07 de julho de 2026
Geral

Matando saúvas

N. Serra
| Tempo de leitura: 2 min

As copiosas notícias, praticamente diárias, sobre o tráfico de entorpecentes no País, ocupando nos nossos meios de comunicação espaço e destaque sem medida, denunciam com absoluta clarividência, que o enigmático submundo em que se esconde o combatido ilícito penal vai dilatando fronteiras e enriquecendo suas hostes com muito mais executivos, em escalada tão ágil que já atingiu dimensões inquestionavelmente terríveis. Raramente se tem um dia em que o tema passe em brancas nuvens nos domínios da imprensa, rádio e televisão, estabelecendo uma rotina de infelicidade para milhões de pessoas e lares nos quais a dependência dos tóxicos desgraçadamente se instalou, fincando alicerces bem profundos. A medida das proporções a que o problema chegou pode avaliar-se inclusive pela leonina organização alcançada por não poucos grupos de profissionais da espécie, os quais funcionam sob a proteção de falanges próprias, treinadas e fortemente escudadas por armas de sofisticada fabricação.Informes procedentes de regiões da Bahia, Mato Grosso do Sul, Piauí e outras deram contas, recentemente, de que juízes de Direito lotados nas áreas de tráfico mais intenso já começam a sentir a vida a perigo, ameaçada por coronéis dos tóxicos, gente rica que tem à sua disposição fileiras de jagunços preparados para manter invulneráveis os seus ricos negócios, isto a qualquer preço, como o fariam os personagens da conhecida série televisiva Os Intocáveis, todos capazes de eliminar autoridades constituídas e combater forças policiais, muito bem armadas, que tentassem obstaculizar os seus caminhos. Então, se a horda já desponta assim com tão desassombrado arroubo de audácia, a ponto de inibir abusivamente a Justiça no cumprimento das imposições legais, é evidente que chegou a hora em que ao poder público se impõe a adoção e indiscutível execução de providências mais enérgicas para manter o império da ordem e da segurança, bem como dos preceitos institucionais, antes que o tráfico da maconha, da cocaína e respectiva parafernália assuma efetivamente as rédeas da moral administrativa da Nação e, a partir do trampolim, se instale como poder paralelo com forças suficientes para subjugar e perverter toda a sociedade.Segundo as notícias, as autoridades daqueles Estados já falam até na existência de uma máfia da maconha, que atua naquelas regiões, com intensas ramificações, por vias indiretas ou intermediárias, a muitos outros pontos das regiões. Reconhecem, também, que no norte da Bahia, divisa com Pernambuco, ainda hoje se localiza uma das maiores produções de maconha do País. E, se sabem disso, como ainda não deram fim a tal cultura? Não dá para aceitar, dá? Nem é racional deixar-se que a saúva tome conta do terreiro para depois partir-se rumo à sua eliminação. Falta inseticida...? É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é jornalista reponsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)