10 de julho de 2026
Geral

Professores protestam em São Paulo contra as reformas no ensino

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 3 min

Os professores da rede estadual estarão reunidos amanhã, na Praça da República, em São Paulo, para um ato de protesto contra as reformas previstas e promovidas no ensino. O movimento da categoria é resistente ao programa de progressão continuada - aquele que instituiu o fim da repetência escolar -, às mudanças que deverão ocorrer a partir do próximo ano no ensino médio (antigo colegial) e à exclusão dos professores aposentados no sistema de gratificação adotado pelo governo.Duílio Duka de Souza, diretor estadual da Apeoesp, está na Capital desde ontem discutindo as propostas da Secretaria Estadual da Educação para o ensino médio. Segundo ele, todos os professores, exceto os braços direitos da política governamental, temem as conseqüências das iminentes mudanças. As reformas estão e irão descaracterizar cada vez mais a função do professor habilitado, pois põe em xeque a capacidade do profissional; quando o aluno vai bem, as glórias são dele e da escola, quando vai mal, o demérito é só do professor. Na verdade, o governo quer mão-de-obra barata trabalhando na rede de ensino pública, que, conforme estamos denunciando há cinco anos, caminha para a privatização, exalta. Na opinião da Apeoesp e demais entidades engajadas no movimento de resistência, a progressão continuada é uma forma mascarada de promoção automática. Segundo Duka, os professores são obrigados a aprovar alunos que não estão em condições de avançar a série, numa política errada e arrasadora da qualidade do ensino público. Os resultados negativos das avaliações de desempenho às quais os alunos foram submetidos seriam a prova cabal disso.Já com relação ao ensino médio, a decadência seria a redução das horas-aulas de algumas disciplinas como História, Geografia, Sociologia e Psicologia. Para cobrir esses horários, a Secretaria Estadual da Educação teria a intenção de implantar disciplinas alternativas ligadas ao cotidiano, as quais independeriam de professores formados. Qualquer pessoa com a mínima capacitação técnica ou domínio sobre o assunto poderá ser contratada. Para nossa categoria isso é péssimo, mas os alunos também terão prejuízo, porque as mudanças estão sendo feitas sem planejamento e sem discussão com as entidades envolvidas. É uma imposição, enfatizou Duka.No entendimento da base, as mudanças resultarão em alunos menos preparados para a competitiva fase universitária, ou seja, a realidade da seleção se tornaria ainda mais dura para os estudantes da rede pública. A oferta da escola pública cairá cada vez mais. O ensino médio terá menos vagas e os adolescentes acabarão caindo mais cedo no mercado de trabalho como uma mão-de-obra sem especialização. Já a municipalização do ensino vai agir pelo início. Obrigados a absorver o ensino fundamental, os municípios vão começar a cortar as creches e, depois, as pré-escolas. Vai acontecer que quem quiser estudar terá de pagar - se puder - uma escola particular. Essa é a privatização do ensino que estamos denunciando desde 1995 e que logo todos testemunharão, considerou. A diretora de ensino de Bauru, Edinéa Sita Cucci, que esta semana defendeu o programa de progressão continuada em matéria veiculada pelo JC, desmentiu as alegadas mudanças no ensino médio. Segundo ela, as alterações ocorrerão, sim, a partir do ano que vem, mas sob o aspecto metodológico. A grade de disciplinas será a mesma. O que estamos fazendo é discutir novas metodologias e conteúdos que possam ser inseridos no aprendizado. Queremos levar aos alunos experiências reais do cotidiano, coisas para ele se identificar, atualizar e começar a criticar. O resto que dizem é boato, assegurou.