Affonso Viviani Júnior, à frente da AHB há menos de um mês, diz que a crise da saúde em Bauru é de ordem conceitualA concepção do sistema de saúde pública em Bauru, notadamente a parceria entre as unidades de urgência e emergência municipais e os hospitais conveniados ao SUS, é a causa dos problemas enfrentados pelo setor. A opinião é do recém-empossado diretor-administrativo da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), Affonso Viviani Júnior, 41 anos, para quem o atual modelo não consegue mais atender à demanda com eficiência. Em considerações pouco detalhadas - o anúncio de propostas práticas ainda seria prematuro -, ele se diz convencido de que a crise da saúde pública no município é de ordem conceitual. O sistema foi concebido há 15 anos e, na ocasião, era adequado. Embora o papel esteja sendo cumprido, temos que levar em conta que a cidade e a região cresceram, como também evoluiu a própria complexidade do desenvolvimento tecnológico da medicina. Por conta disso, o que vemos hoje é um modelo incapaz de responder à demanda satisfatoriamente, comentou. Em linhas gerais, Viviani Júnior disse que o estrangulamento ocorre já a partir do fato de prontos-socorros e hospitais serem geridos por instituições diferentes. De um lado, temos o município e, do outro, a AHB, cada um com seu corpo clínico e quadro de funcionários próprios. Essa dicotomia acaba dificultando o funcionamento do sistema. Na verdade, seria preciso exigir uma sintonia fina entre ambos os serviços, para que os atendimentos acontecessem sob uma única ótica. Particularmente, não concebo um sistema funcionando dessa forma, disse.O que mudar então? O diretor-administrativo não teve uma resposta incisiva. Eu não poderia levantar qualquer posição sem antes ouvir os conselhos técnico e clínico da Associação. Aliás, nada deve ser resolvido individualmente. AHB, DIR-X e a gestão municipal devem sentar para discutir o modelo, detectar os pontos críticos e buscar maneiras de superá-los, generalizou.Ao contrário do que declarou recentemente o interventor Cid Santaella - disse que o Estado não tinha obrigação de dar retaguarda aos PSs -, Viviani Júnior não fala em obrigação ou desobrigação. Sem comentar a posição de Santaella, sobre a qual ele alegou desconhecimento, o novo diretor entende que a AHB tem, historicamente, o papel de oferecer suporte técnico aos pacientes vindos das unidades de urgência e emergência. O suporte é natural. Foi assim historicamente e, muito provavelmente, deve permanecer assim, encerrou.Os poucos mais de 20 dias à frente do cargo foram mais do que suficientes para Viviani Júnior constatar o principal problema da AHB: déficit financeiro. Mensalmente, a Associação enfrenta uma deficiência de caixa na ordem de R$ 250 mil a R$ 300 mil. Em termos técnicos, a situação da AHB está dentro do que eu esperava. Os serviços são de qualidade, a área técnica é bem capacitada e várias atividades são desenvolvidas em todo o complexo. A respostas têm sido positivas com relação à demanda, tanto em internações quanto em atendimentos ambulatoriais. O grande problema é o déficit operacional, contra o qual vemos a necessidade de uma solução mais duradoura.Tal comentário diz respeito às cíclicas crises enfrentadas pela instituição, que acabam sendo amenizadas a partir da interferência do Estado. Na opinião do diretor, a Associação não pode continuar na dependência exclusiva de recursos governamentais para expandir em novos projetos. A instituição precisa buscar uma saúde financeira mais estável, pontuou, sem, no entanto, adiantar quais caminhos poderiam contemplar essa necessidade. Mesmo sem comentar as estratégias possíveis, Viviani Júnior deu a entender que os setores responsáveis pela prestação do serviço público em Bauru, ou seja, DIR-X e Secretaria Municipal de Saúde, devem passar a participar mais. A natureza vocacional dos hospitais administrados pela AHB é atender o SUS. Todos os números da instituição mostram que o mínimo que fazemos pelo serviço público é de 80%, sendo alguns serviços integralmente pelo SUS. As ações que deveremos buscar será no sentido de continuar cumprindo essa missão, mas isso nos coloca de frente com a remuneração paga pelo SUS, historicamente defasada. A partir do momento que os recursos não são suficientes, temos que sentar com os gestores públicos e discutir formas adicionais para garantir os atendimentos. Até hoje, esse respaldo só tem acontecido para resolver crises momentâneas e pontuais. O nível de participação desses gestores, entretanto, será discutido conjuntamente, considerou.Manoel de AbreuO diretor-administrativo da AHB, Affonso Viviani Júnior, assegurou a conclusão das reformas que estão sendo realizadas no Hospital Manoel de Abreu. A palavra dele vem em resposta aos comentários de que a verba de R$ 400 mil enviada pelo Estado teria sido consumida antes do término das benfeitorias previstas. A primeira fase da reforma já foi concluída com a inauguração de uma ala de enfermaria e, dentro de 60 dias, a segunda etapa, que consiste na remodelação da cozinha, deverá estar terminada. A terceira e última obra prevista é a reforma e ampliação da unidade cinco, também para acomodação de leitos de enfermaria. As obras, entretanto, são mais complicadas do que se imaginava. Segundo Viviani Júnior, os engenheiros responsáveis tiveram que consertar problemas de fundação. O prédio do Manoel de Abreu é muito antigo, o que impossibilitou que as obras ficassem limitadas à recuperação de paredes e contenção de infiltrações. A estrutura foi praticamente refeita e, no momento, os serviços estão voltados para a cobertura. Pela previsão, a ala deverá ficar pronta dentro de seis meses, anunciou.