08 de julho de 2026
Geral

Plebiscito definirá anuênio dos bancários

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

A manutenção ou retirada do adicional por tempo de serviço (ou anuênio), benefício conquistado pelos bancários há 37 anos, será definida nos próximos dias 6, 7 e 8 de dezembro. A decisão será conhecida através de um plebiscito, realizado em todo o Brasil, do qual participarão todos os funcionários de bancos privados. Atualmente, os bancários da rede privada recebem R$ 9,02 a mais no seu salário, mensalmente, por ano trabalhado. De acordo com o diretor de Comunicação do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, Marcos Silvestre, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) tem como proposta a extinção do aunênio para os novos bancários que forem admitidos. Segundo Silvestre, os trabalhadores manifestarão a sua decisão através de duas opções. A primeira é votar por continuar recebendo o anuênio. A segunda, é votar por ter o recebimento do benefício interrompido, ou seja, o funcionário continua com o benefício dos anos já trabalhados e pára de agregar os novos anuênios, daqui para frente. Para isso, a Fenaban pagaria uma indenização de R$ 1,1 mil ao funcionário optante. A proposta dos sindicatos é de que tudo permaneça como está. A nossa proposta é de que os bancários continuem agregando o anuênio, sem essa possibilidade de acabar com ele. Além de se tratar de um benefício conquistado pela categoria há 37 anos, se a proposta da Fenaban for aprovada serão criadas três categorias distintas de bancários e haverá uma aceleração no processo de demissões, observa Silvestre. De acordo com ele, a primeira categoria seria a dos bancários que permaneceriam recebendo o anuênio porque se recusariam a vendê-lo. A segunda, seria a dos novos contratados, que não terão direito ao anuênio. E a terceira categoria, seria a dos que ficarão com os anuênios agregados até agora e vão parar de receber, a partir da opção, porque vão aceitar o abono de R$ 1,1 mil. O que nós estamos alertando aos bancários é que se a proposta da Fenaban ganhar e ocorrer a extinção do anuênio, vai haver uma aceleração muito rápida do processo de demissões na categoria. Isso é óbvio. Será mais barato para o banco contratar novos empregados, porque eles não terão direito a receber o anuênio. Mesmo os funcionários que aceitarem vender o direito por R$ 1,1 mil continuarão custando mais caro para o banco do que os novos contratados, porque eles já têm agregado ao seu salário um determinado número de anuênios, ressalta Silvestre. O diretor do sindicato diz que a preocupação dos sindicalistas é em relação à pressão velada que os gerentes de bancos estão fazendo com os funcionários. Mesmo assim, nas reuniões que o sindicato tem feito com os trabalhadores, tudo indica que a maioria dos bancários irá votar por não abrir mão desse adicional. Nesse momento, os bancários têm que pensar coletivamente, porque as conseqüências do que for decidido nesse plebiscito serão para todos, acrescenta o sindicalista. Não vão entrar na discussão do plebiscito os bancos que possuem acordo coletivo em separado: Banespa, Nossa Caixa Nosso Banco, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.