrimejantes, coriza, espirros, prurido nasal ou faringo-palatal e, eventualmente, obstrução nasal. Tudo parece um forte resfriado que pode causar anualmente três meses de sofrimento. Em alguns casos, a sintomatologia pode ser branda a ponto de quase não ser notada. Os pólens alergizantes encontram-se no ar durante a época de polinização de determinadas plantas, produzindo rino-conjuntivite e/ou asma brônquica. Apesar do nome, não há quadro febril e o feno não é responsável pelos sintomas. Existe, entretanto, uma sensação de febre, tal como um desagradável estado gripal. Essa moléstia caracteriza-se por sua periodicidade anual, sempre na época da polinização. Os principais causadores da polinose são grãos de pólens de plantas que se depositam nas mucosas, produzindo reação alérgica inflamatória. Em geral, tais pólens são leves, facilmente transportados pelo vento, medindo entre 20 e 40 micras de diâmetro. No Brasil, ocorre principalmente nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, em zonas elevadas. Isoladamente, detectamos alguns casos em Campos do Jordão. Fora isso, só registramos sua incidência no sul do país, afirmou o presidente do Comitê de Aerobiologia da SBAI, Francisco Vieira. A polinose pode aparecer em sua forma pura ou associada a alérgenos perenes, tais como poeira domiciliar, fungos, epitélio de animais. Por isso, os sintomas podem se concentrar na primavera ou durante todo o ano. Cuidados de prevençãomanter janelas de automóvel fechadasmanter janelas fechadas durante a noiteusar ar condicionado com filtropermanecer o maior tempo possível dentro de casa durante os dias de maior concentração polínica, ou seja, dias ensolarados, quentes, secos e ventososusar óculos de sol para diminuir a impactação de pólens nos olhosevitar andar de moto ou bicicleta sem proteção para os olhosevitar cortar grama, executar serviços de jardinagem ou passeios em clubes de campoevitar tomar banho à noite e lavar os cabelos, o que pode causar deposição de pólens no travesseiro e na camaevitar colocar roupas para secar no exterior roupas úmidas coletam pólens que podem agravar a alergiaprogramar férias em praia ou em outras regiões onde não houver polinosetomar medicação prescrita pelo médicoLembre-se: a fumaça de cigarro pode agravar os sintomas de alergiaOlhos são sensíveis aos alérgenosOs olhos são, entre os órgãos, os mais sensíveis à manifestação de alergias. As substâncias que causam alergias (alérgenos) estão presentes no ar e em cosméticos, atingindo a conjuntiva facilmente e podendo causar a chamada conjuntivite alérgica. Entre 15% e 30% da população pode apresentar alguma forma de conjuntivite alérgica. A doença é caracterizada por coceira nos olhos, lacrimejamento, coloração rosa-avermelhada da conjuntiva e, ocasionalmente, inchaço das pálpebras. Estes sintomas podem apresentar-se isoladamente ou associados à rinosinusite alérgica e à asma. Recentemente, as razões que levam um indivíduo a apresentar alergias passaram a ser melhor entendidas. A secreção de substâncias inflamatórias do sistema imune, as chamadas citocinas, determina o tipo de resposta que um indivíduo terá contra qualquer agente externo. Assim, características genéticas determinam se uma pessoa secretará, por exemplo, determinada substância em resposta a um agente qualquer, desenvolvendo uma alergia. A exposição a diversos fatores ambientais como poluição, cosméticos e agentes infecciosos também contribui para o desenvolvimento de alergias em geral e da conjuntivite alérgica em particular, afirmou Luiz Vicente Rizzo, diretor do Departamento de Imunologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - USP.O tratamento consiste principalmente em evitar o(s) agente(s) desencadeante(s) da conjuntivte alérgica. Compressas frias ajudam a aliviar a coceira e a dor. Colírios caracterizados como lágrimas artificiais são úteis também. Como em qualquer outra forma de alergia, os anti-histamínicos (anti-alérgicos) tópicos (olopatadine, levocabastine, lodoxamide, por exemplo), sozinhos ou em associação com corticóides e com estabilizadores de membrana de mastócitos (cromoglicato de sódio, nedocromil e ácido N-Acetilaspartilglutâmico), são as formas mais comuns e efetivas de tratamento. Nos casos mais graves, pode ser necessária a administração de drogas via oral. A intensa atividade de pesquisa nesta área levou ao desenvolvimento de drogas imunossupressoras para uso tópico, bem como de outras substâncias que bloqueiam diretamente a ação dos mediadores da resposta alérgica. Estas drogas encontram-se em testes clínicos e deverão estar disponíveis ao público nos próximos anos, completou Rizzo.Alergias aumentam na gravidezO retardo na indicação da medicação necessária pode fazer com que crises alérgicas, ás vezes banais, se compliquem, prejudicando a boa evolução da gestação.A gestação é um período muito que leva à uma série de alterações no organismo. Nessa fase da vida, ocorrem mudanças nas fisiologias respiratória e circulatória, no metabolismo, e nas respostas hormonais e imunológicas da gestante. A evolução das doenças alérgicas pode tanto ser afetada por tais alterações, quanto influenciá-las. De maneira geral, o que se observa é que a asma complica cerca de 1% a 4% das gestações, e que as doenças alérgicas ocorrem em aproximadamente 20% das mulheres em idade de procriação. As malformações congênitas, causadas por drogas, são a maior preocupação do médico em prescrever medicações às gestantes. É importante ressaltar que as malformações congênitas ocorrem em cerca de 3% a 8% dos recém-nascidos, sendo que somente 1% ou menos delas podem ser atribuídas à exposição a drogas, afirmou Inês Cristina Camelo Nunes, diretora da Sociedade Brasileira de Alergia e Imunopatologia (SBAI).Outros efeitos adversos potenciais de medicações, administradas durante a gestação, são: abortamento, morte fetal, deficiência do crescimento intra-uterino, desordens da função e do desenvolvimento de órgãos, efeitos na vascularização placentária e uterina. Tendo em vista todos esses possíveis efeitos adversos, o ideal, principalmente no primeiro trimestre da gestação, é se buscar um controle não farmacológico das doenças. No caso específico das alergias, seja qual for a doença em questão - asma, rinite, dermatite, urticária -, deve-se dar ênfase aos cuidados profiláticos, orientando-se a paciente quanto à identificação e ao afastamento dos possíveis fatores que atuem como gatilhos de suas crises, disse Inês.