07 de julho de 2026
Geral

Cantos e recantos de Natal

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 9 min

O Brasil Legal de Regina Casé teve picos de audiência no dia em que entrevistou Tom do Cajueiro, o menino encarregado de mostrar aos turistas que conheciam Natal pela primeira vez, o maior cajueiro do mundo. Os anos passaram, o programa saiu da grade de programação da Rede Globo, Tom virou um rapaz e Natal se revelou como um dos melhores destinos turísticos do País por suas belezas naturais e simpatia de um povo em que Tom é exemplo.A alegria dos potiguares é contagiante. Também pudera! Com uma luz solar tão intensa o ano todo, com praias paradisíacas, lagoas de águas cristalinas, em que o azul se mescla ao verde, com dunas de areia branca, Natal é uma festa.Constante, por sinal. Se suas belezas naturais não bastassem, Natal é pura alegria por conta dos agitos que acontecem em seus bares e restaurantes espalhados por todas as praias. A maior parte fica na Praia do Meio, no centro, e na Ponta Negra. Em meio aos saborosos pratos da culinária local, em que se destacam os frutos do mar fresquinhos e graúdos, a música rola tendo como palco um céu azul repleto de estrelas brilhantes. Camarões, na Ponta Negra, Bidoca, na Lagoa Nova e o Bar Trampolim são alguns endereços recomendados para quem quer comer bem, beber uma cerveja gelada e conversar por horas a fio. O Zás Trás, no Tirol, é a indicação em termos de casa noturna, onde shows típicos são realizados toda noite e o Chaplin como o ponto para quem quer curtir uma danceteria de primeira. Se você quer se divertir e ainda levar para casa produtos artesanais de Natal, o Zás Trás é redondinho. Em volta das fileiras de mesas e do palco, há várias lojinhas que vendem bordados, objetos de madeira e cerâmica e as garrafinhas com paisagens coloridas em que os artesãos inscrevem na areia a marca de sua criatividade.Agito no diaPor ter o ar mais puro das Américas, em avaliação feita pela Nasa, você pode se dar ao desfrute de fazer todos os passeios emocionantes oferecidos pelos guias turísticos. Solte sua alegria num jet sky e na visão maravilhosa de Natal voando em ultra-leves. Libere toda a sua emoção ao descer as dunas de Genipabu ou voar de pára-quedas preso a um buggy, visite o maior cajueiro do mundo em Pirangi e passeie até em cima de um dromedário nas dunas de Genipabu.Atualmente são cinco dromedários à disposição dos turistas. Esses animais diferem dos camelos por ter apenas uma corcova e foram trazidos da Espanha para deixar o local ainda mais exótico.São muitos os turistas que se ligam no passeio que dura cerca de 20 minutos e custa R$ 8,00 por pessoa. Nas costas dos dromedários e do alto das dunas avista-se dois lugares estonteantes de Natal: de um lado a praia de mar de verde intenso e do outro o Rio Potengi e os vilarejos de Extremoz.Embora dromedários existam em outros lugares do mundo, paisagem igual não há. Aproveite para tirar fotos com um turbante na cabeça, em traje de banho, para mostrar para amigos ou parentes que moram no exterior, surpreendendo-os com as belezas tropicais, muitas sui-generis.Falando em estrangeiro, foi um, o suíço Philippe Landry o responsável por essa proeza exótica. Ele chegou a Natal, maravilhou-se com Genipabu e visualizou dromedários percorrendo aquelas dunas brancas, imensas. Depois de erguer uma pequena pousada a 20 quilômetros de Natal, partiu em busca dos animais que conhecia de uma viagem feito a Marrocos, no passado.Com emoçãoQuem quer mais adrenalina não pode deixar de fazer os tradicionais passeios de buggy oferecidos por motoristas crendenciados pelo Sindicato dos Bugueiros (o Sindbuggy). Eles levam os turistas, obviamente que com toda emoção, a uma dezena de montanhas-russas formadas pelas dunas do Parque Turístico e Ecológico de Genipabu. Há outras opções muito mais demoradas de passeios nos buggys, caso do roteiro que leva à Praia de Muriú, no município de Ceará-Mirim, a 44 km de Natal; o que vai até à Praia dos Touros, a 96 km da capital potiguar e que dura 10 horas (imaginou 10 horas num buggy?) e até Fortaleza, coisa para quase uma semana com paradas em pequenas pousadas espalhadas pela costa litorânea onde mais venta no Brasil. A ida é de buggy e a volta de ônibus.Rota do SolNatal tem praias de todos os tipos. Por isso, planeje seu dia antes de sair do hotel. Praia do Forte, do Meio, dos Artistas e Areia Preta são as centrais, que não despertam muito interesse dos turistas. Basta um dia para conhecê-las. Dê preferência para as praias da chamada Rota do Sol (Pirangi, Búzios, Barra de Tabatinga, Timbaú do Sul, Pipa), que são cercadas de vegetação.Ou mesmo para a Ponta Negra, na parte sul, ótima para banho, cheia de barzinhos e que abriga o cartão postal de Natal: o Morro do Careca que já teve 120 metros de altura.Ponta Negra é o ponto de partida para as praias da zona sul que se intercalam nas adjacências da Rodovia RN-063, cada qual com uma característica. Pirangi do Sul, por exemplo, tem águas cristalinas ideais para a prática de mergulho, enquanto