09 de julho de 2026
Geral

Antes que os jazigos desapareçam

N. Serra
| Tempo de leitura: 2 min

Mais do que possam imaginar os menos avisados, os assaltos aos nossos cemitérios, principalmente o da Saudade, ultimamente ocorridos, têm gravames que urge serem investigados com rigor, porque os roubos de vasos de metal, cristal e louça, assim como de outros objetos de valor deixados sobre sepulturas ou rentes a portas de jazigos, constituem, além de tudo, um atentado à própria história da cidade, por destruírem registros, que deveriam ser imperecíveis, de muita gente que aqui viveu, aqui lutou e aqui terminou seus dias, não importando se foram autoridades ou não tiveram evidência no dia-a-dia dos bauruenses de todos os tempos. Tenha sido quem tenha sido, o certo é que deixaram saudades entre os seus, simbolizados pelos objetos que suas esposas, filhos, irmãos, sobrinhos e outros entenderam de deixar ali como que presenças permanentes de seus corações.Age muito bem, portanto, a administração das necrópoles municipais, notadamente daquela da rua 1º de Agosto, onde se encontra sepultada a maior parte dos nossos falecidos, em estar disposta a obstaculizar os avanços desenfreados dos vândalos e ladrões, tendo em vista dificultar ao máximo a ação de seus tentáculos inescrupulosos e permanentes, indiferentes ao que suas memórias possam representar para os que dormem ali seu último sono e para os que aqui as deixaram. Mas, convenha-se, que não fique só nas preocupações do poder público o propósito decidido de atropelar os malfeitores que atuam nas nossas madrugadas. Conforme notícia que o JC publicou, com destaque, na semana passada, além de outras medidas preventivas cuida o comando do cemitério central de elevar, inclusive, a altitude dos muros contornantes no seu todo, colocando-a bem fora do alcance dos amigos do alheio, ou seja, dos inimigos dos mortos propriamente ditos, que lá se encontram à espera de paz e tranqüilidade. Certo, absolutamente certo! Dir-se-ia que a segurança da moradia dos defuntos tem realmente de evoluir, não podendo ficar relegada às conquistas do futuro quando em seu derredor tudo evoluiu. Roubam-se, de tempos a esta parte, vasos mortuários de alto custo, como os de metal amarelo e os de cristal e louça e, se o avanço não vier a ser devidamente contido, dentro em breve o bauruense poderá perder de vista até as campas e capelas de seus parentes. Vão carregar tudo... Parece exagero, mas que ninguém duvide, já que de repente podem as sepulturas, placas de mármore ou granito e portas de ferro ou vidro, começar a serem arrastadas para edificações em andamento na ampla periferia urbana. E será, naturalmente, o fim do mundo... É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)