Comando reivindicou ao prefeito verba de R$ 400 mil para 2001, mas orçamento municipal destinará R$ 120 milO comandante do Corpo de Bombeiros de Bauru, major Maurício de Campos, afirmou ontem que a cidade deverá perder um posto de operação no ano que vem. A decisão foi tomada depois que ele foi informado de que a administração municipal reservou uma verba de apenas R$ 120 mil no orçamento municipal de 2001, destinada à manutenção do serviço da corporação. Campos havia reivindicado ao prefeito Nilson Costa (PPS) uma dotação de pelo menos R$ 400 mil para atender à comunidade com mais segurança. Atualmente, o Corpo de Bombeiros recebe cerca de R$ 14 mil por mês da Prefeitura. Esse valor vai cair para R$ 10 mil no ano que vem.Segundo o comandante, a verba será insuficiente para manter um padrão mínimo de atendimento. Esse valor vai comprometer o atendimento. Vamos ter dificuldades no combate a incêndios, nas Unidades Resgate e, com certeza, mais viaturas serão baixadas por falta de manutenção, disse. Ele considerou uma falta de consideração o tratamento que a administração municipal está dando ao Corpo de Bombeiros.A corporação é responsável hoje por um patrimônio avaliado em cerca de R$ 7,7 milhões entre viaturas importadas de combate a incêndios, plataformas elevatórias de socorro e equipamentos sofisticados. Os indícios de precariedade na manutenção de equipamentos e viaturas já são notados pelo comandante. Ele revelou que três alargadores hidráulicos - utilizados para socorros a vítimas de acidentes de carro - foram baixados por falta de peças.Recentemente, um caminhão auto-bomba Pierce, importado dos Estados Unidos ao custo de R$ 1,2 milhões, ficou seis meses à espera de manutenção. Major Campos explicou que sua intenção é trabalhar em conjunto com a Prefeitura. O valor de R$ 400 mil reivindicados ao prefeito foi alcançado através de um estudo plurianual de custos. Parte do dinheiro seria destinado a aquisição de viaturas de pequeno porte.ChuvasAs chuvas de verão que vão começar a cair com intensidade nas próximas semanas são motivos de preocupação para o comandante do Corpo de Bombeiros. Segundo ele, a corporação não possui equipamentos adequados para prestar socorro em casos de enchentes. Campos explicou que para prestar esse tipo de atendimento à comunidade são necessários dois barcos infláveis. Hoje, nós temos dois de alumínio com motores. Eles não são adequados devido à velocidade da água nesses casos.O major também reivindica a aquisição de coletes salva-vidas e de um mosquetão de aço. Do jeito que está, estamos arriscando nossas vidas, garantiu.Fundo mantenedorCidades como Botucatu, Avaré e Pirajú resolveram seus problemas de repasse de verbas para o Corpo de Bombeiros com a criação de um Fundo Municipal de Manutenção. Botucatu, por exemplo, destina cerca de R$ 15 mil por mês para a manutenção do serviço. Em Bauru, o fundo foi criado através de um projeto de lei de autoria do Prefeito Nilson Costa (PPS). A proposta foi aprovada pela Câmara Municipal no início de setembro deste ano, mas ainda está sendo regulamentada pela Prefeitura.Segundo o comandante do Corpo de Bombeiros de Bauru, Major Maurício de Campos, a situação em Botucatu pode ser usada como uma vitrine para as demais cidades. Com o dinheiro do fundo, a comando adquiriu uma viatura leve, construiu quadras esportivas, piscinas, torre e tanques para treinamento de mergulho, auditório para palestras e ampliou as instalações do prédio.Na lei aprovada pela Câmara de Bauru, o fundo vai se responsabilizar pelo gerenciamento de recursos visando a aquisição de viaturas, equipamentos, material, despesas com serviço de pessoal, entre outras tarefas. O presidente nato do fundo é o prefeito e, seu vice, o comandante do Corpo de Bombeiros. A Câmara Municipal também terá um representante, assim como a comunidade e a Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan).