08 de julho de 2026
Geral

Estudo descarta terminal de integração

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 5 min

A modelagem do transporte coletivo aponta redução de linhas e bilhetagem eletrônica como a mais viável para o sistemaO sistema de transporte coletivo em Bauru conta com inchaços, com um desenho das linhas que forma alguns emaranhados entre ruas de diferentes bairros da cidade. Das 89 linhas atuais, em mais de 20 a demora nos pontos de ônibus supera a uma hora. O quadro foi traçado pela empresa Consultoria Oficina e Associados, contratada pela Emdurb para a modelagem do sistema de transporte coletivo urbano. O estudo descarta uma das principais promessas da campanha eleitoral deste ano, onde alguns candidatos disseram que construiriam o terminal de integração de passageiros. A modelagem avalia que a melhor solução para as condições da cidade é a implantação da bilhetagem eletrônica.A modelagem, considerada um raio x do sistema em Bauru, está servindo de parâmetro para a elaboração do edital de licitação das linhas da ECCB. A comissão, presidida pelo secretário de Obras, Edmilson Queiroz Dias, tem que apresentar uma proposta para a licitação até o dia 10 de dezembro próximo, prazo estipulado pelo prefeito Nilson Costa (PPS) para a análise do caso. A proposta a ser apresentada deve ser discutida com a população em audiência pública. Além de apontar a bilhetagem eletrônica como a melhor solução para Bauru, a modelagem do transporte coletivo propõe uma minuta de licitação que prevê a manutenção dos cobradores. O novo sistema seria projetado para atender aos usuários com 61 linhas, ao invés das 89 atuais. A proposta reduz o número de ônibus em circulação dos atuais 267 carros para 232 veículos. Para atender à demanda, um número menor de veículos terá que realizar mais viagens que o sistema atual, passando de 2.600 viagens/dia para 3.200.Rua do ônibusO estudo entregue ao prefeito Nilson Costa (PPS) no início deste mês aponta problemas graves na distribuição de linhas na cidade, o que gera aumento no custo e um serviço inadequado para o usuário. A modelagem apontou que os bairros contam com emaranhados de linhas, com ônibus dividindo os mesmos passageiros de uma região com vários pontos distribuídos em ruas próximas entre si. O problema gera baixa produtividade no sistema. O estudo aponta como alternativa a redistribuição das linhas, já contemplando a integração plena do sistema. Cada bairro teria a chamada rua do ônibus, ou algumas ruas pré-determinadas, ao invés da sobreposição atual. Os diferentes bairros contariam com pontos de embarque de passageiros em locais estratégicos. O estudo prevê que a redução no número de ônibus e a racionalização dos pontos de passageiros não vai afetar o tempo de espera. Ao contrário, o estudo sugere que os intervalos vão ser reduzidos dos atuais 30 minutos, em média, para 17 minutos. O usuário terá que se deslocar no máximo 300 metros até um ponto de ônibus mais próximo.O estudo apresentou falhas no sistema, que são sentidas na prática pelo usuário e que agora fazem parte de um documento entregue ao prefeito. O intervalo médio das linhas na hora de pico pela manhã é de 41 minutos, um tempo muito elevado. Apenas dez linhas apresentam intervalos menores que 20 minutos nos pontos. Em relação à renúncia de receita no sistema, 13,07% dos passageiros não pagam a tarifa em Bauru, sendo formados por idosos, militares e funcionários das próprias empresas.Outro dado é que apenas 4,55% da demanda é de estudantes, um percentual considerado muito baixo em se tratando do número potencial de usuários nesta classificação, incluindo dezenas de escolas e algumas universidades. Perda de passageirosA modelagem confirma a redução no número de passageiros transportados na cidade, sobretudo nos últimos cinco anos. Em dezembro de 1995, a ECCB transportava sozinha 4,577 milhões de passageiros/mês. O número passou a ser de 4 milhões em dezembro de 1997 e caiu para 3,369 milhões no ano seguinte. No ano passado, o sistema contou com 3,300 milhões de usuários. A perda deve ficar em cerca de 1,3 milhão em cinco anos.Entretanto, a modelagem não aponta a entrada do serviço de mototáxi no sistema como o fator responsável pela queda no número de usuários. Esta justificativa foi defendida pela ECCB por muitas vezes junto ao Poder Público. Na verdade, o estudo contratado pela Emdurb nem cita o serviço de mototáxi. O estudo atribuiu a queda no número de usuários a um fator nacional, econômico-social. No período analisado, de 1995 para cá, o Plano Real é citado como um dos indicadores, com parte da população tendo mais facilidades em adquirir veículos, mesmo carros usados com mais de dez anos de fabricação.Na contramão da estabilidade econômica e da paridade do real com o dólar no período analisado, o estudo lembra os sucessivos aumentos nas tarifas, sobretudo em 1997, quando há a maior perda de usuários/mês no sistema do transporte coletivo. Por outro lado, há uma previsão que a queda tenha chegado à estagnação neste ano. O aumento do preço do combustível também pode contribuir para o retorno de uma parcela dos usuários ao sistema.Na contramão da redução do número de passageiros, nos últimos anos, não houve queda substancial nos quilômetros percorridos pelos ônibus. Atualmente, os ônibus rodam cerca de 1,57 milhão de quilômetros/mês, contra 1,8 milhão em 1995. A manutenção das distâncias em detrimento à redução de veículos nas ruas é explicado pelo surgimento de novos bairros, com a natural modificação dos itinerários. Disputas judiciais, com o crescimento da transposição de linhas, também colaborou para trazer prejuízos.O estudo prevê que será possível contar com uma planilha que aponte custo perto de R$ 0,90, que seria o valor da tarifa para o sistema com integração, para uma demanda de 3,1 milhões de passageiros/mês e frota de veículos com idade média de apenas quatro anos. Essa situação geraria uma queda de receita de 7% em relação aos valores atuais do sistema, passando de cerca de R$ 2,745 milhões para R$ 2,541 milhões. O estudo traria menor custo de implantação e redução na frota. Com o sistema atual, as empresas podem pedir à Prefeitura uma tarifa em torno de R$ 1,20. O valor atual de R$ 0,80 será mantido até 31 de dezembro deste ano, quando termina o prazo do acordo firmado com as empresas junto ao Ministério Público (MP).