que em Guaraíras marcam presença os recifes numa enseada de areia fofa. Pirangi do Norte também é imperdível. Lá, concentram-se piscinas naturais, que são atingidas pelos turistas através de barcos que saem em horários pré-estabecidos do dia. Antes de embarcar nas escunas, reserve um tempinho para visitar o cajueiro de Pitangi, em que Tom se destacou. Ele tem 8.400 m2 de copa cuja sombra abriga lanchonetes e lojinhas de artesanato. Cultura e lazerAlém das belezas naturais, Natal tem cultura e história. Aproveite o passeio para incursões em seu centro histórico. Passe pelo Museu Câmara Cascudo (avenida Hermes da Fonseca, 1.398, de terça a sexta, das 8 às 17h30) para comprar artigos do folclore regional; aprecie a arquitetura neoclássica do Teatro Alberto Maranhão (Praça Augusto Severo, Ribeira) e visite o Forte dos Reis Magos que foi construído sobre recifes e é banhado pelo rio Potengi e pelo Oceano Atlântico, marco inicial da história da cidade e tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional.Cenário perfeitoO Estado do Rio Grande do Norte é realmente um paraíso - incrementado pela mão do homem, é verdade. Além de lagoas de água doce, praias quase desertas e dunas gigantescas, a agitação noturna e a história fazem de Natal - e de todo o litoral potiguar - o cenário perfeito para as férias que se aproximam.Praia do agito Tibau do Sul é o nome do município do lugar mais badalado do litoral . Pipa tem inúmeros atrativos, até um Santuário Ecológico, situado no desvio da Rota do Sol para a Estrada da Pipa. O parque foi construído por um inglês, com a idéia de preservar um importante trecho da Mata Atlântica próximo do litoral. As trilhas levam até duas horas de percurso e têm o nome dos animais que circulam pelo local (trilha da cotia, do sagüi, do calango, da jibóia, etc.). Mais alguns quilômetros e avista-se a Avenida Baía dos Golfinhos rua principal de Pipa. Essa estreita faixa asfaltada é um corredor de lojas de artesanato, bijuterias e roupas, além de reunir dezenas de barzinhos e restaurantes. Quem chegar lá de dia encontrará tudo fechado, com exceção de alguns restaurantes. Mas o bom desse endereço acontece à noite. Essa avenida é o maior foco de agitação noturna do litoral sul, chegando a atrair jovens de Natal e até mesmo do Estado da Paraíba. O trecho de acesso imediato do vilarejo à praia leva a um local de maior concentração de pescadores, onde as pedras não dificultam a passagem das barcarolas, mas tornam inviável o banho de mar. Mais ao norte, ao sopé das falésias de areia vermelha fica o trecho mais propício para quem quer curtir as águas mornas de Pipa. Tibau do Sul é conhecida, aliás, pelas formações arenosas variadas que acompanham a costa, cujo principal recorte são as falésias. Delas, os artesãos locais extraem a areia colorida que forma belíssimas paisagens dentro de garrafões de vidro. Se a intenção é seguir viagem ainda mais ao sul, Barra de Cunhau é parada obrigatória. Fica no município de Canguaretama, a 86 km de Natal, e marca os olhos do turista pelo seu firmamento - azul anil ao dia, vermelho caju ao entardecer e brilhante de estrelas à noite. Também merecem destaque os imensos coqueirais que se espalham pela região. Uma dica é aproveitar os passeios de barco que saem da praia, desbravando os mangues da região.Norte, a Costa de MaracajaúNo extremo oposto, a dica é mergulhar num paraíso submerso, a Costa de Maracajaú.Ao afastar-se sete quilômetros da costa de Maracajaú, no litoral norte potiguar, já não se pode avistar no horizonte a areia grossa e os coqueiros altos dessa praia, a quarta do município de Maxaranguape (a 63 km de Natal). Já em alto-mar, o que se vê num raio de 500 metros é uma água verde cristalina, recifes verde-escuros submersos no mar e, sobre ele, plataformas flutuantes com equipamentos para o mergulho amador. Neste lugar fica uma das mais belas zonas para a prática na costa brasileira. O mergulho nas águas rasas (de no máximo cinco metros de profundidade) teve início na metade da década passada. Logo descobriu-se um grande potencial turístico, sem depredação ecológica. Nos dias de hoje existem no litoral norte três marinas com este passeio e mais uma no sul. O dono da agência Maracajau Diver, o baiano César Sales, 47 anos começou com o negócio em 1994. Queremos criar aqui uma Área de Preservação Ambiental - APA, planeja Sales. Pretendemos coibir a pesca predatória e estabelecer um controle do fluxo turístico. Um belo e arejado restaurante recebe o visitante nas areias de Maracajaú. Lá se pode comer um peixe grelhado saborosíssimo, acompanhado de água-de-coco ou de uma boa caipirinha. Seis lanchas levam os mergulhadores até as duas plataformas. O caminho foi intencionalmente marcado por bóias na região dos parrachos recifes potiguares -, com o intuito de preservar as formações naturais submersas. As plataformas são equipadas com snorkel, óculos, pés de pato e cilindros. Os nativos de Maxaranguape são os próprios instrutores. Uma vez lá, o turista tem duas deliciosas horas para curtir o mundo submerso.