Os pedidos de falência que deram entrada no Cartório de Ofício de Distribuição Judicial do Fórum de Bauru tiveram uma retração de 31,13% de janeiro a outubro, caindo de 151, no mesmo período de 99, para 104. Vale ressaltar, que a quantidade dos primeiros oito meses de 2000 foi a menor desde 1994, quando foram registrados 33 pedidos, que foi o ano de implantação do Plano Real. Em 95, ano em que a quantidade de falências passou a crescer, foram 112 pedidos no período, segundo levantamentos do diretor do Cartório, Claudemir Jair da Silva.Neste ano, comparando-se mês a mês com 99, apenas fevereiro, agosto e outubro apresentaram crescimento (veja quadro). Nos demais meses, as quedas foram significativas, chegando até a 72,22%, em julho. Neste ano, a oscilação de pedidos tem sido constante. O número mínimo de cinco, verificado nos meses de janeiro e julho é o segundo menor desde fevereiro de 1995. Apenas em outubro de 99 é que houve um número menor, que foi de quatro pedidos. O economista, professor universitário e delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon), Reinaldo César Cafeo, lembra que, desde 1998, o País viveu uma grande turbulência interna, com a economia afetada pela crise da Rússia, por exemplo, fazendo com que a base de comparação de 1999 tivesse ficado superdimensionada. Ele destaca, ainda, que a desvalorização do real, no início de 99, afetou a produção e o consumo internos, afetando a produtividade e fazendo crescer a inadimplência, influenciando os índices do ano passado.Porém, Cafeo destaca que o setor industrial vem apresentando uma expansão neste ano. Além disso, a região de Bauru vem descobrindo uma vocação exportadora, o que ajuda manter os níveis de atividade.Apesar das dificuldades, vale destacar que o número de pedidos de falência de 99 foi o menor desde 1995, mantendo uma tendência de queda que se verificava desde 1997. Cafeo acredita que a tendência natural deste ano é que ocorra uma queda maior nos pedidos de falência.Para o delegado do Corecon, vai continuar ocorrendo um comportamento marginal de falências e concordatas, uma vez que isso independe do ambiente econômico, pois existem pessoas que não estão aptas a dirigir empresas, provocando resultados negativos. Cafeo destaca que uma falência ocorre como resultado de um processo iniciado, pelo menos, seis meses antes. Como a partir de maio deste ano houve uma melhora da economia, a tendência é que continue ocorrendo queda na quantidade de pedidos de falência.País em recuperaçãoRicardo Marques Coube, conselheiro estadual do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) acredita que a queda nos pedidos de falência em Bauru é mais um número que reflete uma recuperação que está ocorrendo no Estado de São Paulo e no País. Para ele, existe um processo que reverteu uma tendência de fechamento de empresas e enxugamento de funcionários, chegando a uma estabilização.Para Coube, em alguns casos, é possível perceber que há uma retomada do crescimento de empresas. Isso sem contar os grande grupos, de grandes negócios, como telecomunicações e novas redes de serviço e autoserviço, que estão crescendo, afirmou.O diretor do Ciesp diz que o País vive o que poderia ser chamado de um período de total adaptação à economia estável, como reflexo de uma economia que deixou de ser estacionária e estar estagnada.Ricardo Coube diz que muitos empresários passaram a buscar melhor sua forma de atuação e nichos de mercado, para sobrevivência ou expansão do negócio nessa nova realidade. Tem que falar que é nova, porque cinco anos de um novo processo, em qualquer situação, é novo ainda, afirmou.O conselheiro do Ciesp avalia que o quadro deve se manter, desde que o País permaneça em ritmo de crescimento. Para ele, a crise internacional que poderia complicar o mundo todo seria com os Estados Unidos que, ao que tudo indica, não vai ocorrer, já que está se desenhando um ajuste que deve manter aquele país forte e firme. Tirando isso, o resto, e na minha maneira de ver é, realmente, o resto, não deve influenciar. Argentina não piora mais. O petróleo, tudo leva a crer que não vai além do que já foi, está no limite máximo. O que estava assustando era que os Estados Unidos enveredasse para um processo mais recessivo. Mas isso parece que está neutralizado. Vai ter um desaquecimento, uma desaceleração, mas o país mantém-se firme, destacou.Porém, para continuar o crescimento do Brasil, defende Ricardo Coube, é preciso ousadia e atitudes como reduzir taxas de juros, reduzir custos públicos e fazer as reformas constitucionais pertinentes, como a tributária e do Estado. Para ele, é preciso buscar uma ordem mais competitiva, com apoio à exportação, além de manter a austeridade nas contas públicas.