08 de julho de 2026
Geral

Exercício ajuda saúde de diabéticos

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Pesquisa da Unesp de Rio Claro comprova que a atividade física regular ajuda a queimar o excesso de açúcar no sangueRio Claro - Diabético que faz exercício físico regularmente apresenta menor taxa de açúcar no sangue e corre menos risco de ter complicações da doença do que um sedentário. A conclusão é de uma pesquisa feita pela bióloga Eliete Luciano, do Instituto de Biociências, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), câmpus de Rio Claro, na qual ficou comprovado que a contração muscular, provocada pelo exercício, ajuda o organismo a assimilar boa parte do excesso de açúcar no sangue.Descobrimos que esse mecanismo de captação de glicose funciona independentemente da ação da insulina, afirma a pesquisadora. Em 90% dos casos, o diabetes é causada ou por uma deficiência na produção de insulina - o hormônio responsável pela assimilação do açúcar no organismo ou por uma falha nos receptores desse hormônio. Pioneira na descoberta deste mecanismo de captação de açúcar, a pesquisadora explica que a maior vantagem do exercício físico para o diabético é permitir driblar as complicações da doença. O diabetes é como uma faca de dois gumes, diz. Se de um lado o organismo sofre com o excesso de açúcar no sangue, de outro também é afetado pela carência desta substância, uma vez que vários órgãos e tecidos que utilizam a glicose em seu metabolismo não conseguem captá-la, explica.O excesso de glicose no sangue, por exemplo, geralmente causa a longo prazo problemas nos rins, olhos e coração do diabético. Já a carência de açúcar afeta, entre outros tecidos, os ossos e a musculatura. Por isso, em tese, o exercício físico ajudaria o organismo a driblar esses problemas, uma vez que consegue baixar a taxa de açúcar no sangue e ao mesmo tempo fornecer glicose para os órgãos e tecidos que precisam desta substância, explica. Benefícios comprovadosAlém de desvendar este mecanismo, a pesquisadora também está identificando quais órgãos e tecidos são beneficiados pelo exercício físico. Até agora, ela já conseguiu provar que a resposta do organismo ao exercício físico é imediata, com melhora da fadiga e do controle do peso (redução da perda de gordura e aumento da massa muscular). A médio e a longo prazos, os benefícios também se estendem para os ossos e o coração. Constatamos que a incidência de problemas de crescimento em jovens e de enfarte do miocárdio em adultos torna-se menor para quem pratica exercício regularmente. São benefícios que valem tanto para o portador da diabetes tipo 1 (insulino dependente), que acomete principalmente jovens e deve-se à produção insuficiente de insulina, quanto para o do tipo 2 (não insulino dependente), que está associada a adultos e é causada por uma falha nos receptores desse hormônio. Em outras palavras, mesmo que o organismo do diabético não produza insulina ou os receptores da insulina não funcionem, a captação do açúcar provocada pela contração muscular continua fazendo sua parte. Isso não significa que o diabético pode comer alimentos à vontade, sem restrição de açúcar, adverte. No caso da diabetes tipo 1, a insulina também não pode ser dispensada do tratamento, acrescenta. Métodos da pesquisaPara chegar a essas conclusões, a pesquisadora utilizou ratos com diabetes experimental. Divididos em três grupos, parte dos animais era submetida a exercícios físico, outra recebia apenas insulina e uma terceira foi usada como controle. Depois de sacrificados, os órgãos e tecidos dos animais eram analisados quanto a taxa de glicogênio (o açúcar que fica armazenado nos órgãos e tecidos), o conteúdo das proteínas estruturais e do DNA, e a fosforilação dos receptores de insulina (análise que permite detectar a eficiência dos receptores quanto à insulina). Os testes mostraram que os ratos submetidos aos exercícios físicos conseguiram reter elevadas taxas de glicogênio e proteína nos tecidos, afirma.