11 de julho de 2026
Geral

Estudantes da escola Guedes de Azevedo constataram que o rio Jacaré-Pepira sofre com ação de agentes poluentes.

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 4 min

A expedição organizada pela Escola Guedes de Azevedo ao rio Jacaré-Pepira, realizada entre os dias 18 e 21 deste mês, constatou a presença de agentes poluentes nas águas. As análises feitas em vários pontos do rio revelaram que os índices de oxigênio já estão abaixo daquele considerado desejável, embora a poluição não esteja configurada. Na avaliação do Instituto Ambiental Vidágua, os resultados demonstram potencialidade de poluição, o que evidencia a necessidade urgente de se conter a degradação.Durante três dias, um grupo de 30 pessoas, entre as quais 18 alunos de 7.ª série e do 2.º ano do ensino médio (antigo colegial), percorreram 120 quilômetros de rio, no trecho compreendido entre Brotas e Barra Bonita. O projeto, que figura como experiência inédita na região, teve o objetivo de analisar as condições da água, através do mapeamento do trecho, e levantar o grau de preservação da mata ciliar, bem como alcançar a conscientização ecológica do alunos através da vivência prática. Aspectos da fauna e da população ribeirinha também foram analisados. Nos oito pontos de coleta de amostras de água, os níveis de oxigênio dissolvido ficaram próximos ao limite tolerado para a vida aquática - na média 4,5, enquanto o limite mínimo é 5. Índices baixos de contaminantes como nitrito e amônia também foram verificados, além de colônias de coliformes totais, que indicam a presença de diversos lançamentos de esgoto. A principal fonte emissora do esgoto é o município de Brotas, embora existam outros pontos que ainda deverão ser identificados. O Instituto Vidágua pretende enviar representações ao Ministério Público no intuito de que os agentes públicos tomem providências para cessar o despejo do esgoto in natura. No caso de Brotas, o tratamento do esgoto, além da causa ambiental, se faz imprescindível pelo caráter turístico da cidade, que a cada ano vem recebendo mais e mais visitantes em busca da beleza e passeios naturais. As condições da mata ciliar também não são satisfatórias. Embora a legislação obrigue a preservação da vegetação nativa em 30 metros ao longo do Jacaré-Pepira e em 100 ao longo do Tietê, vários trechos estão devastados, trazendo a ameaça de erosões e assoreamentos. No lugar daquilo que deveria estar protegido, encontramos plantações de laranja, pastagens e, principalmente, canaviais, constatou Ivan Ferrazoli de Marche, monitor da expedição e secretário-executivo do Vidágua. Os pontos de degradação foram mapeados e a Polícia Florestal, que acompanhou e deu apoio à expedição, deve agora advertir os responsáveis pelas áreas por meio de notificações e autuações. Paralelamente, os dados obtidos servirão para o desenvolvimento de programas de reflorestamento. Já conversamos, inclusive, com moradores ribeirinhos, que se interessaram em participar. Nossa idéia é estar distribuindo mudas das espécies que identificamos como flora nativa, adiantou Ivy Wiens, relações públicas da entidade ambiental. Vale ressaltar que o trabalho de identificação da vegetação natural foi importante em termos de informações, já que não existe nenhuma bibliografia sobre a vegetação nativa. O grupo também pôde ter contato com a fauna que habita as margens do Jacaré-Pepira. Na busca de campo, observou-se - através de pegadas, fezes e até dos próprios espécimes - a presença de capivaras, macacos-prego, calangos, bugios, tucanos, martins-pescadores e periquitos. O idealizador do projeto e coordenador de educação ambiental da escola, Roberto Pallotta, está satisfeito com os resultados do trabalho, cujos preparativos consumiram quatro meses e muito corre-corre atrás de patrocínios e apoios. Na opinião dele, o mais positivo da expedição, obviamente além da obtenção das informações técnicas, foi a experiência proporcionada aos alunos. Eles vivenciaram tudo aquilo ali, trocando idéias e aprendendo coisas. Foi uma conscientização de fato, enfatizou o coordenador.Polícia Florestal apóia iniciativas no EstadoO tenente-coronel Gilmar Ogawa, comandante do 2.º Batalhão da Polícia Florestal e Mananciais - corporação que compreende as regiões de Bauru, Presidente Prudente, Marília e Araçatuba -, esteve ontem, em Bauru, prestigiando o evento de encerramento da 1.ª expedição ao rio Jacaré-Pepira, realizada pela Escola Guedes de Azevedo. Na ocasião, ele elogiou a iniciativa e reiterou o apoio da Polícia Florestal às atividades de conscientização ecológica. No ano passado, segundo informou, 90 mil estudantes da região abrangida pelo 2.º Batalhão realizaram trabalhos voltados à preservação do meio ambiente. O incentivo da corporação a projetos ecológicos nutre-se do resultado dessas experiências. Envolver uma criança ou adolescente num trabalho como esse significa a criação de agentes multiplicadores da causa ecológica. O efetivo da Polícia Florestal é insuficiente para estar fiscalizando todos os pontos ao mesmo tempo, daí a necessidade de termos colaboradores extras. A Polícia Florestal está longe de querer autuar os infratores. Nossa primeira missão é orientar, destacou Ogawa. Apesar das inúmeras iniciativas que tem acompanhado nos 186 municípios que compõem seu batalhão, Ogawa disse que o projeto da expedição ao Jacaré-Pepira é inédito em termos de formato. Esse trabalho foi um sucesso, porque atingiu os jovens da maneira que eles melhor compreendem, ou seja, através da aventura, da adrenalina, conforme eles mesmos definem. A ecologia, a botânica e a geologia que os livros ensinam está muito longe de provocar os resultados que um trabalho como esse oferece. Temos aqui a verdadeira internalização do aprendizado, elogiou.Vale destacar que a Polícia Florestal participou da expedição com efetivo, viaturas, barcos, botes, barracas e todos os demais equipamentos que garantiram a segurança do grupo durante a descida do rio e a permanência nas margens. (JC)